Jogos Nacionais da Armênia: Tradição, Cultura e Diversão

A Armênia, por ser uma das nações mais antigas do mundo, possui muitos jogos tradicionais, como kokh, chlik-dastan, sete pedras, havala (salto de sapo) e tantos outros. São diversas as brincadeiras e competições que marcaram gerações, refletindo não apenas o espírito do povo armênio, mas também valores culturais profundos. Mais do que jogos, era um modo de vida. Desde os tempos antigos, os jogos sempre foram parte essencial da vida na Armênia e, durante a Idade Média, até mesmo peças teatrais e espetáculos circenses eram chamados de “jogos”. Nesses eventos, era comum que as pessoas cantassem músicas engraçadas e alegres, criando um ambiente festivo. As brincadeiras infantis tinham um papel fundamental no desenvolvimento das crianças; e não apenas físico, mas também mental e emocional. Em especial, os meninos eram incentivados desde cedo a desenvolver resistência, agilidade, criatividade e espírito competitivo. Já as canções cômicas e poemas que acompanhavam os jogos despertavam o senso de humor dos mais jovens. Crianças armênias se divertindo Competição e espetáculo: a alma dos jogos armênios Apesar da variedade, todos os jogos tradicionais armênios têm algo em comum: são competitivos e frequentemente teatrais. As atividades eram adaptadas à idade e ao gênero dos participantes. Os meninos, por exemplo, participavam de jogos mais exigentes fisicamente, enquanto as meninas tinham brincadeiras próprias. Em determinados períodos históricos, grupos familiares e comunitários possuíam jogos específicos. Havia pontos de encontro conforme a faixa etária e o sexo, e algumas reuniões chegavam a reunir até 200 pessoas! Campos abertos e até mesmo os telhados das casas serviam de espaço para essas celebrações lúdicas. Barekendan: o carnaval armênio e seus jogos As competições e encenações tradicionais ocorriam com frequência em cerimônias e festividades, como o famoso Barekendan, uma espécie de “dia da loucura” anterior à Quaresma, marcado por danças, cantos, jogos e muito riso – muito semelhante ao tradicional carnaval brasileiro; e assim como no Brasil, a tradição armênia está intrinsecamente ligada à igreja. Toda a comunidade se reunia na praça central de seu vilarejo e, após as atividades, celebravam com um grande banquete coletivo. Era um momento especial para a exibição dos jogos nacionais e sempre acontecia no úlgimo domingo antes da Quaresma. Barekendan significa “vida boa” ou “boa vida” e o objetivo nessa data é viver alegremente e ser feliz nesses dias antecedentes ao período de jejum. E tanto crianças quanto adultos criavam bonecos artesanais usando materiais simples, tendo uma cebola como base. Esses bonecos representam sorte e harmonia durante o evento. Sete penas de galinha são fincadas na cebola, e a cada dia do evento, uma delas é removida. No final, os bonecos são lançados no rio. Barekendan sendo praticado nos dias atuais Jogos com cavalos: tradição e treinamento Os jogos de guerra remontam à pré-história e muitos tinham como foco o preparo físico e militar. Eram praticados apenas por homens e envolviam também cavalos, já que a criação e doma desses animais sempre foram importantes na cultura armênia. E esses jogos se dividiam em dois tipos: montaria e corrida de cavalos e jogos com lanças – nesse último, os participantes, montados, tentavam atingir o adversário com uma lança de madeira. Quando se trata de jogos com cavalos, um dos mais marcantes era o “duelo dos sparapets”, onde cada participante usava uma pena no capacete, tendo como objetivo derrubar a pena do oponente com uma lança. Essas competições eram comuns em festas e eventos até o início do século XX, especialmente entre as classes mais altas. Armênios praticando jogos com cavalos nos tempos modernos Sete pedras: estratégia e agilidade Outro jogo com raízes militares é o sete pedras, originalmente jogado com fragmentos de escudos inimigos. Mais tarde, substituídos por pedras, o jogo envolvia de 10 a 20 participantes divididos em dois times. Um time defendia uma pirâmide de pedras, enquanto o outro tentava derrubá-la com uma bola. Se a pirâmide fosse derrubada, os defensores tentavam impedir, com a bola, que o outro time reconstruísse a estrutura. Vencia quem conseguisse reerguer as pedras. O jogo durava até todos se cansarem ou até escurecer. Com a chegada da noite, a brincadeira dava lugar ao tradicional esconde-esconde, também muito jogado no Brasil. Exemplo moderno do jogo sete pedras O pião armênio: habilidade e precisão Esse jogo não tinha limite de participantes. Era preciso um pião (feito de madeira com ponta de ferro) e uma corda com um nó especial. O pião era enrolado com a corda, arremessado e começava a girar no chão. A missão era acertar um carretel (outro pião sem ponta) para empurrá-lo até um buraco escavado no solo. Ganhava quem conseguisse empurrar o carretel para dentro do buraco mais vezes. E como em muitos jogos antigos, o prêmio era simbólico — geralmente o próprio pião do adversário! Clássico modelo de pião armênio Kokh: a luta tradicional armênia Kokh é considerado o ancestral da luta livre moderna. Esse esporte importante para os armênios estava presente em casamentos, festas e grandes encontros. Antes do combate, os lutadores dançavam ao som de músicas folclóricas e só então a disputa começava. Vencia quem derrubasse o oponente no chão. Nos casamentos, havia uma encenação simbólica de kokh entre os pais do noivo e da noiva, selando a união entre as famílias. Para o noivo, o kokh era um rito de passagem, demonstrando estar pronto para a vida adulta e o casamento. A importância cultural do kokh é tanta que aparece no famoso poema “Anush”, de Hovhannes Tumanyan, onde um amigo quebra a tradição ao derrubar o outro em público, sendo esse um gesto gesto que leva ao fim da amizade. Kokh, uma das primeiras formas de luta livre da humanidade, sendo praticada na Armênia Ainda existem comunidades na Armênia que mantêm vivos os jogos tradicionais. Eles são muito mais do que simples passatempos; eles representam identidade, história e sabedoria popular do povo armênio. Preservar esses jogos é manter acesa uma parte essencial da cultura armênia — uma herança que merece ser conhecida e valorizada pelas novas gerações!
Inácio Shoukrallah Maloyan, o novo santo da Igreja Católica Romana!

O Papa Francisco anunciou a canonização de São Inácio Choukrallah Maloyan, um arcebispo armênio que entregou sua vida por sua fé durante o genocídio armênio de 1915. Sua canonização marca um reconhecimento da Igreja Católica à coragem e fidelidade de um homem que enfrentou a perseguição otomana com firmeza e devoção. Primeiros Anos Shoukrallah Maloyan nasceu em 1869, em uma família armênia na cidade de Mardin, no Império Otomano (atual Turquia). Desde cedo, demonstrou vocação religiosa e, aos quatorze anos, foi enviado pelo seu pároco para estudar na Catedral Católica Armênia de Bzoummar, no Líbano. Em 1896, concluiu seus estudos teológicos e adotou o nome religioso de Inácio (Ignatius), em homenagem a Santo Inácio de Antioquia. Entre 1897 e 1910, serviu como padre na Eparquia Católica Armênia de Alexandria, no Egito, atuando nas cidades de Alexandria e Cairo. Seu talento como pregador, tanto em árabe quanto em turco, tornou-o uma figura respeitada entre os fiéis. Em 1904, foi chamado a Constantinopla para servir como assistente do Patriarca Católico Armênio, Paulo Pedro XII Sabbaghian. Durante esse período, testemunhou a crescente instabilidade política e os ataques contra os armênios por forças otomanas e curdas. Cidade de Mardin, local de nascimento de São Inácio Maloyan Ascensão ao Arcebispado A Revolução dos Jovens Turcos, em 1907, trouxe desafios à Igreja Católica Armênia. O Patriarca Paulo Pedro XII foi criticado por membros da comunidade católica armênia, que o consideravam um líder inadequado. Em 1910, ele renunciou ao cargo, abrindo caminho para a escolha de um novo Patriarca. O Conselho Nacional da Igreja Católica Armênia reuniu-se em 1911 e elegeu o Bispo de Adana, Paulo Pedro XIII Terzian, como novo Patriarca. Durante uma visita ao Vaticano, o Papa Pio X determinou que os bispos para as sedes vacantes seriam escolhidos a partir de uma lista apresentada pelo Patriarca e aprovada pela Congregação para a Propagação da Fé. O Papa também convocou os bispos armênios a Roma para discutir os desafios enfrentados pela Igreja. Foi nesse contexto que, em 22 de outubro de 1911, Inácio Maloyan foi consagrado Arcebispo de Mardin, sendo enviado de volta ao Império Otomano para liderar sua comunidade em tempos de crescente instabilidade. Com a ascensão dos Jovens Turcos ao poder e a consolidação de um governo de partido único sob o Comitê de União e Progresso, os cristãos armênios enfrentaram uma nova onda de perseguição. Catedral de Santo Elias e São Gregório Iluminador, em Beirute, onde São Inácio estudou aos 14 anos Perseguição e martírio Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo otomano intensificou suas ações contra os armênios, resultando no genocídio que dizimou 1,5 milhão de armêniis, incluindo 500 mil crianças. E em 1915, tropas otomanas invadiram Mardin, prendendo líderes religiosos e membros da comunidade cristã. Entre os detidos estavam o Arcebispo Inácio Maloyan, treze padres e aproximadamente 600 cristãos. Os prisioneiros foram forçados a marchar para um local remoto; foi oferecido a eles a chanc de salvar suas vidas caso renunciassem à fé cristã e se convertessem ao Islã. Inácio Maloyan, ao lado de seus companheiros, se recusou de forma firme a abandonar sua fé. Antes de ser executado, declarou: “Glória a Ti, Senhor! Em Tuas mãos entrego meu espírito.” No dia 3 de junho de 1915, ele foi morto junto com seus companheiros, tornando-se um mártir da fé cristã. Seu sacrifício simboliza a resistência espiritual e a fidelidade inabalável armênia diante da opressão e da violência. O mártire e santo Inácio Shoukrallah Maloyan
Zorats Karer, a stonehenge armênia

Aproximadamente 7.500 anos atrás, os antigos armênios posicionaram mais de 220 grandes pedras de basalto em um planalto elevado. Essas pedras maciças permanecem até hoje, mas seu propósito exato ainda é um mistério. Viajar até a misteriosa Reserva Histórica e Cultural do Assentamento de Zorats Karer é como voltar no tempo e te dá a oportunidade de formular sua própria teoria! Explorando os mistérios de Zorats Karer Zorats Karer significa “Pedras Majestosas”. Também conhecido como Karahunj, o antigo sítio arqueológico está localizado nas terras altas da região de Syunik, na Armênia, perto da cidade de Sisian. A área abrange sete hectares, tendo como pano de fundo as majestosas montanhas Zangezur. Por sua semelhança com o famoso Stonehenge da Inglaterra, Karahunj é frequentemente chamado de “Stonehenge Armênio”. No entanto, como Karahunj precede Stonehenge por milhares de anos, seria mais correto dizer que Stonehenge se assemelha a Karahunj! Stonehenge, na Inglaterra O local apresenta arranjos complexos de grandes pedras de basalto dispostas de diferentes formas. Algumas dessas pedras formam padrões circulares, enquanto outras estão alinhadas em fileiras. No centro da estrutura, as pedras formam dois anéis concêntricos. Os arqueólogos ainda debatem sobre o propósito exato do local. Uma das teorias mais aceitas é que a área servia como um observatório astronômico ou um calendário antigo. O alinhamento de algumas pedras com corpos celestes levou pesquisadores a acreditar que Karahunj marcava eventos astronômicos, como solstícios, equinócios e ciclos lunares. O misterioso Zorats Karer, na Armênia Mais de 80 das pedras apresentam pequenos furos perfurados em diferentes ângulos. Essas perfurações enigmáticas podem ter sido usadas para observar fenômenos celestes. O som do vento passando pelos buracos das pedras geraria um som característico, o que pode ter dado origem ao nome “Karahunj”, derivado das palavras “kar” (rocha) e “hunj” (som). Apesar da incerteza sobre a função exata desses buracos, evidências arqueológicas sugerem que eles conectavam as civilizações antigas ao cosmos, estimulando reflexões sobre seu lugar no universo. O furo em uma das pedras de Zorats Karer Nos anos 1980, a pesquisadora Elma Parsamian concluiu, após estudos astronômicos, que o local provavelmente foi utilizado para estudar as estrelas. O pesquisador Paris Herouni propôs que Karahunj funcionava como um complexo que combinava observatório, templo e universidade. Em 2001, o professor N.G. Bochkarev, presidente da Sociedade Astronômica Euro-Asiática, descobriu uma pedra em forma de periscópio em Karahunj, reforçando ainda mais a teoria de que o local era um dos observatórios mais antigos do mundo. Entretanto, o local ainda esconde muitos segredos. Alguns pesquisadores acreditam que a área também serviu como um cemitério, com algumas das pedras marcando túmulos. Além disso, certas pedras contêm gravuras de figuras misteriosas, que alguns acreditam se assemelhar a representações de seres extraterrestres. Essa hipótese levou Karahunj a ser associado a teorias sobre o contato de civilizações antigas com vida alienígena. Embora o verdadeiro propósito do sítio permaneça desconhecido, o mistério que o envolve só aumenta seu fascínio. Apesar da impossibilidade de visitar Karahunj à noite, a área ao redor oferece um céu incrivelmente estrelado devido à baixa poluição luminosa. Para os entusiastas da astronomia, levar um telescópio pode ser uma experiência única! Curiosidades adicionais sobre o local Além das teorias astronômicas, há pesquisadores que acreditam que Karahunj tinha funções espirituais ou religiosas ligadas ao culto dos ancestrais ou aos ritos solares. Devido à complexidade do local, Karahunj compartilha algumas características com outros megálitos antigos ao redor do mundo, como Nabta Playa, no Egito, e Gobekli Tepe, na Turquia, o que sugere conexões entre as antigas civilizações. Ali, também, vestígios de cerâmica e ferramentas de pedra foram encontrados, indicando que o local pode ter sido habitado ou visitado por civilizações antigas durante milhares de anos. Zorats Karer continua sendo um dos maiores enigmas da história e um destino fascinante para os amantes da arqueologia e da astronomia. Uma visita ao local é uma verdadeira viagem no tempo, proporcionando reflexões sobre o conhecimento astronômico dos povos antigos e o mistério das civilizações que nos precederam. Dicas para visitar Zorats Karer O clima em Karahunj é mais agradável entre maio e novembro, sendo que o outono é a melhor época para visitar, pois os verões na região de Syunik podem ser extremamente quentes. O local está aberto de segunda a sábado, das 10h às 18h, com entrada permitida até as 17h30. O ingresso custa 1.500 AMD para adultos, enquanto estudantes, refugiados e cidadãos armênios aposentados pagam metade do valor. Crianças com menos de 12 anos entram gratuitamente. Vale lembrar que não há banheiros no local. Zorats Karer, um lugar imperdível na Armênia
Os Petróglifos da Armênia: uma janela para o passado

Os petróglifos – ou gravuras rupestres – são uma forma de expressão visual ancestral, usada pelos antigos habitantes da humanidade para retratar e registrar eventos, crenças e aspectos do cotidiano. E como a Armênia é um dos lugares habitados mais antigos do planeta, lá não poderia ser diferente, claro. Segundo Karen Tokhatyan, pesquisador da Academia Nacional de Ciências da República da Armênia e especialista no assunto, essas gravações rupestres representam uma necessidade inerente do ser humano de documentar o que via e vivia, seja por meio de palavras ou imagens. Exemplo de petróglifos em Ukhtasar, na Armênia No passado, os petroglifos serviam como uma forma primitiva de comunicação. Muitos deles contêm símbolos especiais que descrevem fenômenos naturais, rituais e atividades humanas. Essas representações são verdadeiros tesouros históricos, pois revelam detalhes sobre o cotidiano, as tradições e a percepção espiritual dos povos antigos. Estima-se que a Armênia abriga entre 20 e 30 mil petroglifos espalhados pelo território. Petróglifos na Armênia Os petroglifos armênios remontam ao Neolítico, Eneolítico e Idade do Bronze. Harutyun Martirosyan, renomado estudioso do tema, argumenta que a arte rupestre da Armênia reflete as mudanças na percepção humana da natureza ao longo dos séculos. Com o tempo, as representações ganharam complexidade, incluindo cenas de caça e combate, em que figuras humanas assumem um papel central. Entre os locais com maior concentração dessas gravuras, destacam-se: Montes Geghama: Abrigam a maior parte dos petróglifos do país, considerados verdadeiros santuários dos caçadores-coletores da antiguidade. Montanhas Vardenis, Vayots Dzor e Syunik: Situadas próximas ao Lago Sevan, também apresentam um grande número de registros rupestres. Ukhtasar: Um dos locais mais impressionantes, com mais de 2.000 petróglifos datados entre os milênios V e II a.C. Monte Sartsali: Apesar de menos estudado, é um dos locais recentes de descoberta de petróglifos. Arte rupestre no Monte Sartsali Os petróglifos dos Montes Geghama Os petróglifos da região de Geghama retratam diversos animais, como bisões, veados, alces, cavalos selvagens, lobos, linces, leões e leopardos, muitos dos quais não existem mais na Armênia. As cenas de caça encontradas nessas gravuras fornecem informações valiosas sobre as atividades econômicas da época, como a domesticação de animais e a sobrevivência em um ambiente hostil. Martirosyan destaca uma gravura específica encontrada no Monte Pokr Paytasar, que mostra um dragão de duas cabeças com um corpo em forma de disco, simbolizando uma figura humana. Essa imagem está associada a antigas lendas e mitos armênios. Arte rupestre nos Montes Geghama Os misteriosos petróglifos de Ukhtasar Ukhtasar abriga uma vasta coleção de petroglifos que ilustram caçadores, cerimônias religiosas e fenômenos astronômicos. Algumas dessas gravuras mostram figuras humanoides com características solares e elétricas, lutando contra dragões. Segundo Martirosyan, esses registros podem estar ligados a antigas divindades do sol e do trovão. Uma das imagens mais intrigantes de Ukhtasar representa uma figura humana forte e destemida, que pisa a cabeça de um dragão. Essa representação pode simbolizar um herói mitológico triunfando sobre uma criatura demoníaca. Arte rupestre encontrada em Ukhtasar As descobertas em Sartsali Recentemente, foram encontrados vários petroglifos ao pé do Monte Sartsali. Embora sua datação ainda seja incerta, acredita-se que sejam mais recentes em comparação aos demais. Como ainda não foram amplamente estudados, os especialistas esperam que essas gravuras forneçam novas pistas sobre a evolução da arte rupestre na região. Arte rupestre encontrada em Artsali Distribuição geográfica dos petróglifos na Armênia Essas artes fascinantes estão espalhados por praticamente toda a Armênia. Entre os locais onde essas gravuras podem ser encontradas, destacam-se: Yerevan (Distrito de Avan) Região de Ararat (Floresta de Khosrov) Armavir (Metsamor, Mosteiro de Santa Shushanik) Aragatsotn (Monte Aragats, Mastara, Voskehat, entre outros) Shirak (Tirashen, Anipemza, Yererouk, etc.) Lori (Loriberd, Koghes, Neghots) Tavush (Vila Gosh) Kotayk (Zovuni, Geghard, Bjni, entre outros) Gegharkunik (Lchashen, Sevsar, Vardenis Pass) Syunik (Ukhtasar, Krahunj, Monte Navasar). Esses petróglifos são uma valiosa fonte de informações sobre a história, a cultura e as crenças dos povos antigos que habitavam a região que hoje se encontra a Armênia. Essas gravuras não só documentam a vida cotidiana dos ancestrais armênios, mas também oferecem uma visão fascinante sobre seus mitos e interações com o ambiente. Além disso, provam, de forma irrefutável, como a Armênia possui uma das regiões habitadas mais antigas do mundo. E mais: os petróglifos armênios também desempenham um papel fundamental na compreensão da evolução da linguagem visual humana. Eles mostram como os primeiros habitantes da região desenvolveram formas de comunicação simbólica muito antes da invenção da escrita formal. Algumas dessas representações podem ser interpretadas como uma linguagem pictográfica primitiva, com padrões recorrentes que sugerem uma tentativa sistemática de transmitir informações. Também, os petróglifos podem ter servido a propósitos religiosos e ritualísticos, indicando uma profunda conexão entre arte, espiritualidade e crenças astrológicas. Com o avanço das pesquisas arqueológicas e o uso de tecnologias modernas, como a datação por carbono e a fotogrametria, novas descobertas podem trazer ainda mais luz sobre o significado e a função dessas gravuras na sociedade antiga armênia. Gravura encontrada na Armênia
Curiosas expressões em armênio

A língua armênia é um idioma único e ancestral que vem sendo falado há séculos e séculos. E ao longo de sua existência, essa língua se desenvolveu e passou por diversas mudanças. Surgiram muitos dialetos, cada um com suas próprias características e peculiaridades interessantes. Naturalmente, com o tempo, assim como acontece em outros idiomas, a língua armênia incorporou expressões idiomáticas curiosas – frases peculiares que as pessoas usam no cotidiano, muitas vezes sem nem perceber. Algumas dessas expressões podem ter significados semelhantes aos de outras línguas, enquanto outras são quase impossíveis de compreender sem o conhecimento da cultura armênia. Apesar de a nossa língua portuguesa também ser muito rica, o armênio e o português acabam sendo bem diferentes entre si. Para mostrar essa diferença, vamos mostrar algumas expressões armênias curiosas, já que, recentemente, muitas ilustrações divertidas começaram a circular na internet, representando o significado literal delas – as artes foram feitas pela artista Maryush. Expressões utilizadas no dia a dia em armênio Tsavd tanem (Ցավդ տանեմ) – A tradução literal dessa frase é “Que eu leve sua dor”. Ela pode ser usada em diferentes contextos. Às vezes, expressa um amor muito forte, e, em outras, transmite empatia e solidariedade diante de uma situação difícil. Seguindo a mesma linha de expressões que demonstram grande afeto, podemos destacar outras frases, como “mernem janid” (Մեռնեմ ջանիդ), que significa literalmente “Vou morrer pelo seu corpo”, e “jigyard utem” (Ջիգյարդ ուտեմ), cuja tradução literal é “Vou comer seu fígado”. Embora essas expressões possam parecer estranhas ou até assustadoras para quem não é falante nativo, elas são usadas principalmente por pais e avós para expressar amor incondicional e o desejo de proteger seus entes queridos a qualquer custo. Ilustração representando a frase “gyard utem/vou comer seu fígado” Outra expressão curiosa é “qoranam yes” (Քոռանամ ես), que significa literalmente “Que eu fique cego”. Esse ditado é usado para demonstrar empatia e preocupação quando algo ruim acontece com alguém. Algumas dessas expressões podem ter diferentes significados dependendo do contexto. Uma das mais comuns e populares é “hors/Mors arev” (Հորս/Մորս արև), que significa “O sol do meu pai/mãe”. Essa frase é frequentemente utilizada para fazer um juramento ou promessa séria, indicando que a pessoa realmente cumprirá o que disse. Também pode ser usada em momentos de irritação ou frustração. Outra expressão interessante é “eshi akanjin qnats” (Էշի ականջին քնած), que se traduz como “dormindo na orelha do burro”. Essa frase é usada para descrever alguém que está alheio ao que acontece ao seu redor ou que não presta atenção em nada. Ilustração representando a frase “eshi akanjin qnats/dormindo na orelha do burro” Algumas outras expressões curiosas “Achkits ynknel” (Աչքից ընկնել) – essa expressão significa “cair do olho” e é usada para expressar desapontamento com alguém. Se uma pessoa faz algo que decepciona profundamente outra, pode-se dizer que ela “caiu dos olhos” dessa pessoa. Outra frase bastante peculiar é “achkd luys” (Աչքդ լույս), que significa “luz para seu olho”. Essa expressão pode ser usada como uma forma de parabenizar alguém e desejar coisas boas. É uma frase comumente dita para felicitar uma nova mãe pelo nascimento de seu bebê. No entanto, também pode ser usada com tom sarcástico, significando algo como “ah, sério?”. “Qtits trats” (Քթից թռած) – A tradução literal dessa frase é “saiu do nariz”, mas seu significado real é descrever uma pessoa que se parece muito com um parente, seja fisicamente ou em termos de personalidade. Um equivalente próximo no português seria “cara de um, focinho do outro” ou “tal pai, tal filho”. Ilustração representando a frase “qtits trats/saiu do nariz”. Como podemos perceber, a língua armênia está repleta de expressões curiosas e divertidas que podem parecer estranhas ou até assustadoras para quem não está familiarizado com elas. No entanto, ao interagir com falantes nativos, é possível compreender melhor o verdadeiro significado dessas frases e mergulhar na cultura rica e fascinante da Armênia. Se você deseja se aprofundar ainda mais no idioma armênio, aprender do zero ou conhecer mais essas expressões, não deixe de conhecer os cursos de armênio oriental e ocidental do Armenian Virtual College (AVC). Aprendendo frases assim, você entenderá que elas carregam consigo a história, a criatividade e a identidade do povo armênio. Para se inscrever no curso de armênio do AVC, basta clicar aqui.
As Rainhas Armênias: Um Legado de Poder e Diversidade

Hoje, 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Por isso, falaremos algumas mulheres que, apesar de terem vivido séculos atrás, ainda fazem parte da história armênia! A história da Armênia é repleta de figuras fascinantes, e entre elas estão as rainhas que desempenharam papéis cruciais na formação do reino e na preservação da cultura armênia. Hoje, o termo “rainha” é frequentemente associado a mulheres que alcançaram o ápice de suas carreiras, mas no passado, as rainhas armênias não eram apenas as esposas dos reis, mas figuras poderosas que ajudavam a governar e proteger seus reinos! Curiosamente, nem todas as rainhas eram armênias por nacionalidade. Das 150 rainhas, apenas 103 eram armênias; as demais vinham de diversas origens, incluindo francesas, gregas, partas, romanas, persas, georgianas e até uma da Mongólia. Essa diversidade étnica reflete a complexidade das relações políticas e culturais da época. Sosem: a primeira rainha armênia A primeira rainha armênia de que se tem registro é Sosem, esposa do rei Aram, o primeiro rei da Armênia. Pouco se sabe sobre sua vida, já que a história não preservou seu nome real. Arte que imagina como seria Sosem, a primeira rainha armênia Epige: a rainha que mudou de nome Outra rainha notável foi Epige, esposa do rei Arame, que governou entre 860 e 840 a.C. Originalmente chamada Lasma, ela era filha de um dos príncipes mais ricos de Van (hoje, território localizado na Turquia). O rei Arame, no entanto, odiava o nome do rei assírio Salamanser, seu inimigo, e as letras do nome de Lasma lembravam o nome do rival. Para evitar essa associação, o rei mudou o nome de sua esposa para Epigen, que não continha nenhuma das letras presentes no nome de Salamanser. Essa história curiosa revela como até os nomes podiam ter significados políticos profundos. Cleópatra: a rainha que traiu Quando Tigranes, o Grande casou-se pela segunda vez com Cleópatra, filha do rei Mitrídates VI do Ponto, ela tinha apenas 16 anos. No entanto, essa mulher infeliz desempenhou um papel amargo e fatídico não apenas na vida do próprio rei Tigranes, o Grande, mas também nas relações da Armênia com seus países vizinhos. Isso aconteceu em 94 a.C. O nome “Cleópatra”, em grego, significa “a glória do pai”, e a pessoa que o carregava tinha de justificar o significado dessa palavra. Assim, ao longo de sua vida, Cleópatra contribuiu para a grandeza do nome não de seu marido armênio, mas, ao contrário, para a glória de seu pai — o rei do Ponto, Mitrídates VI. A rainha Cleópatra deu à luz três filhos com Tigranes, o Grande, e todos eles, assim como sua mãe, traíram o pai e sua pátria, causando uma ferida irreparável tanto ao rei quanto ao Reino da Armênia. No final, Cleópatra deixou a Armênia e fugiu para o reino de seu pai, no Ponto. Arte que imagina como seria a traídora Cleópatra Margarita: A Última Rainha da Cilícia A última rainha armênia foi Margarita, esposa do rei Levon Lusinyan, que governou a Cilícia por apenas sete meses, entre 1374 e 1375. De origem francesa, Margarita testemunhou o fim do reino armênio da Cilícia quando os mamelucos invadiram e capturaram sua família. Após esse evento, não houve mais reis ou rainhas armênios na região. O Legado das Rainhas Armênias Além dessas figuras icônicas, muitas outras rainhas deixaram sua marca na história. Anna, por exemplo, foi uma rainha armênia que se casou com o príncipe russo Yaroslav Svyatoslavovich no século XI, dando à luz dois filhos que carregavam sangue armênio. Outra figura notável foi uma das cinco esposas de Ivan, o Terrível, que também era de origem armênia. As rainhas armênias não eram apenas esposas de reis; elas eram líderes, diplomatas e defensoras de seu povo. Suas histórias, muitas vezes envoltas em lendas e mistérios, continuam a inspirar e fascinar. A diversidade de suas origens e os papéis que desempenharam mostram como a Armênia estava conectada com o mundo ao seu redor, desde a antiguidade até os tempos medievais. A lista de 150 rainhas e seus maridos, que listaremos abaixo, é um testemunho da rica história da Armênia e do papel essencial que as mulheres desempenharam na construção e preservação de sua identidade nacional. Essas rainhas não apenas governaram ao lado de seus maridos, mas também ajudaram a moldar o destino de uma nação que, mesmo após milênios de existência, existe até hoje! Arte que imagina como seria a rainha Anna E as 150 rainhas são: Sosem – esposa de Aram Epige – esposa de Arame Arkana – esposa de Arame Araransa – esposa de Sarduri I Naira – esposa de Ishpuini Tariria – esposa de Menua Tilama – esposa de Inushpua Bagena – esposa de Argishti I Susaratu – esposa de Sarduri II Rusaina – esposa de Rusa I Hasis – esposa de Argishti I Koton – esposa de Rusa II Orash – esposa de Sarduri III Urania – esposa de Sarduri IV Patar – esposa de Argishti III Tsirane – esposa de Erimena Hutsan – esposa de Rusa III Kaputan – esposa de Rusa IV Asarhadonia – esposa de Paruyr Skayordi Tsamtsam – esposa de Hrachya Vanuhi – esposa de Yervand I Sakavakyats Zaruhi – esposa de Tigran Yervandyan Tigranuhi – esposa de Hidarnes I Yervanduni Mihrana – esposa de Hidarnes II Yervanduni Sipane – esposa de Hidarnes III Yervanduni Asatera – esposa de Artashir Yervanduni Hrodogune – esposa de Yervand II Yervanduni Tsovinar – esposa de Vahe Yervanduni Nane – esposa de Yervand III Yervanduni Areg – esposa de Vananes Yervanduhi – esposa de Yervand IV Samosia – esposa de Samos Yervanduni Hierarksia – esposa de Arsham Yervanduni Antiokia – esposa de Kserkses Yervanduni Astghik – esposa de Zareh Yervanduni Lusatikin – esposa de Arkatias Yervanduni Hutomia – esposa de Mehrudzan Yervanduni Mortch – esposa de Artanes Yervanduni Aspanuysh – esposa de Ptghomeos Yervanduni Artasa – esposa de Samos II Arshanuysh – esposa de Mihrdat Kalinikos Yervanduni Voskemayr – esposa de Antiokos I Yervanduni Hayama – esposa de Antiokos II Yervanduni Satenik – esposa de Artashes I Bari Dshkho – esposa de Artavazd I Anahit – esposa de Tigran I Hutomia – esposa de Tigran II, o Grande Cleópatra – esposa de Tigran II, o Grande Hamaspyur – esposa de Tigran II, o Grande Sosem-Zosima – esposa de Tigran II, o Grande Zahanira – esposa de Tigran, o Jovem Araksa – esposa de Artavazd II Sasa – esposa de Artashes II Janama – esposa de Artashes II Ogtava – esposa de Tigran III Erato – esposa de Tigran IV Harmonia – esposa de Artavazd III Arshakadukht – esposa de Vagharshak Anuysh – esposa de Artavazd IV Elektra – esposa de Tigran V Bagratuhi – esposa de Zenon-Artashes Shahapsdukht – esposa de Arshak I Zenobia – esposa de Hradamizd Maya – esposa de Kotis Zenobia – esposa de Hradamizd Bakuradukht – esposa de Trdat I Chermakuhi – esposa
Anora e a Celebração da Cultura Armênia no Oscar 2025

O filme Anora (2024), dirigido por Sean Baker, saiu como o grande vencedor da noite de ontem no Oscar 2025, ao vencer as categorias de Melhor FIlme, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. E mais do que um filme vencedor e um dos grandes triunfos cinematográficos dos últimos anos, Anora também tornou-se algo significativo para a cultura armênia em Hollywood e no cinema mundial, já que é o primeiro filme com diálogos em armênio a vencer o Oscar! Anora narra a história de Anora Mikheeva, uma stripper que se envolve em um relacionamento com o filho de um oligarca russo. A obra, por meio do elenco com atores de diferentes países e diálogos em diferentes idiomas (inglês, armênio e russo), reflete a rica tapeçaria cultural que compõe a narrativa. Além disso, a participação dos atores armênios Karren Karagulian e Vache Tovmasyan adiciona autenticidade à representação da cultura armênia na obra. Também, ao tê-los falando em armênio, o público passa a ter uma conexão mais profundo com os personagens. Cena de Anora, filme dirigido por Sean Baker e grande vencedor do Oscar 2025 Sean Baker e Sua Conexão com a Cultura Armênia O diretor americano Sean Baker tem demonstrado ao longo de sua carreira um interesse contínuo pela inclusão de elementos armênios em suas obras. Seu trabalho é conhecido por retratar comunidades marginalizadas e dar visibilidade a culturas pouco exploradas pelo cinema mainstream. Desde Tangerina (2015), onde Karren Karagulian já marcava presença, até Projeto Flórida (2017) e Red Rocket (2021), o cineasta tem integrado a cultura armênia em suas narrativas – de forma mais significativa, destacamos Tangerina, que possui como um dos elementos principais na obra uma família armênia imigrante. A colaboração constante com Karren Karagulian é um dos principais exemplos dessa conexão. O ator armênio tem sido uma peça-chave no universo cinematográfico de Baker, trazendo autenticidade e nuances culturais aos personagens que interpreta. Além disso, Baker frequentemente explora temas de imigração, identidade e pertencimento, tópicos que ressoam profundamente com a experiência da diáspora armênia. Vindo do cinema independente, Sean Baker conseguiu ontem um feito extraordinário e inédito, já que levou para casa quatro Oscars pelo mesmo filme. O cineasta Sean Baker com seus quatro Oscars Karren Karagulian e sua colaboração com Sean Baker Karren Karagulian, nascido na Armênia em 1969, imigrou para Nova York aos 20 anos, após servir no Exército Soviético. Foi na cidade americana que ele conheceu Sean Baker, iniciando uma parceria que se estende por décadas. Karagulian participou de todos os filmes de Baker, contribuindo não apenas como ator, mas também como produtor e roteirista em algumas produções. Em “Anora”, ele interpreta Toros, um personagem que adiciona camadas de complexidade à trama. Sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Independent Spirit Award de Melhor Ator Coadjuvante, destacando seu talento e dedicação à arte cinematográfica. Karagulian se consolidou como um dos colaboradores mais frequentes de Baker, tendo atuado em todos os seus filmes. Sua presença recorrente nas produções do cineasta reflete a confiança e o respeito mútuos, além de evidenciar o talento do ator para interpretar personagens multifacetados. Especificamente, sobre Tangerina, Karagulian diz: “ajudei a encontrar atores armênios, escrevi diálogos armênios, traduzi e escrevi legendas para o filme”. E sobre o sucesso Anora, ele destaca que sempre comunicou com Sean Baker sobre nomes de personagens e diálogos em armênio. Karren Karagulian em Anora Vache Tovmasyan: do humor armênio ao cinema internacional Vache Tovmasyan, nascido em 1986 em Yerevan, já era um renomado ator e comediante na Armênia antes de estrelar Anora. Sua carreira ganhou destaque com a criação do programa de comédia Clube da Vitamina, que foi exibido até 2015. Em Anora, Tovmasyan interpreta Garnik, um papel cômico que conquistou a todos que assistiram ao filme. O talento de Tovmasyan não se limita à atuação. Ele também é escritor e produtor, tendo trabalhado em diversos projetos de entretenimento na Armênia. Sua presença em Anora não só amplia sua carreira internacional, mas também inspira outros artistas armênios a explorarem oportunidades no cinema global. Vache Tovmasyan em Anora A relevância de Anora para a cultura armênia A representação da cultura armênia em Anora vai além de uma simplesinclusão linguística. A presença de atores armênios em papéis significativos destaca a riqueza cultural e a contribuição da diáspora armênia para as artes. Para a comunidade armênia global, o filme serve como uma plataforma de visibilidade, celebrando suas histórias no cenário cinematográfico internacional. De qualquer forma, ter diálogos em armênio, com atores armênios, abre portas para o grande público conhecer um pouco mais sobre a cultura milenar da Armênia e apreciar o talento de atores armênios, como os de Karren Karagulian e Vache Tovmasyan. Além disso, lembramos que essa não é a primeira vez que armênios do mundo todo marcam presença no Oscar; você pode ler sobre alguns armênios que já ganharam o maior prêmio do cinema clicando aqui. Karren Karagulian e Vache Tovmasyan com algumas estatuetas do Oscar na cerimônia de ontem Com seu sucesso crítico e comercial, Anora provocou discussões sobre a representação de culturas minoritárias no cinema mainstream. A inclusão de diálogos em armênio e a participação de atores de origem armênia abriram portas para debates sobre diversidade e autenticidade na narrativa cinematográfica. Um desses debates é a representação desses personagens, já que muitos acharam que eles são estereotipados e reforçam certos preconceitos em relação à imagem dos armênios nos Estados Unidos, onde o filme se passa. Porém, para outros, ao dar para uma cultura tão rica quanto a Armênia e que tão pouco é explorada no cinema mainstream, Anora representa um avanço significativo para a indústria do cinema. Seu impacto se estende além das premiações e bilheterias, influenciando futuras produções a abraçarem mais a cultura armênia em suas obras Anora não é apenas um marco no cinema por suas conquistas em premiações como o Oscar e o Festival de Cannes (considerado o mais importante do cinema), mas também por sua celebração da cultura armênia. A visão de Sean Baker e sua recorrente valorização de elementos armênios
Comunicado da UGAB sobre a perseguição política contra Ruben Vardanyan

A UGAB Global assina um apelo conjunto para encerrar a perseguição política do Azerbaijão contra o filantropo e humanitário armênio Ruben Vardanyan Para a comunidade internacional: Como principais organizações da diáspora armênia em todo o mundo e ONGs que atuam na República da Armênia, nós, signatários, estamos escrevendo para pedir que tomem medidas imediatas para encerrar a perseguição política do Azerbaijão contra Ruben Vardanyan, um filantropo armênio globalmente respeitado e nativo da Armênia. Após 18 meses de cativeiro, em condições deploráveis e acusado de cometer crimes contra o Estado azerbaijano por ter ficado ao lado dos armênios de Nagorno-Karabakh durante a guerra de 2020 e seus desdobramentos, o Sr. Vardanyan recentemente iniciou uma greve de fome. Sua intenção é destacar a necessidade urgente de intervenção internacional para evitar mais violações de seu direito humano básico a um julgamento justo, em conformidade com as leis internacionais de justiça. Durante uma breve ligação com sua família de uma prisão em Baku, em 19 de fevereiro de 2025, o Sr. Vardanyan citou as violações flagrantes do Azerbaijão ao devido processo legal e aos padrões internacionais. Ele destacou sérias violações processuais que mancharam o andamento do caso e reafirmou que sua perseguição faz parte de um esforço mais amplo para criminalizar armênios que apoiaram ou demonstraram solidariedade aos armênios de Nagorno-Karabakh (também chamado de Artsakh na língua armênia). O Sr. Vardanyan descreveu os maus-tratos sofridos durante a detenção, como foi coagido a assinar materiais falsificados do caso e negado o direito de preparar uma defesa, apenas para citar algumas das táticas do Azerbaijão para minar seus direitos humanos e tornar sua condenação uma conclusão premeditada. Lamentavelmente, o apelo anterior do Sr. Vardanyan às organizações internacionais e à mídia sobre as graves violações dos direitos humanos contra detidos armênios não foi respondido, levando a consequências ainda mais graves. Sua atual greve de fome não é apenas um protesto, mas um alerta urgente: o silêncio e a inação contínuos só piorarão a situação dos prisioneiros de guerra armênios e dos civis detidos ilegalmente pelo Azerbaijão. Pedimos veementemente que tomem uma posição firme contra o regime de Aliyev para defender a justiça, a dignidade humana e o Estado de Direito, antes que seja tarde demais. Solicitamos que exijam: • Justiça para todos os prisioneiros políticos armênios e prisioneiros de guerra detidos ilegalmente em Baku; • Uma investigação imediata e minuciosa sobre os maus-tratos sofridos por Ruben Vardanyan e as violações contínuas de seus direitos humanos a um julgamento justo; • Transparência e responsabilidade nos processos judiciais, garantindo acesso a observadores internacionais independentes e representantes legais; • Ação urgente para obrigar o Azerbaijão a cumprir suas obrigações internacionais e encerrar a perseguição politicamente motivada contra cidadãos armênios. Aguardamos uma ação decisiva no tratamento dessa questão urgente e agradeceríamos muito o relato de seus esforços e descobertas de forma oportuna. Atenciosamente, União Geral Armênia de Beneficência (UGAB_ Fundação Afeyan Fundação de Projetos Pan-Armênios “ARBANE” Iniciativa Humanitária Aurora Fundação Aznavour Fundação da Família H. Hovnanian Orran Teach For Armenia A Frente de Defesa Legal Armênia Fundação Tufenkian Nós Somos Nossas Montanhas
A Armênia nos mapas mais antigos do mundo

O povo armênio é um dos mais antigos do mundo e, com mais de 4 mil anos de história, aparece em diversos mapas, incluindo o mapa mais antigo do mundo. A Armênia, desde os tempos mais remotos, aparece em mapas e textos antigos, seja como um reino independente, seja como uma região dividida entre impérios poderosos. Mas uma coisa é certa: o nome Hayastan (Armênia, em armênio) nunca desapareceu. Esse nome está presente e ecoa desde os mapas babilônicos, dos gregos e dos romanos, até mapas mais modernos. Todos esses são, sem dúvidas, um testemunho de uma nação que resistiu ao tempo e todas as ameaças que até hoje acontecem. Conheça abaixo alguns desses mapas que mostram a riqueza da impressionante história armênia. A Tábua de Argila Babilônica: o mapa mais antigo do mundo (século VI a.C.) Imagine um pedaço de argila, criado há mais de 2.500 anos, contendo o que muitos consideram o mapa mais antigo do mundo. Essa relíquia, descoberta no século XIX no Iraque, hoje está guardada no Museu Britânico, em Londres. Ela nos transporta para o século VI a.C., quando os babilônios tentavam representar o mundo como eles o conheciam. Nesse mapa, a Armênia aparece sob o nome de Urartu, uma referência ao antigo reino de Ararat – o Reino de Urartu, ou Ararat, existiu entre os Séculos IX a.C. e VI a.C. e seu povo deu origem aos armênios. É importante destacar que, dos países mencionados na tábua, a Armênia é o único que existe até hoje; todos os outros desapareceram, engolidos pelo tempo e pelas mudanças geopolíticas. O cartógrafo Rouben Galichian explica que o mapa retrata o mundo como um círculo cercado por águas “amargas”, com sete ilhas misteriosas. No centro está a Babilônia e ao seu lado, a Armênia e a Assíria. O rio Eufrates, que nasce nas montanhas da Armênia, serpenteia pelo mapa, passando por Babilônia e chegando até o Golfo Pérsico. No verso da tábua, há descrições de criaturas fantásticas que habitariam essas ilhas distantes. É uma visão fascinante, cheia de mistério e simbolismo. O mapa mais antigo do mundo, que está exposto no Museu Britânico, em Londres Heródoto e a centralidade da Armênia (século V a.C.) Heródoto, considerado o “Pai da História”, também deixou sua marca na cartografia. Um mapa baseado em suas descrições, editado por Charles Muller e publicado no Atlas de Smith, mostra a Armênia em uma posição central entre os países da época. Esse mapa, que também pertence ao Museu Britânico, reflete a importância estratégica da Armênia no mundo antigo. Não era apenas um ponto no mapa; era um elo entre o Oriente e o Ocidente, uma terra de passagem e de conexões. Mapa com a Armênia em destaque, ao centro Eratóstenes e a ciência da geografia (séculos III-II a.C.) Eratóstenes, o sábio grego que calculou a circunferência da Terra com impressionante precisão, também contribuiu para a representação da Armênia. Um mapa reconstruído por ele foi redesenhado pelo cartógrafo alemão Karl von Spruner em 1855. Hoje, essa obra faz parte da coleção pessoal de Rouben Galichian e está no Matenadaran, o Instituto de Manuscritos Antigos da Armênia. Nele, a Armênia aparece como uma região proeminente, cercada pelos mares Negro e Cáspio. Mapa do alemão Karl von Spruner Estrabão e a geografia da Armênia (século I a.C.) Estrabão, outro gigante da geografia antiga, dedicou parte de sua obra Geographica à Armênia. Baseado nesses escritos, o cartógrafo britânico John Murray criou um mapa que destaca a localização estratégica da Armênia. Editado por Charles Muller, esse mapa nos mostra como a Armênia era vista como uma ponte entre culturas e impérios. O mundo de acordo com Estrabão Cláudio Ptolomeu: o mestre da cartografia antiga (século II d.C.) Cláudio Ptolomeu foi um dos maiores geógrafos da antiguidade. Sua obra Geografia, composta por oito volumes, inclui descrições detalhadas da Armênia. Um de seus mapas, desenhado por Martin Waldseemüller e publicado por Schott em 1513, mostra o mundo rodeado por ventos e dividido em zonas climáticas. A Grande Armênia e a Pequena Armênia estão claramente marcadas entre os mares Negro e Cáspio. Pertencente ao – já sabemos quem – Museu Britânico, esse mapa é uma verdadeira joia da cartografia antiga. Mapa de Cláudio Ptolomeu Esse não foi a única representação da Armênia por Cláudio Ptolomeu. Em outro mapa, podemos ver no centro do atlas, em branco, a Grande Armênia (Armênia Maior), que faz fronteira com a Assíria no Sul, com a Armênia Menor no oeste e com a Cólquida (Abkhazia), e ao norte com a Albânia e com a Península Ibérica (Virk) – é importante destacar que essa Península Ibérica é diferente da Península Ibérica que engloba Portugal e Espanha. Outro mapa de Claudio Ptolomeu Territórios Conquistados por Alexandre, o Grande (1595) Um mapa publicado em latim em Amsterdã, que é parte de um atlas de Abraham Ortelius, retrata as conquistas de Alexandre, o Grande, incluindo a Grande Armênia. Esse mapa, guardado Biblioteca Britânica, em Londres, mostra a extensão do império de Alexandre e a posição estratégica da Armênia em suas campanhas. Mapa de 1595 representa a Armênia Mapa da Terra Santa ou o “Paraíso Terrestre” (1657) Desenhado por Nicolaes Visscher, este mapa combina geografia real e bíblica. Mais especificamente, o mapa cobre a área entre o Mar Mediterrâneo e o Golfo Pérsico, e o proeminente Éden, localizado perto da cidade de Babel (Babilônia). O título lindamente decorado é cercado por imagens de cenas do Éden em ambos os lados. O mapa em si é incrivelmente criado; nele,você encontrará a Terra de Nod, o Jardim do Éden, a Torre de Babel e outros lugares semi-míticos. O mapa foi desenhado por Visscher como parte de uma série de cinco partes de mapas a serem incluídos na Bíblia de Abraham Van den Brock escrita em 1657. Esta é a primeira edição desta importante série de mapas que formou a base de muitos outros mapas bíblicos que apareceram no século XVIII. Mapa de Nicolaes Visscher Mapa do Paraíso Terrestre (1780) Este mapa, feito pelo inglês Emanuel Bowen, é baseado em crenças religiosas. Ele localiza
A Armênia e seus vulcões

A Armênia, apesar de atualmente ser um país relativamente pequeno, tem uma geografia impressionante e, dentre os destaques, estão diversos vulcões. E o mais impressionante: em muitos desses vulcões você pode fazer trilhas e visitá-los para ver as impressionantes vistas. Porém, nem todos os vulcões se encontram na Armênia atual, mas todos fazem parte do planalto armênio. Planalto Armênio O Planalto Armênio, muitas vezes chamado de “Teto do Mundo”, é uma maravilha geológica que há séculos fascina cientistas, pesquisadores e aventureiros. Essa região única se destaca como uma ilha montanhosa, distinta dos planaltos vizinhos da Anatólia e do Irã. Sua estrutura complexa e sua história geológica dinâmica fazem dela um ponto de interesse para o estudo de atividades vulcânicas, movimentos tectônicos e a formação de cadeias de montanhas. Imagem do Monte Aragats, o pico mais alto em território armênio A Formação do Planalto Armênio O Planalto Armênio foi moldado por intensos processos geológicos que começaram há milhões de anos. Esses processos fazem parte do chamado orogenia alpina, que deu origem a muitas das cadeias montanhosas da Europa e da Ásia. Conforme o nível do mar diminuía gradualmente, a geossinclinal (uma grande depressão na crosta terrestre) começou a se elevar, transformando-se em uma região montanhosa. Esse levantamento foi acompanhado por erupções vulcânicas dramáticas, que contribuíram para a formação de uma topografia única da área. As forças geológicas que moldaram o Planalto Armênio ainda estão ativas hoje, como evidenciado pela presença de vulcões ativos como Tondrak e Nemrut (Sarakn). Esses vulcões não são apenas maravilhas naturais, mas também janelas para o interior da Terra, oferecendo um grande conhecimento sobre a atividade tectônica contínua na região. Apesar de a Armênia ter muitos vulcões, nem todos são ativos. Para um vulcão ser classificado como “ativo”, ele deve ter entrado em erupção nos últimos 10 mil anos, liberado gases ou mostra sinais de atividade vulcânica periódica. O Planalto Armênio abriga vários desses vulcões, cada um com sua própria história e características fascinantes. Vayotssar: mito ou verdade esquecida? Um dos picos mais intrigantes do Planalto Armênio é o Vayotssar, uma montanha de 2.581 metros de altura localizada na província de Vayots Dzor, a noroeste do vilarejo Herher. Essa montanha de formato cônico, com uma cratera de aproximadamente 125 metros de profundidade, há muito é associada a atividades vulcânicas. Registros históricos sugerem que sua última erupção ocorreu em 735 d.C., acompanhada por um terremoto catastrófico. A erupção foi tão devastadora que deixou uma marca duradoura na história e no folclore da região. Segundo relatos, a erupção mergulhou a área em escuridão por quarenta dias, com terremotos sacudindo a terra como ondas em uma tempestade. A destruição foi imensa: montanhas desmoronaram, fontes de água foram soterradas e casas se transformaram em túmulos para seus habitantes. Os gritos de desespero dos sobreviventes deram origem ao nome “Vayots Dzor”, que significa “Vale das Lamentações”. No entanto, estudos geológicos modernos contestam essa narrativa. Pesquisadores não encontraram evidências de erupções vulcânicas na Armênia nos últimos milênios, levando alguns a descartar a história de Vayotssar como um mito. Apesar disso, a montanha permanece como um símbolo do passado geológico turbulento da região e um lembrete do poder da natureza. Vulcão Vayotssar Nemrut: um vulcão jovem e ativo Com 2.935 metros de altura (3.050 metros de acordo com fontes mais antigas), Nemrut é um dos vulcões ativos mais proeminentes do Planalto Armênio. Seu cume abriga uma enorme caldeira — uma depressão em forma de caldeirão formada pelo colapso de uma câmara magmática. As paredes internas da caldeira são íngremes, com profundidades de 600 a 800 metros, e sua cratera tem um diâmetro impressionante de 8 quilômetros. Nemrut é um vulcão vivo, com gases quentes, vapor e águas ricas em minerais escapando continuamente de suas encostas e cratera. No lado oeste da cratera, a uma altitude de 2.500 metros, está um belo lago de cratera com uma área de 9 quilômetros quadrados. Esse lago é um testemunho do passado vulcânico de Nemrut, já que fluxos de lava basáltica do vulcão bloquearam o fluxo de água, levando à formação do Lago Van. A última erupção registrada de Nemrut ocorreu em 1441, conforme documentado pelo cientista britânico F. Oswald durante sua participação na expedição científica armênia de H. F. Lynch em 1898. O trabalho de Oswald, incluindo seu mapa geológico do Planalto Armênio publicado em 1907, continua sendo uma referência valiosa para entender a atividade vulcânica da região. O impressionante vulcão Nemrut Tondrak: uma fornalha em pleno planalto Com 3.533 metros de altitude, Tondrak é outro vulcão ativo do Planalto Armênio. Seu nome, derivado da palavra armênia “tonir” (um forno de barro), reflete sua natureza ardente. A cratera do vulcão, com 350 metros de profundidade, é fonte de numerosas nascentes termais e emissões de gases, que são evidências da atividade geotérmica contínua do vulcão. Embora Tondrak não tenha mais gêiseres, como observado pelo geógrafo Élisée Reclus no século XIX, ele continua a liberar gases quentes e águas ricas em minerais. Registros históricos indicam que Tondrak foi altamente ativo na década de 1550, com sua última erupção ocorrendo em 1855. As encostas sul do vulcão são cortadas pelo rio Berkri e seus afluentes, enquanto o cume exibe vestígios de antigas glaciações, aumentando sua importância geológica. Vulcão Tondrak visto do espaço O legado dos vulcões Os vulcões ativos do Planalto Armênio são mais do que simples características geológicas — eles são lembretes vivos da natureza dinâmica da Terra. Dos picos imponentes de Nemrut e Tondrak ao enigmático Vayotssar, esses vulcões contam uma história de criação, destruição e renovação. Eles moldaram a paisagem, influenciaram a história da região e continuam a inspirar admiração e curiosidade. Para aventureiros e cientistas, o Planalto Armênio oferece uma oportunidade única de explorar as forças que moldaram nosso planeta. Seja escalando as encostas acidentadas de Nemrut, maravilhando-se com Tondrak ou desvendando os mistérios de Vayotssar, os visitantes dessa região certamente ficarão cativados por suas maravilhas vulcânicas. Uma coisa é certa: o Planalto Armênio é uma terra de contrastes, onde mitos antigos e ciência moderna se encontram. Seus vulcões ativos, com suas