Diana Abgar: a primeira diplomata

Diana Abgar (Anahit Aghabekyan) foi uma mulher extraordinária cuja vida e legado continuam a inspirar gerações. Nascida em 17 de outubro de 1859 em Rangum, Birmânia (atual Yangon, Mianmar), seu pai era um armênio de Nova Julfa, Irã; já sua mãe era da tradicional família Tateos Aventum de Shiraz, uma cidade também no Irã. Ela pertencia à família Aghabekyan, cujos ancestrais foram deportados de Dzhugha para a Pérsia durante o reassentamento em massa de armênios por ordem do Xá Abbas em 1604-1605. Diana era a mais nova dos sete filhos da família, que havia se mudado para o Sudeste Asiático antes de seu nascimento. O fato de ser armênia influenciou profundamente sua identidade, trabalho, visão de mundo e o caminho que ela seguiria na vida.   Diana Abgar Formação e desafios iniciais (1991 – 1994) Criada em Calcutá, Índia, Diana recebeu sua educação em uma escola de convento local, onde se tornou fluente em inglês, armênio e hindustani. Em 1889, ela se casou com o comerciante armênio – radicado em Hong Kong – Mikhael Abgar (Abgaryan), cuja família também tinha origens na Pérsia. À época do casamento, Diana tinha aspirações de se tornar escritora e mais tarde o casal se mudou para Kobe, Japão, onde estabeleceu um negócio comercial bem-sucedido. Diana e Mikhael no Japão No Japão, se tornaram figuras influentes na comunidade armênia do país. Apesar das tragédias pessoais, incluindo a perda de dois de seus cinco filhos, Diana começou sua carreira literária, publicando “Suzan”, seu primeiro romance, na terra do sol nascente. Em seus trabalhos, ela escreveu extensivamente sobre assuntos como a situação dos oprimidos, relações internacionais e as consequências do imperialismo. Abgar começou sua carreira literária no Japão, publicando seu primeiro romance “Suzan” em 1882. Ela escreveu extensivamente sobre tópicos como a situação dos oprimidos, relações internacionais e as consequências do imperialismo. Uma diplomata sem país Infelizmente, foi no Japão que Mikhael, seu marido, faleceu repentinamente, deixando Diana com dívidas (após duas falências do casal) e três filhos em uma terra estrangeira. Ela teve que sustentar sua família e estabilizar o negócio (eventualmente tornando-o um sucesso), mas ela ainda queria concentrar sua energia em outro lugar. A área que clamava por atenção era o Oriente Médio. O enfraquecido Império Otomano estava perdendo uma província após a outra, enquanto Grécia, Bulgária e Macedônia estavam recuperando sua independência. A suspeita e a hostilidade do governo otomano em relação às minorias restantes aumentaram constantemente. Os massacres armênios de 1895-96 e 1909 reuniram considerável cobertura da mídia, mas nenhum país fez nada parar mudar essa situação. Durante a Primeira Guerra Mundial, período em que o Genocídio Armênio se iniciou, o objetivo de Diana estava definido: o povo armênio, seu povo, precisava dela, e ela comprometeu sua paixão e idealismo à causa dos armênios. Ela apelou para sociedades de paz e enviou seus artigos para os principais jornais europeus e americanos, defendendo seu caso: o direito dos armênios à “segurança de vida e propriedade no solo de seu próprio país”. Ela se correspondeu com o fundador da Universidade de Stanford, David Starr Jordan, o presidente da Universidade de Columbia, Nicholas M. Butler, o secretário de Estado dos EUA, Robert Lansing, e dezenas de outros — jornalistas, missionários, políticos. Além disso, ela dava palestras sobre o povo armênio e escrevia para jornais famosos como The Japan Gazette, The Times, Le Figaro e outros. E cem anos antes do surgimento das mídias sociais, Diana criou uma extensa rede de conexões, argumentando repetidamente que se nada fosse feito para proteger os armênios, novos massacres aconteceriam. Além da morte de 1,5 milhão de armênios durante o Genocídio Armênio, centenas de milhares de sobreviventes fugiram em todas as direções, incluindo o Cáucaso. Alguns deles continuaram para o norte, para a Rússia, apenas para encontrar o país no meio da sangrenta revolução bolchevique. Os refugiados não podiam voltar, e não podiam ir para o oeste, para a Europa, por causa da Primeira Guerra Mundial; e então eles escolheram uma direção inesperada — Leste, através da infinita Sibéria, até o Oceano Pacífico. Como não havia navios para levá-los para a América da cidade portuária russa de Vladivostok, eles precisavam ir para o Japão. Devido aos apelos e garantias de Diana às autoridades japonesas, os refugiados armênios receberam asilo temporário no Japão. Diana alugou casas para abrigar os refugiados e matriculou seus filhos na escola. Ela ajudou com vistos e documentos, e se tornou a representante japonesa da Cruz Vermelha Americana de Vladivostok; ela localizou parentes de refugiados nos Estados Unidos e negociou ferozmente com as companhias de navios a vapor, que estavam lotadas além da capacidade para os meses seguintes, já que muitas embarcações tinham sido realocadas para servir aos fins da guerra. Usando seus próprios recursos para ajudar as pessoas, Diana estava agindo como uma embaixadora de fato do estado inexistente da Armênia. Seus esforços para ajudar os armênios e conscientizar o mundo dos horrores do genocídio também estavam presentes na literatura: até 1920, ela havia escrito mais de nove livros sobre Genocídio Armênio e clamando por reconhecimento e justiça internacionais. Imagem de um de seus livros sobre o Genocídio Armênio Pioneira na diplomacia Em 1918, o Império Otomano perdeu a guerra e ao mesmo tempo a Rússia estava em uma guerra civil. Isso criou um vácuo de poder no Cáucaso, permitindo que um novo país surgisse no dia 28 de maio — a Primeira República da Armênia. No início, a Armênia não foi reconhecida por nenhum estado internacional. No entanto, em 1920, por meio dos esforços de Diana Abgar, o Japão se tornou a primeira nação a reconhecer a independência da nova república. Assim, em respeito aos seus esforços, Hamo Ohanjanyan, que era então o Ministro das Relações Exteriores da República, nomeou Diana como Cônsul Honorária no Japão. Essa nomeação tornou Diana a primeira mulher diplomata armênia e uma das primeiras na história. No entanto, após a queda da Primeira República da Armênia, em 1920, seu posto foi abruptamente encerrado. Passaporte diplomático de Diana Abgar Em 1926, o Patriarca Supremo

Dia Nacional das Forças Armadas da Armênia

Hoje, 28 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional das Forças Armadas da Armênia, que comemora a formação, em 1992, daqueles que defendem a Armênia. As Forças Armadas da República da Armênia (em armênio: Հայաստանի Հանրապետության զինված ուժեր; transliterado: Hayastani Hanrapetut’yan zinvats uzher) podem ser divididas em duas formas: as forças terrestres e a força aérea – por não ter acesso ao mar, a Armênia não tem marinha. E apesar do exército atual ter sido formado apenas em 1992, ele pode ser rastreado até a fundação da Primeira República da Armênia, em 1918. Porém, hoje, apenas falaremos do exército moderno e de seus 33 anos de história.   Brasão das Forças Armadas da Armênia Formação e desafios iniciais (1991 – 1994) O Exército moderno da Armênia nasceu da necessidade no início dos anos 1990, quando o país emergiu do colapso da União Soviética e se viu diante de ameaças existenciais imediatas, principalmente em conflitos com o vizinho Azerbaijão, que clamava o território armênio de Artsakh (Nagorno-Karabakh). Sua formação e desenvolvimento estão profundamente ligados a esse conflito, que foi uma importante luta pela autodeterminação da população armênia da região e se tornou uma característica definidora da história pós-independência da Armênia. Soldado armênio durante a Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh, em 1991 Quando a Armênia declarou sua independência em 21 de setembro de 1991, o país herdou da União Soviética uma situação de segurança precária. O novo Estado não possuía um exército organizado e, além disso, suas fronteiras estavam sob ameaça do vizinho Azerbaijão, que estava envolvido em uma guerra em grande escala por Artsakh. O conflito havia começado em 1988, quando a população majoritariamente armênia de Nagorno-Karabakh, uma região autônoma dentro da República Socialista Soviética do Azerbaijão, buscou se unir à Armênia ou buscar sua independência. Porém, graças aos ataques por parte do Azerbaijão, a escalada se transformou em um conflito. Em resposta, a Armênia começou a formar seu exército nacional a partir dos remanescentes das unidades militares soviéticas estacionadas em seu território. Muitas dessas unidades estavam subequipadas e com poucos efetivos, mas serviram como base para o recém-formado Exército da Armênia.  Recém-formado Exército da Armênia, ainda em seus estágios iniciais Voluntários, incluindo veteranos da Guerra Soviética no Afeganistão, desempenharam um papel crucial nos primeiros estágios de desenvolvimento do exército. O governo também estabeleceu o Ministério da Defesa em 1992, com Vazgen Sargsyan, um proeminente líder militar, à sua frente – anos depois Sargsyan se tornou Primeiro-Ministro. Vazgen Sargsyan, o primeiro Ministro de Defesa da Armênia Como mencionado acima, o primeiro grande teste do Exército Armênio ocorreu durante a Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh (1988-1994). Lutando ao lado das forças da autoproclamada República de Artsakh (Nagorno-Karabakh), o Exército Armênio enfrentou um exército azerbaijano melhor equipado, que era apoiado por mercenários estrangeiros e recursos externos. Apesar das desvantagens, as forças armênias alcançaram vitórias significativas, como a captura de Shushi em 1992 e a defesa de Lachin, que garantiu um corredor vital conectando a Armênia a Artsakh. A guerra culminou em uma vitória decisiva da Armênia em 1994, após um cessar-fogo mediado pela Rússia. Naquele momento, as forças armênias não apenas haviam garantido o controle de Artsakh, mas também ocupado vários territórios ao redor. Essa vitória solidificou a reputação do Exército Armênio como uma força combatente capaz e determinada, mas também deixou o país em um estado de conflito prolongado com o Azerbaijão. Porém, o que importava era uma Artsakh autônoma e livre, como queria o povo armênio que lá vivia há milhares de anos. Modernização (1994 – 2020) Nos anos que se seguiram ao cessar-fogo, o Exército Armênio passou por reformas significativas e um processo de modernização. O governo priorizou os gastos com defesa, alocando uma parcela substancial do orçamento nacional para o setor militar. Esse investimento permitiu que a Armênia adquirisse novos equipamentos, melhorasse o treinamento e fortalecesse suas capacidades defensivas. Esse movimento era importante, já que o Azerbaijão continuava com suas ameaças. Por isso, durante esse período, o Exército Armênio concentrou-se em manter uma postura defensiva ao longo da Linha de Contato com o Azerbaijão, que permaneceu tensa apesar do cessar-fogo. Confrontos em menor escala na fronteira era comum, mas nunca haviam acabado. Em 2014, por exemplo, 33 armênios morreram por esses conflitos. E mesmo com as constantes ameaças e ataques do Azerbaijão, o Exército Armênio também desempenhava um papel fundamental no apoio à República de Artsakh. Exército da Armênia em 2014, em treinamento com o Exército de Artsakh Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh (1920) A relativa estabilidade do período pós-guerra foi abalada em setembro de 2020, quando o Azerbaijão lançou uma ofensiva em grande escala contra Artsakh – o Azerbaijão foi apoiado pela Turquia e tinha equipamentos modernos, todos fornecidos por Israel. O conflito, chamado de Guerra dos 44 Dias, foi um lembrete brutal dos desafios diários enfrentados pelas Forças Armadas da Armênia. Apesar da resistência feroz, as forças armênias e de Artsakh foram superadas pelo poder de fogo do Azerbaijão, que contou com extenso uso de drones e de artilharia de longo alcance. A guerra terminou em novembro de 2020 com um cessar-fogo mediado pela Rússia. Infelizmente, os armênios de Artsakh perderam importantes cidades, como Shushi. Vale lembrar que o ataque do Azerbaijão se deu no auge da pandemia da COVID-19, o que foi um duro golpe para a Armênia, já que tinha que lidar com o conflito e o vírus. Além disso, armênios de outras partes do mundo não puderam defender a Pátria Armênia, devido às restrições da pandemia. Uma das fotos mais simbólicas do conflito de 2020 Desafios pós-2020 Após o conflito e derrota de 2020, a Armênia embarcou em um programa abrangente de reformas militares. O governo reconheceu a necessidade de modernizar o exército, melhorar seu treinamento e equipamento e corrigir as deficiências expostas durante o conflito. As principais iniciativas incluíram: Aquisição de Novos Sistemas de Armas: A Armênia começou a diversificar suas fontes de equipamentos militares, adquirindo drones, mísseis antitanque e outros sistemas avançados de países como a Índia e a Rússia. Fortalecimento da Defesa Aérea:

Hovhannes Tumanyan: o Poeta Nacional da Armênia

Hovhannes Tumanyan, frequentemente chamado de poeta nacional da Armênia, é uma das figuras literárias mais reverenciadas da história armênia. Suas obras, profundamente enraizadas nas tradições, lutas e aspirações do povo armênio, transcenderam o tempo e continuam a ressoar com leitores de todas as gerações. A poesia, a prosa e o engajamento de Tumanyan refletem seu profundo amor por sua terra natal, seu compromisso com a justiça social e sua crença inabalável no poder da literatura para inspirar e unir. Este texto explora a vida de Tumanyan, suas contribuições literárias e seu legado duradouro como um símbolo da identidade e do orgulho cultural armênio.   Hovhannes Tumanyan, o poeta de todos os armênios Origens Hovhannes Tumanyan nasceu em 19 de fevereiro de 1869 na aldeia de Dsegh, na região de Lori, na Armênia, que na época fazia parte do Império Russo. Sua cidade natal desempenhou um papel significativo na formação da visão de mundo e das sensibilidades artísticas de Tumanyan. Além disso, a Armênia, de forma geral, com sua beleza natural – e combinada Acom as ricas tradições orais e o folclore de seu povo -, deixou uma marca indelével em sua imaginação criativa. Tumanyan nasceu em uma família numerosa –  ele tinha sete irmãos. Sua mãe, Sona, era uma grande contadora de histórias, o que influenciou o trabalho do grande poeta. Já seu pai, Aslan, era sacerdote. Aslan e Sona, os pais de Tumanyan   A criação religiosa de Tumanyan o expôs aos valores espirituais e morais que mais tarde permeariam suas obras. Apesar dos recursos modestos de sua família, os pais de Tumanyan reconheceram a importância da educação e garantiram que ele recebesse instrução formal. Ele frequentou a escola paroquial local em Dsegh e, mais tarde, continuou seus estudos em Tiflis (atual Tbilisi, Geórgia), um centro cultural e intelectual para os armênios durante o século XIX. Início literário e influências A jornada literária de Tumanyan começou cedo. Ele era um leitor ávido e se inspirava nos contos populares armênios, na literatura clássica e nas obras de escritores europeus e russos. As tradições orais de seu vilarejo, incluindo poemas épicos, lendas e canções, influenciaram profundamente seu estilo de escrita e suas escolhas temáticas. As primeiras obras de Tumanyan frequentemente refletiam a simplicidade e a autenticidade da vida rural, capturando a essência da cultura e das tradições armênias. Em Tiflis, Tumanyan se tornou parte de uma vibrante comunidade intelectual e literária. Ele se associou a proeminentes escritores, poetas e pensadores armênios da época, como Raffi, Ghazaros Aghayan e Avetik Isahakyan. Essas interações enriqueceram sua compreensão da literatura e fortaleceram seu compromisso em usar sua arte para abordar questões sociais e nacionais.   Poetas e pensadores armênios da época, em um grupo conhecido como Vernatun; Tumanyan é o primeira da esquerda para direita (sentado) Pelo seu talento e liderança, ele foi eleito presidente da Companhia de Escritores Armênios do Cáucaso em 1912. Principais obras A produção literária de Tumanyan é vasta e variada, abrangendo poesia, prosa, fábulas e ensaios. Suas obras são caracterizadas por sua beleza lírica, profundidade moral e apelo universal. Alguns de seus trabalhos incluem os seguintes estilos e obras: Poesia: A poesia de Tumanyan é marcada por sua intensidade emocional e profunda conexão com a experiência armênia. Poemas como “Anush”, “A Captura de Tmkaberd” e “David de Sassoun” exploram temas como amor, heroísmo e identidade nacional. Sua capacidade de tecer elementos históricos e mitológicos em seus versos tornou sua poesia atemporal e profundamente enraizada na herança armênia. Fábulas: As fábulas de Tumanyan, frequentemente inspiradas em Esopo e La Fontaine, são amadas por sua sagacidade, sabedoria e lições morais. Obras como “O Cão e o Gato” e “O Pássaro” usam personagens animais para abordar falhas humanas e questões sociais, tornando-as acessíveis a leitores de todas as idades. Prosa: Os contos e romances de Tumanyan, como “Giko” e “O Mestre e o Servo”, oferecem retratos comoventes da vida rural e das lutas das pessoas comuns. Sua prosa é notável por suas descrições vívidas, profundidade psicológica e comentários sociais. Folclore e Adaptações: Tumanyan desempenhou um papel crucial na preservação e popularização do folclore armênio. Ele coletou e recontou histórias tradicionais, garantindo que chegassem a um público mais amplo. Suas adaptações de contos épicos, como “David de Sassoun”, são consideradas obras-primas da literatura armênia. Capa da edição americana de “O Pássaro” Engajamento político Além de suas conquistas literárias e familiares (ele se casou aos 19 com Olga e teve 10 filhos), Tumanyan estava profundamente envolvido nas questões sociais e políticas de seu tempo. Ele viveu durante um período tumultuado da história armênia, marcado pelo declínio do Império Otomano, o Genocídio Armênio e a luta pela independência nacional. Tumanyan usou sua voz e influência para defender justiça, educação e preservação cultural. Durante o Genocídio Armênio, Tumanyan esteve ativamente envolvido em esforços de ajuda aos afetados, auxiliando refugiados e conscientizando sobre as atrocidades cometidas contra o povo armênio pelo Império Otomano. Seu poema “Os Massacres Armênios” é um testemunho poderoso de sua dor e indignação diante da tragédia. E antes mesmo do Genocídio Armênio ele já era ativo politicamente. Durante os massacres armênio-tártaros provocados pelo governo de 1905-1907, Tumanyan assumiu o papel de pacificador, pelo qual foi preso duas vezes pelo Império Russo. Ele também criticou profundamente um conflinto entre Amênia e Geórgia. Mas não só na esfera política ele atuou. Ele também desempenhou um papel fundamental na vida cultural e intelectual da diáspora armênia. Ele foi um dos membros fundadores do grupo literário Vernatun em Tiflis, que reuniu proeminentes escritores e intelectuais armênios. Por meio de seus escritos e discursos públicos, Tumanyan buscou promover um senso de unidade e orgulho entre os armênios, tanto na pátria quanto no exterior. Assim, ele fundou em 1921 a Casa da Arte Armênia.   No outono de 1921, Tumanyan foi a Constantinopla (atual Istambul) para encontrar apoio aos refugiados armênios. Depois de meses lá, ele voltou doente. Após uma cirurgia em 1922, ele começou a melhorar,Mas em setembro, a doença de Tumanyan começou a progredir novamente. Ele foi transferido para um hospital em Moscou, onde morreu em 23 de março

Concerto da Orquestra de Jazz Sinfônico da Armênia

 A UGAB Brasil promoveu, em parceria com a Embaixada da República da Armênia no Brasil e o Sesc São Paulo, o concerto da Armenian State Jazz Orchestra, que se apresentou no teatro do Sesc Bom Retiro, no dia 4 de dezembro. O espetáculo, que contou com casa cheia, homenageou o centenário de Charles Aznavour, um dos maiores nomes da música armênia e mundial. Durante a apresentação, a orquestra encantou o público com interpretações de clássicos que marcaram a carreira do artista, em uma noite de emoção, talento e celebração cultural. O evento também contou com a presença do embaixador da República da Armênia no Brasil, Sr. Armen Yeganian, e de representantes da comunidade armênia e do público paulistano, que prestigiaram a ocasião.

Visita do novo Presidente Mundial da UGAB Global

Depois de décadas, a UGAB Global tem um novo Presidente Mundial: Sam Simonian, que substitui Berge Setrakian.   Quem é Sam Simonian? Sam Simonian nasceu no Líbano, onde cresceu e foi bolsista da UGAB. Ainda adolescente, foi para os Estados Unidos, país que vive até hoje; lá, estudou Engenharia Elétrica na Universidade do Texas. Dentre vários negócios de sucesso, ele fundou em 1989 a Inet Technologies e em 1994 foi selecionado pela tradicional revista Inc. como o Empreedor do Ano. Anos depois, em 2000, devido a seu trabalho pelo próximo, recebeu a prestigiosa Medalha de Honra Ellis Island. Em 2011, Sam Simonian e sua esposa Sylva fundaram o TUMO – Centro para Tecnologias Criativas, que ensina, de forma única e em um sistema próprio, assuntos relacionadas à tecnologia, design e cinema, para crianças de 12 a 18 anos e que estejam matriculada na escola. O TUMO é completamente gratuito e o financiamento foi oferecido pela Fundação Educacional Simonian. Atualmente, o TUMO está presentes em diversos países, como Alemanha, Coreia do Sul, França, Portugal, Albânia, Ucrânia, entre outros, e tem como objetivo preparar a nova geração armênia e global para os desafios vindouros – o TUMO deve chegar nos próximos anos a Buenos Aires e Los Angeles. Desde outubro de 2024 é o novo Presidente Mundial da UGAB.   Berge Setrakian (à esquerda) ao lado de Sam Simonian E foi com muito orgulho que a UGAB Brasil pôde receber aqui Sam Simonian ao lado de sua importante comitiva, que tiveram uma agenda lotada de compromissos durante dois dias. Além de Sam, a comitiva incluía sua esposa Sylva e filha Sevahn; além de Lena Sarkissian, membro do Conselho Central da UGAB; Elie Alikian, membro do Conselho de Curadores da UGAB; Christina Lalama, Diretora do YP; e Greg Sarkissian, fundador do Instituto Zoryan. Visita oficial A visita se iniciou no último dia 11, quando a comitiva visitou a Igreja Apostólica Armênia São Jorge, para um encontro com Sua Excelência Bispo Nareg Berberian, Primaz da Diocese da Igreja Apostólica Armênia do Brasil.   Na foto acima, podemos ver da esquerda para direita: Stepan Hrair Chahinian; Christina Lalama; Avedis Markossian, Presidente da UGAB Brasil; Sylva Simonian; Sam Simonian; Bispo Nareg Berberian; Elie Alikian; Lena Sarkissian; Sevahn Simonian; Rafael Balukian, Vice-Presidente da UGAB Brasil; Greg Sarkissian; e Norair Chahinian, Diretor Cultural da UGAB Brasil. E no encontro, vários assuntos foram discutidos, inclusive sobre a diáspora armênia e projetos da UGAB Global pelo mundo e, claro, no Brasil. Foto durante o encontro realizado no dia 11 na Igreja Apostólica Armênia São Jorge Após o proveitoso encontro, houve pausa para o almoço, onde a comitiva pôde se encontrar com a Seleção Armênia Juvenil de Xadrez, que esteve no Brasil para competir no campeonato mundial, que foi realizado em Florianópolis – a seleção armênia esteve representada pelos jovens Arsen Davtyan, Aleks Sahakyan, Gor Askanazyan e Sona Krkyasharyan.   Sam Simonian e Elie Alikian ao lado da Seleção Armênia Juvenil de Xadrez Após o almoço, a comitiva seguiu para um encontro com o Professor Vahan Agopyan, ex-Reitor da USP (Universidade de São Paulo) e que atualmente é Secretário Estadual da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. No encontro, os principais assuntos discutidos se referem à área da tecnologia e inovação, a especialidade tanto de Sam Simonian quanto do Professor Vahan. Comitiva após reunião com o Professor Vahan Agopyan (de terno cinza, ao centro); também presente na foto está Haig Apovian (ex-Presidente da UGAB Brasil) Após tantos encontros importantes, o dia terminou em grande estilo: foi realizado um jantar especial no tradicional Terraço Itália com membros da comunidade armênia; estiveram presentes líderes religiosos, líderes de instituições armênias, empresários, entre outros importantes convidados. Na ocasião, Sam Simonian, Avedis Markossian e Armen Yeganian, Embaixador da República da Armênia no Brasil, discursaram para os presentes. Terraço Itália lotado para encontro com Sam Simonian A noite especial começou com o Presidente Avedis Markossian, que deu boas-vindas ao público e explicou a importância do evento e de Sam Simonian, o convidado principal. Avedis Markossian dá boas-vindas aos presentes Já Sam Simonian, em seu discurso, falou dos desafios da UGAB Global e da diáspora armênia, além de ter falado da importância da comunidade armênia do Brasil para a Nação Armênia Global. Sam Simonian discursa para os presentes Por fim, o discurso final foi do Embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian, que falou da importância da UGAB para a Armênia e também sobre a comunidade no Brasil. Embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian E como último encontro, a comitiva visitou a sede da UGAB Brasil; lá, vários assuntos foram discutidos, incluindo, claro, inicianativas passadas e projetos futuros da filial brasileira. Comitiva brasileira em reunião na sede da UGAB Brasil A UGAB Brasil agradece a visita de toda a comitiva e já aguarda o retorno de todos para mais proveitosas reuniões. Além disso, desejamos sorte ao novo Presidente Sam Simonian!

A Geopolítica no Cáucaso: perspectivas e desafios da Armênia

Ontem, dia 31 de julho, a UGAB Brasil realizou o evento “A Geopolítica no Cáucaso: perspectivas e desafios da Armênia”, que ocorreu no icônico MASP, em São Paulo, e que pôde reunir os jornalistas Guga Chacra (GloboNews), Betina Anton (Globo), Fernando Andrade (Rádio CBN), Filipe Figueiredo (Xadrez Verbal) e Rodrigo Craveiro (Correio Braziliense), além do Historiador Heitor Loureiro. Durante a conversa, que contou com mais de 300 espectadores, os participantes puderam conversar de forma aprofundada sobre a atual situação da Armênia e o contexto geopolítico da região que envolve o país desde décadas passadas até o momento atual. Participantes do evento A Geopolítica no Cáucaso: perspectivas e desafios da Armênia Além da conversa entre os especialistas, a noite foi de uma merecida homenagem ao Guga Chacra, que sempre defendeu e falou sobre a Armênia e os armênios na imprensa brasileira, quando mais ninguém fazia isso. Por essa ocasião, foi exibido um vídeo sobre sua brilhante carreira e um troféu especial foi entregue a ele.   Guga Chacra com seu troféu ao lado de Rafael Balukian, Presidente da UGAB Brasil O evento O debate, que contou com casa cheia, se iniciou com o mestre de cerimônias Paulo Pandjiarjian, que deu boas-vindas ao público. O mestre de cerimônias cerimônias Paulo Pandjiarjian Após as boas-vindas, ele chamou para realizar breves discursos o Presidente da UGAB Brasil, Rafael Balukian, e o Embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian. O Embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian, discursando para o público Após as boas-vindas e palavras iniciais, foi exibido no telão o primeiro vídeo da noite, que falou sobre as duas edições do curso “Armênia: política, história e sociedade”, que é realizado e idealizado pela UGAB Brasil. Para saber mais sobre a primeira edição desta iniciativa inédita, clique aqui. Ao término do  vídeo, o mestre de cerimônias chamou ao palco os participantes do debate. Guga Chacra falando sobre temas atuais da geopolítica O primeiro participante a falar foi o mediador Fernando Andrade, que fez uma abertura. Depois, cada um dos participantes falaram inicialmente – mas não só sobre isso – dos seguintes temas: Heitor Loureiro fez um contexto histórico da Armênia; Rodrigo Craveiro falou sobre Artsakh; Betina Anton falou sobre a sociedade e da participação do curso “Armênia: política, história e sociedade”; Filipe Figueiredo sobre a geopolítica da região; e por último o Guga Chacra falou sobre esses assuntos e de como as eleições dos EUA podem influenciar a Armênia e a região. Por fim, o público pôde fazer perguntas e a já citada homenagem ao Guga Chacra foi realizada (com participação especial, via vídeo, de Ariel Palacios). Sobre o evento, o Presidente da UGAB Brasil Rafael Balukian comentou: “Foi uma grande honra organizar este evento e receber jornalistas e historiadores tão talentosos. A discussão sobre a situação atual na Armênia e em Artsakh foi muito esclarecedora para o público, difundindo o conhecimento sobre a situação da Armênia para um público altamente engajado.” Rafael Balukian em seu discurso Finalizado esse evento de alto nível, que nos deixou muito orgulhosos, a UGAB Brasil gostaria de agradecer aos jornalistas e historiadores Betina Anton, Fernando Andrade, Filipe Figueiredo, Heitor Loureiro e Rodrigo Craveiro, que abrilhantaram a noite com suas participações; pela ocasião, em especial, agradecemos o homenageado Guga Chacra, por seu brilhante trabalho e constante apoio à Armênia e Artsakh. Destacamos a presença do Embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian, que fez um breve discurso durante a abertura do evento e agradecemos de forma especial ao mestre de cerimônia e amigo Paulo Pandjiarjian, por sua participação e articulação fundamentais para a realização deste evento. E, claro, agradecemos ao público que esteve presente no MASP e que enriqueceu ainda mais esta noite inesquecível. Muito obrigado! Filipe Figueiredo, Heitor Loureiro, Armen Yeganian, Guga Chacra, Rafael Balukian, Betina Anton, Fernando Andrade e Rodrigo Craveiro

Taraz: um símbolo tradicional armênio

Em uma nação onde tradição e cultura são parte essenciais da vida, o taraz – a vestimenta tradicional armênia – é um símbolo de elegância e um patrimônio passado de geração em geração. As roupas vibrantes e únicas da Armênia não só resistiram ao tempo, mas também se transformaram em um meio para a expressão artística contemporânea. Vamos investigar mais abaixo a história rica do taraz armênio. Desenho com alguns modelos de taraz A história do taraz A história do taraz armênio, ou o intricado e multifacetado traje tradicional do povo armênio, remonta a séculos e incorpora a essência da identidade armênia. Na verdade, a palavra “taraz” – que significa “maneira” ou “forma” – tem origens no idioma farsi. Como a história armênia abrange milênios, a arte do taraz evoluiu graciosamente através de fases distintas, adaptando-se naturalmente aos estilos em mudança. Cada região da Armênia Oriental e Ocidental tinha sua própria tradição distinta de taraz, que evoluiu em paralelo com o contexto histórico e regional.   Modelo de taraz O taraz não se refere a uma ou duas peças de vestuário, mas sim a uma coleção de peças, incluindo vestidos, roupas íntimas, chapéus, calçados e acessórios. No início, a maioria dos elementos do taraz eram feitos de lã, algodão e pele. Com o tempo, a seda importada da China na Rota da Seda foi usada pela realeza. As cores, o tecido e a ornamentação do Taraz foram detalhados e intencionais. De acordo com o filósofo armênio do século XIV, Grigor Tatevatsi, as cores representavam os quatro elementos da Terra. O preto representava a terra, o branco representava a água, o vermelho simbolizava o ar e o amarelo refletia o fogo. Magenta simbolizava prudência e sabedoria. O vermelho também representava bravura e martírio, e o branco frequentemente representava pureza. O amarelo raramente era usado; em vez disso, tons de ocre eram proeminentes. O azul raramente era usado, pois simbolizava luto e sofrimento. Os elementos do design também informavam ao observador fatos importantes sobre quem o usava, como estado civil, número de filhos, riqueza e região de origem. Além de sua beleza especial na celebração do casamento de quem o usava, o taraz nupcial tinha como objetivo afastar o mal. Você pode ver um vestido de noiva e acessórios lindamente preservados no Museu de História de Yerevan. Depois do casamento, as mulheres frequentemente usavam um chapéu em forma de torre, decorado com fitas ou detalhes prateados. Cobrindo metade da testa, o chapéu foi então envolto em tecido branco para mantê-lo no lugar. Em todo o mundo armênio, as mulheres sempre usavam avental. Estes variavam em estilo, alguns cobrindo apenas a saia e outros o vestido inteiro. Uma árvore da vida ou ícones domésticos eram frequentemente bordados neles. Um avental vermelho significava o status de casado de quem o usava; se as mulheres sofressem de infertilidade, trocariam frequentemente os seus aventais vermelhos por azuis. As roupas das mulheres mais ricas ostentavam bordados de fios prateados e dourados. Cintos, colares, brincos e tiaras prateados acrescentaram beleza e sofisticação ao look. Os homens frequentemente usavam calças largas e um caftã com cinto sobre uma camisa bordada. Um cinto prateado significava maturidade e um cinto dourado, riqueza. Os chapéus variavam de acordo com a região. Alguns tinham formato de cone, outros eram feitos de pele e outros ainda tinham topo plano e bordados com motivos regionais tecidos.   Taraz utilizado por um casal armênio A evolução do taraz Você pode observar vários trajes preservados de taraz em museus por toda a Armênia. Em Yerevan, visite o Museu de História da Armênia, o Museu de História de Yerevan, o Museu de Etnografia Armênia, o Museu de Artes Folclóricas e o Museu e Café de Arte Lusik Aguletsi. Em outras regiões, você pode visitar o Museu de Arquitetura Nacional e Vida Urbana em Gyumri, o Museu de Lore Local de Lori-Pambak em Vanadzor, o Museu de Lore Local e Galeria de Arte de Dilijan e o Museu de Lore Local de Goris. Artesãos e designers reconheceram a importância de celebrar a herança do taraz, garantindo que ela permaneça relevante e apreciada tanto pelos habitantes locais como pela comunidade global. Ao longo dos anos, eles encontraram maneiras de incorporar elementos tradicionais de roupas atemporais em roupas modernas. Esta fusão do antigo e do novo deu origem a uma infinidade de estilos que atendem a diferentes gostos e preferências. O bordado, parte integrante de taraz, também evoluiu, incorporando padrões modernos ao lado de motivos que carregam um profundo significado cultural. No verão, você pode desfrutar de designs históricos e contemporâneos no anual Festival Taraz, um evento que celebra todas as coisas do taraz. O evento inclui uma exposição, danças tradicionais utilizando o taraz, além de exposição de coleções de designers. Vista você mesmo o taraz Uma bela maneira de vivenciar o taraz ao máximo é experimentar você mesmo! Você terá a oportunidade de fazer isso em vários locais doa Armênia. Equipes dos estúdios fotográficos que oferecem este serviço mostrarão uma variedade de estilos do taraz de diferentes regiões e oferecerão acessórios que melhor combinem. Vestido com perfeição, você pode fazer uma sessão de fotos com seus amigos e familiares ao lado de artefatos históricos como móveis de madeira, tapetes ou armas. As fotografias serão memórias preciosas que sempre o lembrarão da sua visita à Armênia. A ideia de atacar e eliminar Talaat, o Ministro do Interior do Império Otomano que ordenou a prisão e deportação dos armênios, surgiu para Tehlirian em 1916, quando, como jovem voluntário, retornou a sua cidade natal e viu a casa de seus pais saqueada e em ruínas. Esse evento lhe causou um forte estresse mental e fez com que perdesse a consciência, tendo visões de sua mãe assassinada. Soghomon Tehlirian não conhecia Talaat pessoalmente, nunca o encontrou cara a cara e nem falava alemão. Ele contava com uma equipe profissional que já havia realizado um extenso trabalho de reconhecimento e organização em Berlim para ajudá-lo a cumprir a missão que lhe foi confiada  

Museus únicos e especiais na Armênia

A Armênia, com sua rica cultura, possui museus incríveis por todo o país, como, por exemplo, o Museu de História da Armênia, no coração de Yerevan. Porém, há muitos museus não convencionais e muitas vezes esquecidos na Armênia. Abaixo, vamos conhecer alguns deles!   Junte-se a nós enquanto examinamos mais de perto alguns dos museus mais interessantes, não convencionais e muitas vezes esquecidos de toda a Armênia! Museu das Etiquetas de Caixas de Fósforos de Tumanyan Viajando ao longo da cênica estrada entre Yerevan e Tbilisi, capital da Geórgia, você atravessará a vila de Tumanyan, uma região ideal para os amantes do ecoturismo. Além disso, é o local onde está situado o fascinante Museu das Etiquetas de Caixas de Fósforos! No passado, as etiquetas decoravam caixas de fósforos, exibindo uma variedade de arte, anúncios e mensagens de utilidade pública. Fundado em 2021, o museu agora abriga uma coleção impressionante com mais de 8.000 rótulos de diferentes partes do mundo. Explore o museu para ver se consegue encontrar alguma especial ou até mesmo do Brasil! A entrada é gratuita e o museu abre das 14h às 18h, de terça-feira a domingo, com visitas guiadas disponíveis. Para saber mais informações sobre o museu, visite a página oficial no Facebook, clicando aqui. Rótulos do Museu das Etiquetas de Caixas de Fósforos de Tumanyan Galeria de Arte Teia de Aranha Mesmo que você morra de medo de aranhas, é impossível não se encantar com a galeria de arte exclusiva feita com teias de aranha. E se você pensa que o nome deste museu é apenas para chamar atenção, é melhor pensar duas vezes, já que as obras expostas são feitas com teias de aranha reais, criadas pelo único artista no mundo a fazer isso, Andranik Avetisyan. O museu fica em Gyumri, a capital cultural da Armênia, e está aberto todos os dias, das 11h às 20h. Para saber mais informações sobre o museu, visite o perfil oficial no Instagram, clicando aqui.   Algumas das obras na Galeria de Arte Teia de Aranha Museus de Ilusões As coisas não são o que parecem no Museu das Ilusões de Gyumri. Veja você confundir o seu cérebro com um tour guiado de 30 minutos pelos truques da luz e da proporção. O museu é voltado para todas as idades, mas, com certeza, as crianças vão adorar ainda mais este museu! E uma informação importante: é melhor visitar o museu em grupo, pois você precisa de pelo menos duas pessoas para completar algumas das incríveis ilusões de ótica. O museu funciona diariamente, das 11h às 20h. Para saber mais informações sobre o museu, visite a página oficial no Facebook, clicando aqui.     Uma das ilusões presentes no Museu de Ilusões, localizado em Gyumri Museu de Ciência e Tecnologia Descubra as contribuições científicas e tecnológicas do povo armênio neste interessante museu! Nele, você poderá explorar mais de cem produtos para uso doméstico e industrial – incluindo um modelo do telescópio rádio-óptico ROT-54 – que foram inventados na Armênia ou anteriormente fabricados em fábricas locais. No momento, o museu destaca-se pela ênfase na computação. Você verá exposições que mostram os primeiros computadores de mesa e partes de mainframes, evidenciando o trabalho pioneiro do Instituto de Microeletrônica de Yerevan. Para maior conveniência dos visitantes, os materiais informativos estão disponíveis em inglês, russo e armênio. Localizado em Yerevan, no complexo do Engineering City, o museu está aberto para visitas das 11h às 18h nos dias úteis. A entrada é gratuita. ara saber mais informações sobre o museu, visite a página oficial no Facebook, clicando aqui. Grupo de crianças visitando o Museu de Ciência e Tecnologia Museu do Qamancha Um dos instrumentos tradicionais da Armênia e da Pérsia, o qamancha de cordas – também chamado de kemenche – brilha como a estrela deste museu. Localizado em Ashtarak, a cerca de 30 minutos de Yerevan, o Museu Qamacha é o único do gênero. Aqui, você pode explorar uma coleção de instrumentos e participar de uma aula especial sobre como fazê-los e tocá-los. E o melhor: a entrada no museu inclui um concerto de 30 minutos. Para mais informações, visite o site oficial do museu clicando aqui. Entrada do museu localizado em Ashtarak Museu Estadual de Escultura em Madeira Venha explorar a tradição da escultura em madeira armênia ao longo dos séculos! Aqui você pode encontrar ferramentas de madeira esculpidas, portas, móveis, instrumentos musicais e muito mais. Inaugurado em 1977 no centro de Yerevan, o museu foi criado por meio de doações de colecionadores e sua coleção foi aumentando ao longo do tempo com peças adquiridas. Os visitantes são bem-vindos das 11h às 17h todos os dias, exceto às segundas-feiras. O museu não possui site oficial, mas está localizado no seguinte endereço: 64 Abovyan. Parte da coleção do Museu Estadual de Escultura em Madeira Casa-Museu de Sergey Merkurov Natural de Gyumri e educado na Universidade de Zurique e na Academia de Arte de Munique, o ativista e escultor do século XX Sergey Merkurov criou mais de 300 máscaras mortuárias em apenas 45 anos. Essas máscaras homenageavam as características faciais exatas de uma grande variedade de figuras, incluindo artistas, escritores, políticos e líderes militares. Em 1984, a Casa-Museu Merkurov foi fundada em sua cidade natal. Os visitantes do museu podem explorar uma coleção de mais de 70 máscaras mortuárias feitas pelo próprio mestre. Para mais informações, visite o site oficial do museu clicando aqui. Parte do acervo da Casa-Museu de Sergey Merkurov Museu Ferroviário da Armênia O Museu Ferroviário da Armênia está localizado no edifício da Estação Ferroviária de Yerevan. Mergulhe na história dos trens enquanto viaja no tempo neste museu. Abrangendo desde 1896 até os dias atuais, a exposição se desenvolve em 10 painéis, cada um detalhando uma época distinta na história das ferrovias. Os visitantes podem explorar o museu de terça a sexta, das 9h às 15h. A entrada é gratuita. Para mais informações, visite o site oficial do museu clicando aqui. Museu Ferroviário da Armênia Esses são apenas alguns dos museus

Segunda edição de Armênia: política, história e sociedade

Em 2023, em uma iniciativa inédita, a UGAB Brasil organizou um curso para dar a cinco jornalistas brasileiros de alto nível e de renome um panorama abrangente do país e de sua pluralidade. E foi assim que surgiu a primeira edição do curso “Armênia: política, história e sociedade”, no qual os jornalistas Filipe Figueiredo, do Xadrez Verbal, Fernanda Simas, então no O Estado de S. Paulo, Luciane Scarazzati, então no UOL, Betina Anton, da TV Globo, e Fernando Andrade, da CBN, puderam ir a Armênia pela primeira vez entre os dias 16 e 28 de abril de 2023 e conhecer a realidade do país, a situação de Artsakh e do Corredor de Lachin, conhecer mais sobre a história armênia e se aprofundar em diversos outros temas. Mesmo sendo uma primeira edição, muito foi publicado na mídia brasileira, mostrando aos leitores muito mais sobre a Armênia e o que país tem a oferecer. Mais do que isso, os jornalistas se tornaram grandes vozes sobre a Armênia e a questão de Artsakh, já que, quando foram, ainda acontecia o desumano bloqueio do Corredor de Lachin. E com o sucesso do curso do ano passado, em 2024 uma nova edição do curso foi realizada, entre os dias 15 e 29 de abril, com diferentes veículos e jornalistas, dessa vez mesclando mídia impressa e televisa. Durante duas semanas, Elisângela Carreira e o cinegrafista Danlucio Reis, da Jovem Pan News, Fábio Menegatti e o cinegrafista Pedro Lopes, da TV Record, Filipe Figueiredo, do Xadrez Verbal – esse, mais uma vez no curso –, Ivan Finotti, da Folha de S.Paulo, e Rodrigo Craveiro, do Correio Braziliense, estiveram na Armênia com os mesmos objetivos da primeira edição, mas com um diferencial: agora, eles entendiam a situação e retratavam as consequências da expulsão dos armênios e o fim da República de Artsakh. Mesmo curso, novas questões.   Os jornalistas e cinegrafistas que participaram da segunda edição do curso na entrada da sede da UGAB Armênia E o curso oficialmente começou no dia 15 de abril, onde, no primeiro dia do programa, visitaram a sede da UGAB Armênia e encontraram o presidente Vasken Yacoubian e a diretora executiva Marina Mkhitaryan. Também, no mesmo dia, tiveram uma aula sobre a história da armênia e um encontro com membros do APRI (Applied Policy Research Institute Armenia) Armenia, que falaram da geopolítica armênia e dos seus vizinhos. No segundo dia do curso, eles visitaram o Tsitsernakaberd, o Museu do Genocídio Armênio, onde puderam entender mais a fundo sobre o genocídio que vitimou 1,5 milhão de armênios a partir de 1915. Mais do que isso, puderam se encontrar com Edita Gzoyan, diretora da instituição, que falou sobre a busca de reconhecimento do genocídio em vários países, principalmente na Turquia, país que o cometeu. Também, eles visitaram o Yerablur, o cemitério militar onde os heróis armênios de diferentes épocas estão sepultados. Parte dos jornalistas, convidados, o diretor da UGAB Norair Chahinianm, em foto com a diretora Edita Gzoyan   Já no terceiro dia do curso, eles foram para Goris, no sul da Armênia e próximo ao Azerbaijão, para entender mais sobre a limpeza étnica que os armênios de Artsakh sofreram por parte do Azerbaijão e conhecer a cidade que recebeu milhares de refugiados. E no caminho de ida, puderam conhecer o impressionante Monastério Noravank e a Caverna Areni 1, onde foram encontradas coisas únicas e importantes para a humanidade, como o sapato mais velho do mundo, a saia mais velha, a vinícola mais velha, entre outros. Além disso, também em Goris, puderam visitar a ONG Sose Women’s Issues, que ajuda diversas mulheres armênias, sendo a maioria mulheres que tiveram que fugir de Artsakh graças aos ataques do Azerbaijão. E, claro, na região, o grupo não poderia deixar lugares icônicos, como o singular Monastério de Tatev, Khndzoresk e o vilarejo de Hin Khot, considerado por muitos o “Machu Picchu da Armênia”. Grupo de jornalistas e guia em frente à Caverna Areni 1   Após um merecido dia livre, os participantes visitaram no dia 22 de abril, no sétimo dia, o Observatório de Byurakan, um dos observatórios mais importantes do mundo. Depois, puderam visitar um telescópio soviético abandonado, conheceram uma vinicóla e foram no túmulo do fundador do alfabeto armênio, São Mesrop Mashtots, em Oshakan. Também, visitaram em Verin Dvin uma comunidade assíria; os assírios são um dos povos mais antigos do mundo e são uma minoria religiosa que tem todas as suas liberdades garantidas pela Armênia.     Grupo de jornalistas na comunidade assíria de Verin Dvin No oitavo dia, um dia em que o novo e o antigo se mesclaram, eles puderam visitar o impressionante Matenadaran, o museu dos manuscritos da Armênia; nele, viram manuscritos feitos há séculos e que são de extrema importância para a Armênia e o mundo e puderam se encontrar com o vice-presidente do Museu Vahe Torosyan. Depois, foram conhecer o que há mais de moderno no país: a empresa de tecnologia PicsArt, que vale mais de 1 bilhão de dólares, e o TUMO, que oferece aulas para jovens de 12 a 18 anos em áreas como tecnologia e design – o TUMO, por seu modelo único, foi exportado para diversas cidades ao redor do mundo, como Paris, Berlim e Coimbra. E para terminar a noite, acompanharam a procissão de velas para o início da rememoração dos mártires armênios assassinados no Genocídio Armênio, que se inicia na noite do dia 23.   Parte do grupo de jornalistas em visita ao Matenadaran E no dia 24 de abril, que é o dia da lembrança em memória às vítimas do Genocídio Armênio, os jornalistas puderam compreender um pouco mais da data que rememora todas as 1,5 milhão de vítimas do Genocídio Armênio, que em 2024 completou 109 anos. Juntos,  eles marcharam ao lado de membros da UGAB Armênia até o Tsitsernakaberd, o Memorial do Genocídio Armênio, onde depositaram flores em memória das vítimas que jamais serão esquecidas.   Coroa de flores da UGAB em homenagem às 1,5 milhão de vítimas do Genocídio Armênio

O Herói Soghomon Tehlirian

Hoje, dia 21 de março, relembramos o ato de Soghomon Tehlirian, que há 103 anos assassinava Talaat Pasha, um dos mentores do Genocídio Armênio. Nascido no dia 2 de abril de 1896 na aldeia de Nerkin Bagarich, na região de Erzurum – na atual Turquia -, cresceu nas proximidades de Erzincan (Yerznga). Ele começou sua educação em uma escola evangélica em Erzincan, depois frequentou a Escola Ketronakan de Constantinopla. Como seu pai havia se mudado para a Sérvia, ele foi estudar engenharia no país e tinha como planos futuros continuar seus estudos na Alemanha. Em 1914, ano que estourou a Primeira Guerra Mundial, ele estava estava em Valjevo, Sérvia, e no outono daquele ano dirigiu-se à Rússia e juntou-se ao exército para servir numa unidade voluntária na Frente do Cáucaso contra os turcos. Soghomon Tehlirian como voluntário em 1915 Em junho de 1915, em pleno Genocídio Armênio, que havia começado em 24 de abril do mesmo ano, a polícia otomana ordenou a deportação de todos os armênios em Erzincan. A mãe de Tehlirian, três irmãs, o marido de sua irmã, seus dois irmãos e uma sobrinha de dois anos foram deportados. Mais do que isso, ele testemunhou o assassinato de sua mãe e de seu irmão, ao mesmo tempo em que viu o estupro e assassinato de suas três irmãs. Ao todo, Tehlirian perdeu 85 membros da família no Genocídio Armênio. Durante os ataques, ele foi atingido na cabeça e deixado para morrer. Ele sobreviveu e fugiu para Tbilisi, Geórgia, onde se juntou à ARF (Federação Revolucionária Armênia).   Soghomon Tehlirian em 1922 Após o fim da Primeira Guerra Mundial e a derrota otomana no conflito, o novo governo otomano, sob pressão dos Aliados, decidiu processar membros do governo dos Jovens Turcos e do comitê central do Partido União e Progresso por terem envolvido o Império Otomano na guerra, além de organizar a deportação e o massacre dos Armênios. No entanto, os principais responsáveis dos Jovens Turcos (Mehmet Talaat, Ismail Enver, Ahmed Cemal, Behaeddin Shakir, Mehmet Nazim, Osman Bedri e Hussein Azmi) conseguiram escapar da responsabilidade criminal ao embarcar em um navio de guerra alemão em 1º de novembro de 1918. No outono de 1919, durante a 9ª assembleia geral da Federação Revolucionária Armênia (ARF) em Yerevan, uma missão especial altamente secreta foi criada, sob liderança de Armen Garo, Embaixador da Armênia nos Estados Unidos. Conhecida como Hatuk Gortz – ou Operação Nemesis -, a missão tinha o objetivo de encontrar e punir os responsáveis pelos massacres armênios, especialmente os líderes dos Jovens Turcos. A ideia de atacar e eliminar Talaat, o Ministro do Interior do Império Otomano que ordenou a prisão e deportação dos armênios, surgiu para Tehlirian em 1916, quando, como jovem voluntário, retornou a sua cidade natal e viu a casa de seus pais saqueada e em ruínas. Esse evento lhe causou um forte estresse mental e fez com que perdesse a consciência, tendo visões de sua mãe assassinada. Soghomon Tehlirian não conhecia Talaat pessoalmente, nunca o encontrou cara a cara e nem falava alemão. Ele contava com uma equipe profissional que já havia realizado um extenso trabalho de reconhecimento e organização em Berlim para ajudá-lo a cumprir a missão que lhe foi confiada   O Ministro do Interior do Império Otomano, Talaat Pasha Talaat havia mudado seu nome e vivia em Berlin com sua esposa sob o nome de Ali Salih Bey; na capital alemã, residia em um luxuoso apartamento alugado de nove quartos na Rua Hardenberg. Segundo rumores, Ali Salih era um ex-comerciante falido que administrava um café oriental na cidade. O apartamento foi providenciado para eles pela embaixada turca. Talaat também mudou sua aparência, optando por usar um chapéu europeu em vez de seu fez turco característico. A busca por Talaat foi coordenada a partir de Boston, onde telegramas codificados eram regularmente enviados. Tehlirian conseguiu alugar um apartamento próximo ao de Talaat e observou-o de perto por vários dias. Vingança Finalmente, Talaat foi identificado e sua identidade foi meticulosamente confirmada para garantir que ninguém fosse ferido acidentalmente durante a operação. Sua execução ocorreu em 15 de março de 1921, um dia antes da assinatura do Tratado Antiarmênio de Moscou. A escolha da data não foi aleatória, pois coincidiu com a Conferência Russo-Turca de Moscou (26 de fevereiro a 16 de março de 1921), que resultou no Tratado de Amizade e Irmandade entre os Bolcheviques e os Kemalistas, decisivo para a questão dos territórios armênios sem a participação armênia. Naquela manhã, Soghomon Tehlirian assassinou com um único tiro Talaat Pasha, o principal arquiteto do Genocídio Armênio, na Rua Hardenberg, em plena luz do dia. Na época, apenas Tehlirian sabia que a vítima era Talaat. Após o assassinato, Tehlirian não fugiu e foi preso no local do crime e levado à delegacia local para interrogatório. Devido à sua limitada habilidade com o idioma alemão, ele solicitou que o interrogatório fosse conduzido em armênio, com a ajuda de um tradutor – ele afirmou que agiu sozinho em um ato de vingança pessoal e não teve cúmplices. O corpo de “Ali Salih” foi identificado por seu antigo amigo Behaeddin Shakir, que confirmou que a vítima era o ex-líder otomano. Taalat Pashat foi enterrado cinco dias após sua morte, já que as autoridades turcas proibiram seu enterro em sua terra natal. Na Alemanha, seus antigos aliados organizaram um funeral luxuoso para ele em Berlim, com muitas coroas de flores, visitantes turcos de diferentes países, discursos e declarações anti-armênias. Julgamento Durante o o julgamento em Berlim, que foi realizado nos dias 2 e 3 de junho de 1921, testemunharam um oficial alemão de alto escalão, Liman von Sanders, o conhecido ativista pró-armênio Johannes Lepsius e sobreviventes do Genocídio Armênio. Tehlirian foi representado por advogados proeminentes: os consultores jurídicos Adolf von Gorton e Johannes Werthauer,além do Professor de Direito da Universidade de Kiel, Dr. Kurt Niemeyer. Eles utilizaram telegramas originais para provar as ações de Talaat, nos quais o antigo Ministro do Interior do Império Otomano ordenava a deportação e