Primeiros Anos
Shoukrallah Maloyan nasceu em 1869, em uma família armênia na cidade de Mardin, no Império Otomano (atual Turquia). Desde cedo, demonstrou vocação religiosa e, aos quatorze anos, foi enviado pelo seu pároco para estudar na Catedral Católica Armênia de Bzoummar, no Líbano. Em 1896, concluiu seus estudos teológicos e adotou o nome religioso de Inácio (Ignatius), em homenagem a Santo Inácio de Antioquia.
Entre 1897 e 1910, serviu como padre na Eparquia Católica Armênia de Alexandria, no Egito, atuando nas cidades de Alexandria e Cairo. Seu talento como pregador, tanto em árabe quanto em turco, tornou-o uma figura respeitada entre os fiéis. Em 1904, foi chamado a Constantinopla para servir como assistente do Patriarca Católico Armênio, Paulo Pedro XII Sabbaghian. Durante esse período, testemunhou a crescente instabilidade política e os ataques contra os armênios por forças otomanas e curdas.
Cidade de Mardin, local de nascimento de São Inácio Maloyan
Ascensão ao Arcebispado
A Revolução dos Jovens Turcos, em 1907, trouxe desafios à Igreja Católica Armênia. O Patriarca Paulo Pedro XII foi criticado por membros da comunidade católica armênia, que o consideravam um líder inadequado. Em 1910, ele renunciou ao cargo, abrindo caminho para a escolha de um novo Patriarca.
O Conselho Nacional da Igreja Católica Armênia reuniu-se em 1911 e elegeu o Bispo de Adana, Paulo Pedro XIII Terzian, como novo Patriarca. Durante uma visita ao Vaticano, o Papa Pio X determinou que os bispos para as sedes vacantes seriam escolhidos a partir de uma lista apresentada pelo Patriarca e aprovada pela Congregação para a Propagação da Fé. O Papa também convocou os bispos armênios a Roma para discutir os desafios enfrentados pela Igreja.
Foi nesse contexto que, em 22 de outubro de 1911, Inácio Maloyan foi consagrado Arcebispo de Mardin, sendo enviado de volta ao Império Otomano para liderar sua comunidade em tempos de crescente instabilidade. Com a ascensão dos Jovens Turcos ao poder e a consolidação de um governo de partido único sob o Comitê de União e Progresso, os cristãos armênios enfrentaram uma nova onda de perseguição.
Catedral de Santo Elias e São Gregório Iluminador, em Beirute, onde São Inácio estudou aos 14 anos
Perseguição e martírio
Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo otomano intensificou suas ações contra os armênios, resultando no genocídio que dizimou 1,5 milhão de armêniis, incluindo 500 mil crianças.
E em 1915, tropas otomanas invadiram Mardin, prendendo líderes religiosos e membros da comunidade cristã. Entre os detidos estavam o Arcebispo Inácio Maloyan, treze padres e aproximadamente 600 cristãos.
Os prisioneiros foram forçados a marchar para um local remoto; foi oferecido a eles a chanc de salvar suas vidas caso renunciassem à fé cristã e se convertessem ao Islã. Inácio Maloyan, ao lado de seus companheiros, se recusou de forma firme a abandonar sua fé. Antes de ser executado, declarou: “Glória a Ti, Senhor! Em Tuas mãos entrego meu espírito.”
No dia 3 de junho de 1915, ele foi morto junto com seus companheiros, tornando-se um mártir da fé cristã. Seu sacrifício simboliza a resistência espiritual e a fidelidade inabalável armênia diante da opressão e da violência.
O mártire e santo Inácio Shoukrallah Maloyan