{"id":1321,"date":"2023-08-07T17:15:08","date_gmt":"2023-08-07T20:15:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/?p=1321"},"modified":"2023-11-06T17:01:51","modified_gmt":"2023-11-06T20:01:51","slug":"morre-aracy-balabanian-icone-da-cultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/2023\/08\/07\/morre-aracy-balabanian-icone-da-cultura-brasileira\/","title":{"rendered":"Morre Aracy Balabanian, \u00edcone da cultura brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Com muita tristeza, o Brasil perdeu hoje, dia 7 de agosto, uma de suas atrizes mais queridas e importantes: a arm\u00eania-brasileira Aracy Balabanian.<\/p>\n<p>Nascida em 22 de maio de 1940 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Aracy era filha de Rafael e Est\u00e9r Balabanian, casal que escapou das persegui\u00e7\u00f5es otomanas contra arm\u00eanios e que fixou resid\u00eancia em Campo Grande, sendo a \u00fanica filha que nasceu durante o casamento dos pais, que tiveram filhos em casamentos anteriores \u2013 os irm\u00e3os de Aracy s\u00e3o: Maria, Yeranui, Amenui, Arshaluz, Avediz e Armem.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1329\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-1000x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"414\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-1000x1024.jpg 1000w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-293x300.jpg 293w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-768x787.jpg 768w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy.jpg 1117w\" sizes=\"(max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aracy Balabanian na inf\u00e3ncia no Mato Grosso do Sul<\/p>\n<p>Seu pai era pastor de ovelhas na Arm\u00eania e se casou com uma mulher na d\u00e9cada de 1920; no primeiro casamento, Rafael teve cinco filhos. Por\u00e9m, a esposa dele faleceu aos 28 anos de idade e foi quando ele se casou com Est\u00e9r, m\u00e3e de Aracy, que tamb\u00e9m era arm\u00eania e vi\u00fava.<\/p>\n<p>Sobre a hist\u00f3ria de seus pais, Aracy disse: &#8220;Meus pais ficaram vi\u00favos ao mesmo tempo, e a col\u00f4nia os juntou. Um precisava do outro, e, enquanto meu pai criou os filhos da minha m\u00e3e, ela criou os dele. Mesmo tendo sido criada com tanta dor, nunca cresci com m\u00e1goa, rancor.&#8221;<\/p>\n<p>E sobre a import\u00e2ncia da heran\u00e7a arm\u00eania, em 2015, ano do centen\u00e1rio do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, ela disse \u00e0 Folha de S.Paulo: &#8220;Frequentei muito a col\u00f4nia arm\u00eania. Minha m\u00e3e me ensinava poesias em arm\u00eanio para declamar todo 24 de abril, noite da lembran\u00e7a. Eu fazia todos os outros chorarem muito ouvindo isso. Ali vi que gostava do palco\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, ela comentou: \u201cHerdei isso de ser batalhadora dos meus antepassados. Acredito que o m\u00e1ximo que fiz, da minha parte, foi dando dignidade ao meu trabalho, em 50 anos de profiss\u00e3o. Muita gente falou para o meu pai n\u00e3o me deixar atuar, ou tirar meu \u201c-ian\u201d do nome. Mas nunca deixei. Como eu viveria sem meu ind\u00edcio de armenidade? Fiz quest\u00e3o de n\u00e3o mudar, porque conhecia a garra de meus antepassados. \u2018Voc\u00eas s\u00e3o bons brasileiros, mas n\u00e3o esque\u00e7am de onde vieram\u2019, era o que meu pai me dizia. E foi assim que segui.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Carreira<\/strong><\/p>\n<p>Aracy se viu como atriz aos 12 anos de idade, j\u00e1 morando na cidade de S\u00e3o Paulo com a fam\u00edlia, ao assistir \u2013 levada pelas irm\u00e3s mais velhas \u2013 a uma pe\u00e7a de Carlo Goldoni com Maria Della Costa.<\/p>\n<p>E para seguir a carreira, ela teve que driblar a rejei\u00e7\u00e3o de seu pai Rafael, j\u00e1 que, segundo a pr\u00f3pria Aracy, essa era uma \u201c\u00e9poca em que n\u00e3o era bonito fazer televis\u00e3o, nem teatro\u201d. Mas ela venceu a rejei\u00e7\u00e3o do pai e, aos 14 anos de idade, foi convidada por Augusto Boal, ent\u00e3o diretor do Teatro de Arena, para um teste no Teatro Paulista do Estudante. L\u00e1, ela passou e seu primeiro trabalho foi a pe\u00e7a \u201cAlmanjarra\u201d, de Arthur Azevedo.<\/p>\n<p>Aos 18 anos, fez vestibular para a Escola de Arte Dram\u00e1tica de S\u00e3o Paulo e para o curso de Ci\u00eancias Sociais na USP, que era um desejo de seu pai. Aprovada em ambos, ela abandonou o \u00faltimo curso no terceiro ano para se dedicar totalmente ao teatro. E sendo j\u00e1 reverenciada pelos cr\u00edticos, ela participou de espet\u00e1culos do Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC) e integrou o elenco da primeira montagem no Brasil, em 1969, do renomado musical \u201cHair\u201d.<\/p>\n<p>A sua estreia na televis\u00e3o foi na pe\u00e7a \u201cAnt\u00edgona\u201d, de S\u00f3focles, montada pela TV Tupi. E mesmo ap\u00f3s j\u00e1 estar estabelecida na carreira, seu pai s\u00f3 aceitou de vez a op\u00e7\u00e3o profissional da filha em 1968, quando ela contracenou com o ator S\u00e9rgio Cardoso na telenovela \u201cAnt\u00f4nio Maria\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1322 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-na-sua-estreia-na-TV.jpg\" alt=\"\" width=\"362\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-na-sua-estreia-na-TV.jpg 362w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-na-sua-estreia-na-TV-300x300.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-na-sua-estreia-na-TV-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 362px) 100vw, 362px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aracy Balabanian (\u00e0 esquerda) em &#8220;Ant\u00f4nio Maria&#8221;, da TV Tupi<\/p>\n<p>Dentre seus diversos trabalhos em 60 anos de carreira, certamente, um dos mais marcantes foi a ic\u00f4nica Dona Arm\u00eania em \u201cRainha da Sucata\u201d, novela de 1990 escrita por Silvio de Abreu. Na novela, ela era uma m\u00e3e controladora de tr\u00eas filhos e, para dar vida \u00e0 personagem, ela pegou emprestado o sotaque e alguns costumes arm\u00eanios da fam\u00edlia \u2013 o personagem fez tanto sucesso que voltou em \u201cDeus nos Acuda\u201d, de 1992.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1323 \" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-como-Dona-Armenia.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-como-Dona-Armenia.png 900w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-como-Dona-Armenia-300x169.png 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-como-Dona-Armenia-768x432.png 768w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aracy Balabanian como a ic\u00f4nida Dona Arm\u00eania em &#8220;Rainha da Sucata&#8221;<\/p>\n<p>Em 1995, ela interpretou a manipuladora Filomena em \u201cA Pr\u00f3xima V\u00edtima\u201d, novela tamb\u00e9m escrita por Silvio de Abreu. Por esse papel, ela recebeu o pr\u00eamio de Melhor Atriz da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1324  aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-A-Proxima-Vitima-1024x719.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-A-Proxima-Vitima-1024x719.jpg 1024w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-A-Proxima-Vitima-300x211.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-A-Proxima-Vitima-768x540.jpg 768w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-A-Proxima-Vitima.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aracy Balabanian como a ic\u00f4nida Dona Arm\u00eania em &#8220;A Pr\u00f3xima V\u00edtima&#8221;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esses sucessos mencionados acima, a consagra\u00e7\u00e3o veio com Cassandra, personagem da sitcom \u201cSai de Baixo\u201d, de 1996, que fez muito sucesso no Brasil e Portugal. Na sitcom, que era exibida aos domingos \u00e0 noite e que era gravada em um teatro com plateia ao mesmo tempo que incorporava risos e improvisos do elenco, Aracy interpretava uma socialite decadente. Sobre o programa, que teve mais de 240 epis\u00f3dios, ela disse: \u201cEu me vi fazendo uma coisa que \u00e9 o sonho de todo ator: teatro e televis\u00e3o, ao mesmo tempo\u201c.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1325  aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-Sai-de-Baixo.jpg\" alt=\"\" width=\"666\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-Sai-de-Baixo.jpg 1008w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-Sai-de-Baixo-300x200.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-em-Sai-de-Baixo-768x513.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aracy Balabanian ao lado de Luiz Gustavo, Miguel Falabella, Marisa Orth e M\u00e1rcia Cabrita, elenco da sitcom &#8220;Sai de Baixo&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Arm\u00eania<\/strong><\/p>\n<div id=\"chunk-5904s\">\n<div class=\"row medium-uncollapsed content-media content-photo\" data-block-type=\"backstage-photo\" data-block-id=\"19\">\n<div class=\"column medium-22 large-20 medium-centered   content-media__container\">\n<p class=\"content-media__description  \">Mesmo com tanto sucesso e reconhecimento, nunca esqueceu suas ra\u00edzes arm\u00eanias. Aracy jamais abriu m\u00e3o da mem\u00f3ria do que seus pais e colegas de di\u00e1spora contavam sobre o per\u00edodo sombrio da hist\u00f3ria otomana e, por isso, ela sempre foi uma das vozes que mais lutou no Brasil pelo reconhecimento do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio e, mais do que isso, sempre carregou com orgulho o seu sobrenome arm\u00eanio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Simpatizante, associada e colaboradora da UGAB, esteve presente em diversos eventos da nossa institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1328 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Regina-Bazarian-e-Aracy-Balabanian.jpeg\" alt=\"\" width=\"411\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Regina-Bazarian-e-Aracy-Balabanian.jpeg 411w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Regina-Bazarian-e-Aracy-Balabanian-300x300.jpeg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Regina-Bazarian-e-Aracy-Balabanian-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Regina Bazarian, ex-Presidente da UGAB Brasil, e Aracy Balabanian em 2000, quando a atriz foi homenageada pela UGAB Brasil<\/p>\n<p>E neste dia t\u00e3o triste para a cultura brasileira e arm\u00eania, a UGAB Brasil deseja os nossos mais sinceros sentimentos aos familiares de Aracy Balabanian.<\/p>\n<p>Sentiremos sua falta! Azvadz Hokin Lusavore.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1326 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian.jpg 675w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Aracy-Balabanian-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aracy Balabanian, \u00edcone da cultura brasileira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com muita tristeza, o Brasil perdeu hoje, dia 7 de agosto, uma de suas atrizes mais queridas e importantes: a arm\u00eania-brasileira Aracy Balabanian. Nascida em 22 de maio de 1940 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Aracy era filha de Rafael e Est\u00e9r Balabanian, casal que escapou das persegui\u00e7\u00f5es otomanas contra arm\u00eanios e que fixou resid\u00eancia em Campo Grande, sendo a \u00fanica filha que nasceu durante o casamento dos pais, que tiveram filhos em casamentos anteriores \u2013 os irm\u00e3os de Aracy s\u00e3o: Maria, Yeranui, Amenui, Arshaluz, Avediz e Armem. Aracy Balabanian na inf\u00e3ncia no Mato Grosso do Sul Seu pai era pastor de ovelhas na Arm\u00eania e se casou com uma mulher na d\u00e9cada de 1920; no primeiro casamento, Rafael teve cinco filhos. Por\u00e9m, a esposa dele faleceu aos 28 anos de idade e foi quando ele se casou com Est\u00e9r, m\u00e3e de Aracy, que tamb\u00e9m era arm\u00eania e vi\u00fava. Sobre a hist\u00f3ria de seus pais, Aracy disse: &#8220;Meus pais ficaram vi\u00favos ao mesmo tempo, e a col\u00f4nia os juntou. Um precisava do outro, e, enquanto meu pai criou os filhos da minha m\u00e3e, ela criou os dele. Mesmo tendo sido criada com tanta dor, nunca cresci com m\u00e1goa, rancor.&#8221; E sobre a import\u00e2ncia da heran\u00e7a arm\u00eania, em 2015, ano do centen\u00e1rio do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, ela disse \u00e0 Folha de S.Paulo: &#8220;Frequentei muito a col\u00f4nia arm\u00eania. Minha m\u00e3e me ensinava poesias em arm\u00eanio para declamar todo 24 de abril, noite da lembran\u00e7a. Eu fazia todos os outros chorarem muito ouvindo isso. Ali vi que gostava do palco\u201d. Tamb\u00e9m, ela comentou: \u201cHerdei isso de ser batalhadora dos meus antepassados. Acredito que o m\u00e1ximo que fiz, da minha parte, foi dando dignidade ao meu trabalho, em 50 anos de profiss\u00e3o. Muita gente falou para o meu pai n\u00e3o me deixar atuar, ou tirar meu \u201c-ian\u201d do nome. Mas nunca deixei. Como eu viveria sem meu ind\u00edcio de armenidade? Fiz quest\u00e3o de n\u00e3o mudar, porque conhecia a garra de meus antepassados. \u2018Voc\u00eas s\u00e3o bons brasileiros, mas n\u00e3o esque\u00e7am de onde vieram\u2019, era o que meu pai me dizia. E foi assim que segui.\u201d Carreira Aracy se viu como atriz aos 12 anos de idade, j\u00e1 morando na cidade de S\u00e3o Paulo com a fam\u00edlia, ao assistir \u2013 levada pelas irm\u00e3s mais velhas \u2013 a uma pe\u00e7a de Carlo Goldoni com Maria Della Costa. E para seguir a carreira, ela teve que driblar a rejei\u00e7\u00e3o de seu pai Rafael, j\u00e1 que, segundo a pr\u00f3pria Aracy, essa era uma \u201c\u00e9poca em que n\u00e3o era bonito fazer televis\u00e3o, nem teatro\u201d. Mas ela venceu a rejei\u00e7\u00e3o do pai e, aos 14 anos de idade, foi convidada por Augusto Boal, ent\u00e3o diretor do Teatro de Arena, para um teste no Teatro Paulista do Estudante. L\u00e1, ela passou e seu primeiro trabalho foi a pe\u00e7a \u201cAlmanjarra\u201d, de Arthur Azevedo. 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Aracy Balabanian como a ic\u00f4nida Dona Arm\u00eania em &#8220;A Pr\u00f3xima V\u00edtima&#8221; Ap\u00f3s esses sucessos mencionados acima, a consagra\u00e7\u00e3o veio com Cassandra, personagem da sitcom \u201cSai de Baixo\u201d, de 1996, que fez muito sucesso no Brasil e Portugal. Na sitcom, que era exibida aos domingos \u00e0 noite e que era gravada em um teatro com plateia ao mesmo tempo que incorporava risos e improvisos do elenco, Aracy interpretava uma socialite decadente. Sobre o programa, que teve mais de 240 epis\u00f3dios, ela disse: \u201cEu me vi fazendo uma coisa que \u00e9 o sonho de todo ator: teatro e televis\u00e3o, ao mesmo tempo\u201c. Aracy Balabanian ao lado de Luiz Gustavo, Miguel Falabella, Marisa Orth e M\u00e1rcia Cabrita, elenco da sitcom &#8220;Sai de Baixo&#8221; Arm\u00eania Mesmo com tanto sucesso e reconhecimento, nunca esqueceu suas ra\u00edzes arm\u00eanias. Aracy jamais abriu m\u00e3o da mem\u00f3ria do que seus pais e colegas de di\u00e1spora contavam sobre o per\u00edodo sombrio da hist\u00f3ria otomana e, por isso, ela sempre foi uma das vozes que mais lutou no Brasil pelo reconhecimento do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio e, mais do que isso, sempre carregou com orgulho o seu sobrenome arm\u00eanio. Simpatizante, associada e colaboradora da UGAB, esteve presente em diversos eventos da nossa institui\u00e7\u00e3o. Regina Bazarian, ex-Presidente da UGAB Brasil, e Aracy Balabanian em 2000, quando a atriz foi homenageada pela UGAB Brasil E neste dia t\u00e3o triste para a cultura brasileira e arm\u00eania, a UGAB Brasil deseja os nossos mais sinceros sentimentos aos familiares de Aracy Balabanian. Sentiremos sua falta! 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