{"id":1197,"date":"2023-04-03T11:43:35","date_gmt":"2023-04-03T14:43:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/?p=1197"},"modified":"2023-05-30T12:38:17","modified_gmt":"2023-05-30T15:38:17","slug":"khachatur-abovian-e-o-armenio-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/2023\/04\/03\/khachatur-abovian-e-o-armenio-moderno\/","title":{"rendered":"Khachatur Abovian e o arm\u00eanio moderno"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de o idioma arm\u00eanio ser um idioma milenar, assim como sua literatura e seu <a href=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/2023\/04\/03\/mesrop-mashtots-e-o-alfabeto-armenio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alfabeto<\/a>, os falantes de hoje em dia falam uma vers\u00e3o fundada por um dos grandes nomes da rica hist\u00f3ria arm\u00eania: o escritor Khachatur Abovian.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Primeiros anos<\/strong><\/p>\n<p>Nascido no dia 15 de outubro de 1809 na vila de Kanaker, nos arredores de Yerevan, que \u00e0 \u00e9poca era parte do Imp\u00e9rio Persa, Abovian era filho de Avetik e Takuhi, que haviam se casado seis anos antes. Tinha um irm\u00e3o que se chamava Garabed, mas que faleceu aos tr\u00eas anos de idade.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1198 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Bashinjagyan5.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"364\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Bashinjagyan5.jpg 604w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Bashinjagyan5-300x181.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pintura de Gevorg Bashinjaghian retratando a casa em que nasceu Khachatur Abovian<\/p>\n<p>Vindo de fam\u00edlia de origem nobre, era descendente de uma das cinco fam\u00edlias que governavam a regi\u00e3o hist\u00f3ria de Artsakh [link-artsakh] e, mais do que isso, a fam\u00edlia Abovian ocupava o cargo de <em>tanuter <\/em>(senhorio heredit\u00e1rio) em Kanaker \u2013 inclusive, seu tio foi o \u00faltimo a ocupar esse cargo.<\/p>\n<p>Por sua origem nobre, desde cedo ele tinha um senso de responsabilidade para com o povo arm\u00eanio, ao mesmo tempo em que vivia em uma \u00e9poca de grande turbul\u00eancia e mudan\u00e7a na hist\u00f3ria arm\u00eania, incluindo as invas\u00f5es otomana e persa e a ocupa\u00e7\u00e3o russa da Arm\u00eania.<\/p>\n<p>Quando tinha 10 anos de idade, foi levado por seu pai para Echmiadzin para estudar para o sacerd\u00f3cio. Por\u00e9m, ele desistiu depois de cinco anos e se mudou para Tiflis, que era um grande reduto arm\u00eanio na \u00e9poca \u2013 hoje, a cidade \u00e9 conhecida como Tbilisi e \u00e9 a capital da Ge\u00f3rgia. L\u00e1, estudou estudos arm\u00eanios e l\u00ednguas na Escola Nersisian sob a orienta\u00e7\u00e3o do c\u00e9lebre autor Harutiun Alamdarian (1795-1834).<\/p>\n<p>Se formou em 1826 e havia planejado se mudar para Veneza para continuar seus estudos. No entanto, o in\u00edcio da Guerra Russo-Persa (1826-1828) mudou seus planos e nos tr\u00eas anos seguintes ele lecionou no monast\u00e9rio de Sanahin e trabalhou para o Catholicos Yeprem I (1809\u20131830) como seu escritur\u00e1rio e tradutor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mudan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>A grande mudan\u00e7a na vida de Khachatur Abovian aconteceu em setembro de 1829, quando Friedrich Parrot, professor de f\u00edsica da Universidade de Dorpat, em Liv\u00f4nia (na atual Tartu, Est\u00f4nia), viajou \u00e0 Arm\u00eania para escalar o monte Ararat.<\/p>\n<p>Parrot, que tinha como objetivo realizar estudos geol\u00f3gicos, solicitou um guia local e um tradutor para essa expedi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, que tinha aprova\u00e7\u00e3o do imperador Nicolau I do Imp\u00e9rio Russo, que agora dominava a Arm\u00eania; assim, o Catholicos designou Abovian para esse trabalho. E gra\u00e7as a ele, Parrot se tornou o primeiro explorador nos tempos modernos a alcan\u00e7ar o cume do Monte Ararat.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1199\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Mount_Ararat_and_the_Yerevan_skyline_in_spring_50mm-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Mount_Ararat_and_the_Yerevan_skyline_in_spring_50mm-300x200.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Mount_Ararat_and_the_Yerevan_skyline_in_spring_50mm-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O Monte Ararat, que Friedrich Parrot subiu em 1829; ap\u00f3s o Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, est\u00e1 localizado na atual Turquia<\/p>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<p>Para fazer esse feito, Abovian e Parrot cruzaram o rio Arax no distrito de Surmali e seguiram para a aldeia arm\u00eania de Akhuri, localizada na encosta norte do Ararat, a 1.200 metros acima do n\u00edvel do mar. E seguindo conselho de seu professor Harutiun Alamdarian, foi montado um acampamento base no Mosteiro de S\u00e3o Hakob, que fica a uma altura de 1.943 metros acima do n\u00edvel do mar \u2013 Abovian foi um dos \u00faltimos viajantes a visitar ambos os lugares antes de serem soterrados, ap\u00f3s um tr\u00e1gico terremoto em 1840.<\/p>\n<p>Todavia, a primeira tentativa de escalar a montanha falhou devido \u00e0 falta de roupas quentes. Outra tentativa foi realizada seis depois, ap\u00f3s conselho de Stepan Khojuants, o chefe de Akhuri; ; dessa vez, pelo lado noroeste. E depois de atingir uma altitude de 4.885 metros, a dupla teve que voltar pois n\u00e3o alcan\u00e7aram o cume antes do p\u00f4r do sol.<\/p>\n<p>Finalmente, eles alcan\u00e7aram o cume na terceira tentativa, no dia 9 de outubro de 1829, \u00e0s 15h15. Ao chegar l\u00e1, Abovian cavou um buraco no gelo e ergueu uma cruz de madeira voltada para o norte. Al\u00e9m disso, pegou um peda\u00e7o de gelo do cume e carregou consigo em uma garrafa, considerando a \u00e1gua como benta. Menos de um m\u00eas depois, no dia 8 de novembro, eles escalaram o Baixo Ararat.<\/p>\n<p>Khachatur Abovian voltou a escalar o Monte Ararat outras duas vezes: em 1845, com o mineralogista alem\u00e3o Otto Wilhelm Hermann von Abich, e com o ingl\u00eas Henry Danby Seymor, em 1846.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1200 aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/goerges-friedrich-parrot-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/goerges-friedrich-parrot-300x188.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/goerges-friedrich-parrot-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/goerges-friedrich-parrot-768x480.jpg 768w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/goerges-friedrich-parrot-1536x960.jpg 1536w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/goerges-friedrich-parrot.jpg 1728w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O mentor de Abovian, Friedrich Parrot<\/p>\n<p>Impressionado por seu guia e amigo, Friedrich Parrot o ajudou a entrar na Universidade de Dorpat. L\u00e1, Abovian estudou Ci\u00eancias Sociais e Naturais, Literatura e Filosofia Europeia, aprendendo ao mesmo tempo o alem\u00e3o, russo, franc\u00eas e latim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Arm\u00eania<\/strong><\/p>\n<p>Um grande admirador e amante do povo arm\u00eanio, Abovian retornou \u00e0 Arm\u00eania em 1836, preocupado com a opress\u00e3o de seu povo por pot\u00eancias estrangeiras e preocupado com a limitada cultura intelectual da sociedade arm\u00eania. Ele escreveu prolificamente, explorando quest\u00f5es contempor\u00e2neas por meio de uma variedade de estilos de escrita: romances, contos, descri\u00e7\u00f5es, pe\u00e7as de teatro, composi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e art\u00edsticas, versos e f\u00e1bulas. Al\u00e9m disso tudo, ele foi o primeiro escritor arm\u00eanio a escrever literatura infantil.<\/p>\n<p>Mais do que apenas interessado em publicar suas ideias, ele queria garantir que seu trabalho pudesse ser lido e compreendido por todos. Como resultado dessa ideia, ele comp\u00f4s obras em vern\u00e1culo coloquial, acreditando que escrever na l\u00edngua falada pelo seu p\u00fablico tornaria sua obra mais lida, mais compreendida e, portanto, mais impactante. Isso o levou a escrever o primeiro romance na hist\u00f3ria publicado em arm\u00eanio oriental: As Feridas da Arm\u00eania (Verk Hayastani, numa translitera\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>As Feridas da Arm\u00eania<\/strong><\/p>\n<p>O romance hist\u00f3rico, que foi escrito em 1841 e publicado pela primeira vez apenas em 1858, foi o primeiro romance secular arm\u00eanio dedicado ao destino do povo arm\u00eanio e sua luta pela liberta\u00e7\u00e3o no per\u00edodo da Guerra Russo-Persa, ao mesmo tempo em que aborda o sofrimento dos arm\u00eanios sob a ocupa\u00e7\u00e3o persa. Al\u00e9m disso, sua import\u00e2ncia se deve pelo fato de que Abovian o escreveu na l\u00edngua arm\u00eania moderna (o arm\u00eanio oriental), se baseando no dialeto de Yerevan em vez do arm\u00eanio cl\u00e1ssico. Assim, Khachatur Abovian inaugurava a literatura arm\u00eania moderna.<\/p>\n<p>O romance tem como conceito b\u00e1sico a afirma\u00e7\u00e3o de sentimentos de m\u00e9rito nacional, patriotismo e \u00f3dio aos opressores; todos esses temas tiveram uma profunda influ\u00eancia sobre diversas camadas da sociedade arm\u00eania da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do livro come\u00e7a com um sequestro de uma menina arm\u00eania por bandidos persas, que desencadeia uma revolta liderada pelo her\u00f3i do livro, Agassi, que personifica o esp\u00edrito nacional arm\u00eanio: um amante da liberdade e que possui vontade de lutar contra os conquistadores estrangeiros; seu lema \u00e9 \u201cd\u00ea sua vida, mas nunca desista de sua terra natal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Legado<\/strong><\/p>\n<p>Mais do que fundador do arm\u00eanio oriental e da literatura arm\u00eania moderna, Abovian foi importante tamb\u00e9m por suas poesias, suas obras cient\u00edficas e art\u00edsticas de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o e suas tradu\u00e7\u00f5es para a l\u00edngua arm\u00eania das obras de c\u00e9lebres autores como Homero, Goethe, Schiller, Karamzin, entre outros.<\/p>\n<p>Ele estava muito \u00e0 frente de seu tempo e praticamente nenhuma de suas obras foi publicada em vida. Ele desapareceu misteriosamente em 1848 e de forma tr\u00e1gica ningu\u00e9m sabe o que aconteceu com ele. Um dia, de manh\u00e3 cedo, ele saiu de casa e nunca mais voltou. Seu desaparecimento nunca foi solucionado.<\/p>\n<p>Com sua grandeza e import\u00e2ncia, Khachatur Abovian foi uma figura pioneira na literatura e cultura arm\u00eania, cuja vida e obra continuam a inspirar e influenciar gera\u00e7\u00f5es de arm\u00eanios e pessoas ao redor do mundo. Seu compromisso com a educa\u00e7\u00e3o a consci\u00eancia cultural e de seu povo ajudaram a moldar a identidade arm\u00eania moderna e lan\u00e7aram as bases para o desenvolvimento da literatura e lingu\u00edstica arm\u00eanias modernas. E apesar dos poucos anos vividos, Abovian manteve-se comprometido com seus ideais e sua vis\u00e3o de um futuro melhor para seu povo.<\/p>\n<p>E ap\u00f3s anos de ostracismo sobre sua grandeza, hoje ele \u00e9 considerado um dos grandes arm\u00eanios da hist\u00f3ria arm\u00eania. Um verdadeiro her\u00f3i nacional, seu legado \u00e9 celebrado e estudado de muitas maneiras. Por todo o pa\u00eds existem ruas, est\u00e1tuas e monumentos dedicados a ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1201\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/khachaturabovyan_63c7dd64247fd-300x240.jpeg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/khachaturabovyan_63c7dd64247fd-300x240.jpeg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/khachaturabovyan_63c7dd64247fd.jpeg 600w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Retrato de Khachatur Abovian<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de o idioma arm\u00eanio ser um idioma milenar, assim como sua literatura e seu alfabeto, os falantes de hoje em dia falam uma vers\u00e3o fundada por um dos grandes nomes da rica hist\u00f3ria arm\u00eania: o escritor Khachatur Abovian. Primeiros anos Nascido no dia 15 de outubro de 1809 na vila de Kanaker, nos arredores de Yerevan, que \u00e0 \u00e9poca era parte do Imp\u00e9rio Persa, Abovian era filho de Avetik e Takuhi, que haviam se casado seis anos antes. Tinha um irm\u00e3o que se chamava Garabed, mas que faleceu aos tr\u00eas anos de idade. Pintura de Gevorg Bashinjaghian retratando a casa em que nasceu Khachatur Abovian Vindo de fam\u00edlia de origem nobre, era descendente de uma das cinco fam\u00edlias que governavam a regi\u00e3o hist\u00f3ria de Artsakh [link-artsakh] e, mais do que isso, a fam\u00edlia Abovian ocupava o cargo de tanuter (senhorio heredit\u00e1rio) em Kanaker \u2013 inclusive, seu tio foi o \u00faltimo a ocupar esse cargo. Por sua origem nobre, desde cedo ele tinha um senso de responsabilidade para com o povo arm\u00eanio, ao mesmo tempo em que vivia em uma \u00e9poca de grande turbul\u00eancia e mudan\u00e7a na hist\u00f3ria arm\u00eania, incluindo as invas\u00f5es otomana e persa e a ocupa\u00e7\u00e3o russa da Arm\u00eania. Quando tinha 10 anos de idade, foi levado por seu pai para Echmiadzin para estudar para o sacerd\u00f3cio. Por\u00e9m, ele desistiu depois de cinco anos e se mudou para Tiflis, que era um grande reduto arm\u00eanio na \u00e9poca \u2013 hoje, a cidade \u00e9 conhecida como Tbilisi e \u00e9 a capital da Ge\u00f3rgia. L\u00e1, estudou estudos arm\u00eanios e l\u00ednguas na Escola Nersisian sob a orienta\u00e7\u00e3o do c\u00e9lebre autor Harutiun Alamdarian (1795-1834). Se formou em 1826 e havia planejado se mudar para Veneza para continuar seus estudos. No entanto, o in\u00edcio da Guerra Russo-Persa (1826-1828) mudou seus planos e nos tr\u00eas anos seguintes ele lecionou no monast\u00e9rio de Sanahin e trabalhou para o Catholicos Yeprem I (1809\u20131830) como seu escritur\u00e1rio e tradutor. &nbsp; Mudan\u00e7a A grande mudan\u00e7a na vida de Khachatur Abovian aconteceu em setembro de 1829, quando Friedrich Parrot, professor de f\u00edsica da Universidade de Dorpat, em Liv\u00f4nia (na atual Tartu, Est\u00f4nia), viajou \u00e0 Arm\u00eania para escalar o monte Ararat. Parrot, que tinha como objetivo realizar estudos geol\u00f3gicos, solicitou um guia local e um tradutor para essa expedi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, que tinha aprova\u00e7\u00e3o do imperador Nicolau I do Imp\u00e9rio Russo, que agora dominava a Arm\u00eania; assim, o Catholicos designou Abovian para esse trabalho. E gra\u00e7as a ele, Parrot se tornou o primeiro explorador nos tempos modernos a alcan\u00e7ar o cume do Monte Ararat. O Monte Ararat, que Friedrich Parrot subiu em 1829; ap\u00f3s o Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, est\u00e1 localizado na atual Turquia Para fazer esse feito, Abovian e Parrot cruzaram o rio Arax no distrito de Surmali e seguiram para a aldeia arm\u00eania de Akhuri, localizada na encosta norte do Ararat, a 1.200 metros acima do n\u00edvel do mar. E seguindo conselho de seu professor Harutiun Alamdarian, foi montado um acampamento base no Mosteiro de S\u00e3o Hakob, que fica a uma altura de 1.943 metros acima do n\u00edvel do mar \u2013 Abovian foi um dos \u00faltimos viajantes a visitar ambos os lugares antes de serem soterrados, ap\u00f3s um tr\u00e1gico terremoto em 1840. Todavia, a primeira tentativa de escalar a montanha falhou devido \u00e0 falta de roupas quentes. Outra tentativa foi realizada seis depois, ap\u00f3s conselho de Stepan Khojuants, o chefe de Akhuri; ; dessa vez, pelo lado noroeste. E depois de atingir uma altitude de 4.885 metros, a dupla teve que voltar pois n\u00e3o alcan\u00e7aram o cume antes do p\u00f4r do sol. Finalmente, eles alcan\u00e7aram o cume na terceira tentativa, no dia 9 de outubro de 1829, \u00e0s 15h15. Ao chegar l\u00e1, Abovian cavou um buraco no gelo e ergueu uma cruz de madeira voltada para o norte. Al\u00e9m disso, pegou um peda\u00e7o de gelo do cume e carregou consigo em uma garrafa, considerando a \u00e1gua como benta. Menos de um m\u00eas depois, no dia 8 de novembro, eles escalaram o Baixo Ararat. Khachatur Abovian voltou a escalar o Monte Ararat outras duas vezes: em 1845, com o mineralogista alem\u00e3o Otto Wilhelm Hermann von Abich, e com o ingl\u00eas Henry Danby Seymor, em 1846. O mentor de Abovian, Friedrich Parrot Impressionado por seu guia e amigo, Friedrich Parrot o ajudou a entrar na Universidade de Dorpat. L\u00e1, Abovian estudou Ci\u00eancias Sociais e Naturais, Literatura e Filosofia Europeia, aprendendo ao mesmo tempo o alem\u00e3o, russo, franc\u00eas e latim. Arm\u00eania Um grande admirador e amante do povo arm\u00eanio, Abovian retornou \u00e0 Arm\u00eania em 1836, preocupado com a opress\u00e3o de seu povo por pot\u00eancias estrangeiras e preocupado com a limitada cultura intelectual da sociedade arm\u00eania. Ele escreveu prolificamente, explorando quest\u00f5es contempor\u00e2neas por meio de uma variedade de estilos de escrita: romances, contos, descri\u00e7\u00f5es, pe\u00e7as de teatro, composi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e art\u00edsticas, versos e f\u00e1bulas. Al\u00e9m disso tudo, ele foi o primeiro escritor arm\u00eanio a escrever literatura infantil. Mais do que apenas interessado em publicar suas ideias, ele queria garantir que seu trabalho pudesse ser lido e compreendido por todos. Como resultado dessa ideia, ele comp\u00f4s obras em vern\u00e1culo coloquial, acreditando que escrever na l\u00edngua falada pelo seu p\u00fablico tornaria sua obra mais lida, mais compreendida e, portanto, mais impactante. Isso o levou a escrever o primeiro romance na hist\u00f3ria publicado em arm\u00eanio oriental: As Feridas da Arm\u00eania (Verk Hayastani, numa translitera\u00e7\u00e3o livre). As Feridas da Arm\u00eania O romance hist\u00f3rico, que foi escrito em 1841 e publicado pela primeira vez apenas em 1858, foi o primeiro romance secular arm\u00eanio dedicado ao destino do povo arm\u00eanio e sua luta pela liberta\u00e7\u00e3o no per\u00edodo da Guerra Russo-Persa, ao mesmo tempo em que aborda o sofrimento dos arm\u00eanios sob a ocupa\u00e7\u00e3o persa. Al\u00e9m disso, sua import\u00e2ncia se deve pelo fato de que Abovian o escreveu na l\u00edngua arm\u00eania moderna (o arm\u00eanio oriental), se baseando no dialeto de Yerevan em vez do arm\u00eanio cl\u00e1ssico. Assim, Khachatur Abovian inaugurava a literatura arm\u00eania moderna. O romance tem como conceito b\u00e1sico a afirma\u00e7\u00e3o de sentimentos de m\u00e9rito nacional, patriotismo e \u00f3dio aos opressores;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1201,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1197","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-armenia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1197"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1209,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1197\/revisions\/1209"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}