{"id":1332,"date":"2024-01-19T10:00:00","date_gmt":"2024-01-19T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/?p=1332"},"modified":"2024-01-31T01:17:11","modified_gmt":"2024-01-31T04:17:11","slug":"o-legado-de-hrant-dink","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/2024\/01\/19\/o-legado-de-hrant-dink\/","title":{"rendered":"O Legado de Hrant Dink"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, dia 19 de janeiro, o mundo arm\u00eanio completa 17 anos sem a voz e o trabalho do lend\u00e1rio jornalista e colunista arm\u00eanio Hrant Dink, que foi assassinado em 2007 em Istambul, em frente ao Agos, o jornal do qual era editor-chefe.<\/p>\n<p>Eternamente lembrado por suas ideias, vontade e empatia, al\u00e9m do seu corajoso e necess\u00e1rio trabalho e defesa dos direitos humanos, Hrant \u00e9 um modelo para jornalistas de todo o mundo.<\/p>\n<p>Mas antes de conhecer seu trabalho, \u00e9 importante conhecer um pouco de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Vida<\/strong><\/p>\n<p>Hrant Dink nasceu em Malatya, Turquia, uma cidade historicamente arm\u00eania, em 15 de setembro de 1954. Filho mais velho de Sarkis Dink e G\u00fclvart Dink, se mudou com sua fam\u00edlia para Istambul quando tinha cinco anos de idade.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s a mudan\u00e7a, seus pais se separaram e Dink e seus irm\u00e3os Hosrop e Yervant ficaram sem lugar para morar. A Av\u00f3 de Dink, ent\u00e3o, matriculou os meninos no Orfanato Arm\u00eanio Gedikpa\u015fa, que \u00e9 ligado \u00e0 Igreja Protestante Arm\u00eania Gedikpa\u015fa \u2013 esse foi o lar de Hrant Dink e irm\u00e3os pelos pr\u00f3ximos dez anos; l\u00e1, ele foi adotado pelo Patriarca Shorkh Galstyan.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1333 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant.jpg 400w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant-290x300.jpg 290w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Hrant Dink (centro) com seus irm\u00e3os Hosrop e Yervant<\/p>\n<p>Juntos, eles frequentaram a escola Incirdibi, no inverno, e no ver\u00e3o viviam no Acampamento Infantil Arm\u00eanio de Tuzla \u2013 e foi no acampamento que em 1968 Hrant Dink conheceu sua futura esposa, Rakel Ya\u011fbasan, nascida em 1959, que foi criada no Orfanato Arm\u00eanio de Tuzla.<\/p>\n<p>Depois, Hrant se formou na escola secund\u00e1ria de Bezciyan e estudou no internato Surp Hac Tibrevank, tendo estudado parte do ensino m\u00e9dio na Escola Secund\u00e1ria Arm\u00eania \u00dcsk\u00fcdar Surp Ha\u00e7, onde trabalhava como tutor ao mesmo tempo, e por fim, ap\u00f3s ser expulso, na Escola Secund\u00e1ria \u015ei\u015fli.<\/p>\n<p>Na Universidade de Istambul, estudou Zoologia e matriculou-se para um segundo bacharelado, em Filosofia, que n\u00e3o concluiu.<\/p>\n<p>Depois de se formar na universidade, ele completou o servi\u00e7o militar em Denizli. E n\u00e3o ter sido promovido a sargento, apesar de ter obtido a nota m\u00e1xima no exame, o fez chorar; e gra\u00e7as a esse epis\u00f3dio de discrimina\u00e7\u00e3o, que talvez tenha acontecido por ele ser arm\u00eanio, o fez trilhar o caminho do ativismo.<\/p>\n<p>Casou-se com Rakel e juntos tiveram tr\u00eas filhos. E nesse per\u00edodo, ele e a esposa assumiram a administra\u00e7\u00e3o do Acampamento Infantil de Tuzla, onde eles pr\u00f3prios cresceram e come\u00e7aram a cuidar de in\u00fameras crian\u00e7as arm\u00eanias. O campo passou por momentos dif\u00edceis sob a acusa\u00e7\u00e3o de ali criar militantes arm\u00eanios e foi finalmente confiscado pelo Estado em 1983. Ap\u00f3s o encerramento do campo, Dink foi detido e preso tr\u00eas vezes devido \u00e0s suas opini\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Sobre o campo, ele comentou:<\/p>\n<p>&#8220;Fui para Tuzla quando tinha 8 anos. Trabalhei l\u00e1 durante 20 anos. Conheci minha esposa Rakel l\u00e1. Crescemos juntos. Nos casamos no campo. Nossos filhos nasceram l\u00e1&#8230; Depois do golpe militar de 12 de setembro, nosso gerente do campo foi preso sob a alega\u00e7\u00e3o de que estava criando militantes arm\u00eanios. Uma afirma\u00e7\u00e3o injusta. Nenhum de n\u00f3s foi criado para ser um militante. Meus amigos e eu, cada um de n\u00f3s, antigos alunos do campo, corremos para preencher o trabalho para salvar o acampamento e o orfanato do fechamento. Mas ent\u00e3o, um dia, eles nos entregaram um documento de um tribunal&#8230; &#8216;Acabamos de descobrir que suas institui\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias n\u00e3o t\u00eam o direito de comprar im\u00f3veis. Nunca deveria ter lhe dado essa permiss\u00e3o naquela \u00e9poca. Este lugar agora retornar\u00e1 ao seu antigo propriet\u00e1rio.&#8217; Lutamos por cinco anos e perdemos&#8230; Poucas chances tivemos com o estado como concorrente.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1334 \" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Rakel-e-Hrant.jpg\" alt=\"\" width=\"467\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Rakel-e-Hrant.jpg 517w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Rakel-e-Hrant-284x300.jpg 284w\" sizes=\"(max-width: 467px) 100vw, 467px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Rakel e Hrant &#8211; eles se conheceram em 1968 e foram casados at\u00e9 2007<\/p>\n<p>E por um breve per\u00edodo jogou futebol profissionalmente pelo Taksim SK, time da comunidade arm\u00eania, na temporada 1982-1983.<\/p>\n<p>De volta a Istambul, Dink fundou a \u201cBeyaz Adam\u201d (que significa \u201chomem branco\u201d), uma livraria com seus irm\u00e3os, ao mesmo tempo em que escrevia para o jornal arm\u00eanio <em>Marmara<\/em>, de publica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. No jornal, ele escrevia especialmente resenhas de livros sobre a hist\u00f3ria arm\u00eania que eram impressos na Turquia. E para escrever no jornal, ele usava o pseud\u00f4nimo \u201cCutak\u201d, que significa em arm\u00eanio \u201cviolino\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Agos<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>No dia 5 de abril de 1996, Hrant Dink participou da funda\u00e7\u00e3o do jornal Agos, o primeiro publicado em Istambul em turco e arm\u00eanio \u2013 a palavra Agos foi usada em ambas as l\u00ednguas significando o local onde o arado abre um buraco no solo para dar a semente como fonte de fertilidade. A pol\u00edtica dos jornais foi moldada \u00e0 luz desta parceria simb\u00f3lica e de fertilidade.<\/p>\n<p>Desde sua funda\u00e7\u00e3o, o principal objetivo do Agos era criar solidariedade para a comunidade arm\u00eania na Turquia que n\u00e3o falava arm\u00eanio, dar voz aos problemas dos arm\u00eanios no pa\u00eds a n\u00edvel estatal e obter apoio do p\u00fablico em geral, bem como partilhar a cultura e hist\u00f3ria arm\u00eania com a sociedade turca em geral.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1335 \" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Agos-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"603\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Agos-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Agos-300x225.jpeg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Agos-768x576.jpeg 768w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Agos-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Agos.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 603px) 100vw, 603px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Edi\u00e7\u00e3o de 2023 do jornal Agos, fundado por Hrant Dink<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio, o Agos atraiu a aten\u00e7\u00e3o com sua identidade de oposi\u00e7\u00e3o. Criticou as fraquezas do sistema da comunidade arm\u00eania na Turquia, sublinhando a import\u00e2ncia da transpar\u00eancia e da sociedade civil em projetos alternativos. Tamb\u00e9m, trouxe muitos temas marcantes como pauta, por exemplo, o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es entre a Turquia e a Arm\u00eania, a abertura da fronteira entre os dois pa\u00edses e o apoio ao processo de democratiza\u00e7\u00e3o da Turquia.<\/p>\n<p>Com o Agos, ele criou um importante ve\u00edculo para a comunidade arm\u00eania na Turquia. E por meio de suas colunas, ele abordou quest\u00f5es sens\u00edveis relacionadas \u00e0 identidade arm\u00eania e \u00e0s quest\u00f5es hist\u00f3ricas e pol\u00edticas que dividiram as duas comunidades.<\/p>\n<p>E como editor-chefe da Agos, Hrant Dink atraiu a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com sua ret\u00f3rica, que abriu novas fronteiras de debate. Ele tamb\u00e9m escreveu colunas para os jornais di\u00e1rios Yeni Y\u00fczy\u0131l e BirG\u00fcn.<\/p>\n<p>Mas, provavelmente, o grande burburinho causado pelo jornal a n\u00edvel nacional foi o estilo enf\u00e1tico com que o jornal abordou o Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, em que focava nos sobreviventes; mais do que isso, ele levantou a necessidade de desenvolver publica\u00e7\u00f5es alternativas sobre esses acontecimentos, muito al\u00e9m das fontes oficiais do Estado, que negam o Genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>E seu ativismo em defesa do reconhecimento do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio que o colocou em confronto direto com as autoridades turcas. Dink acreditava firmemente na import\u00e2ncia de confrontar o passado e reconhecer as injusti\u00e7as hist\u00f3ricas como um passo crucial para a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1337 \" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant-Dink-1.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant-Dink-1.jpg 755w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant-Dink-1-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Hrant Dink, um dos grandes nomes da di\u00e1spora arm\u00eania<\/p>\n<p>Tendo participado em muitas confer\u00eancias Nos Estados Unidos, Austr\u00e1lia, Europa e Arm\u00eania, Hrant Dink suscitou um debate e um processo de questionamento sobre a identidade arm\u00eania e as rela\u00e7\u00f5es turco-arm\u00eanias, tanto no mundo arm\u00eanio como tamb\u00e9m em v\u00e1rios pa\u00edses ocidentais, quanto ao seu papel hist\u00f3rico nas rela\u00e7\u00f5es turco-arm\u00eanias.<\/p>\n<p>Uma das vozes arm\u00eanias mais proeminentes da Turquia, apesar das amea\u00e7as contra a sua vida, ele se recusou a permanecer em sil\u00eancio. Ele sempre enfatizou a necessidade de democratiza\u00e7\u00e3o na Turquia e se concentrou nas quest\u00f5es da liberdade de express\u00e3o, dos direitos das minorias, dos direitos c\u00edvicos e das quest\u00f5es relativas \u00e0 comunidade arm\u00eania na Turquia. Tamb\u00e9m, lutou incessantemente para construir uma sociedade mais justa e inclusive.<\/p>\n<p>Sobretudo, ele foi um ativista da paz muito importante. Nos seus discursos p\u00fablicos, muitas vezes intensamente emocionais, ele nunca se absteve de usar a palavra genoc\u00eddio ao falar sobre o Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, um termo veementemente rejeitado pela Turquia at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Lidando com um assunto sens\u00edvel na sociedade turca, Hrant Dink foi processado diversas vezes nos termos do artigo 301 do c\u00f3digo penal turco, por \u201catacar a Turquia\u201d ou \u201cinsultar a identidade turca\u201d \u2013 inclusive, ele teve que apelar \u00e0 tribunais internacionais para que intercedessem em seu caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Assassinato<\/strong><\/p>\n<p>Sua coragem em desafiar as narrativas oficiais lhe rendeu tanto admiradores quanto cr\u00edticos. Ele enfrentou amea\u00e7as de morte e persegui\u00e7\u00e3o por suas opini\u00f5es francas e intransigentes.<\/p>\n<p>E, de forma tr\u00e1gica, Hrant Dink foi assassinado no dia 19 de janeiro de 2007, em frente \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do jornal Agos. O crime foi cometido pelo jovem Og\u00fcn Samast, um jovem do interior da Turquia. Preso poucas horas depois, desde o come\u00e7o foi tratado como her\u00f3i pelas autoridades policiais turcas. E logo ficou claro para o mundo que Samast n\u00e3o agiu sozinho; ele tinha uma extensa rede pol\u00edtica por tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ainda em 2007 o jugalmento de Samast foi realizado. Junto a ele, outras 17 pessoas foram acusadas pelo Tribunal Penal de Istambul.<\/p>\n<p>Condenado, Samast saiu da pris\u00e3o por bom comportamento em 2023.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1338  aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Ogun-Samsat-1024x575.jpg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Ogun-Samsat-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Ogun-Samsat-300x169.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Ogun-Samsat-768x431.jpg 768w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Ogun-Samsat.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O jovem Og\u00fcn Samast (centro), que assassinou a tiros Hrant Dink em 2007; Samast foi recebido como her\u00f3i pelos policiais que o prenderam<\/p>\n<p>O assassinato de Hrant chocou tanto a Turquia quanto o mundo e gerou indigna\u00e7\u00e3o generalizada. Seu funeral foi realizado em 23 de janeiro de 2007 na Igreja Patriarcal Surp Asdvadzadzin, no bairro de Kumkap\u0131, em Istambul. Mais de 100 mil pessoas foram ao funeral e marcharam pelas ruas de Istambul exigindo uma resposta do governo turco. Muitas das pessoas exibiam cartazes e faixas com os dizeres \u201cSomos todos Hrant. Somos todos arm\u00eanios\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1339 \" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Funeral-Hrant-Dink.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Funeral-Hrant-Dink.jpg 786w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Funeral-Hrant-Dink-300x169.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Funeral-Hrant-Dink-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">100 mil pessoas foram \u00e0s ruas de Istambul para o funeral de Hrant Dink, no dia 23 de janeiro<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Legado<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Her\u00f3i e amigo querido de todos que o conheceram, Dink defendeu os direitos dos arm\u00eanios e de todas as pessoas em todo o mundo. E nas palavras do professor arm\u00eanio-liban\u00eas Vicken Cheterian:<\/p>\n<p>\u201cE foi sua coragem que transformou a luta do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio num debate interno na Turquia. Durante uma d\u00e9cada, ele envolveu a opini\u00e3o p\u00fablica turca e a classe intelectual, questionando o sil\u00eancio de muitos. Ele pagou o pre\u00e7o mais alto pela sua ousadia; ele foi amea\u00e7ado, assediado e eventualmente assassinado. Mesmo assim, ele venceu. Ele conseguiu fazer do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio uma quest\u00e3o turca, um debate necess\u00e1rio para a liberdade de express\u00e3o, de justi\u00e7a e de democratiza\u00e7\u00e3o dentro da Turquia.<\/p>\n<p>E o importante trabalho de Hrant Dink continua por meio da Funda\u00e7\u00e3o Hrant Dink; para saber mais sobre a funda\u00e7\u00e3o, clique <a href=\"https:\/\/hrantdink.org\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>aqui.<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1336 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant-Dink.jpg\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant-Dink.jpg 512w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Hrant-Dink-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p>\u201cAqueles que ainda hoje defendem o esquecimento n\u00e3o t\u00eam medo apenas do passado, mas tamb\u00e9m do futuro. Um passado inesquec\u00edvel \u00e9 a garantia do futuro.\u201d<\/p>\n<p>-Hrant Dink<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, dia 19 de janeiro, o mundo arm\u00eanio completa 17 anos sem a voz e o trabalho do lend\u00e1rio jornalista e colunista arm\u00eanio Hrant Dink, que foi assassinado em 2007 em Istambul, em frente ao Agos, o jornal do qual era editor-chefe. Eternamente lembrado por suas ideias, vontade e empatia, al\u00e9m do seu corajoso e necess\u00e1rio trabalho e defesa dos direitos humanos, Hrant \u00e9 um modelo para jornalistas de todo o mundo. Mas antes de conhecer seu trabalho, \u00e9 importante conhecer um pouco de sua hist\u00f3ria. Vida Hrant Dink nasceu em Malatya, Turquia, uma cidade historicamente arm\u00eania, em 15 de setembro de 1954. Filho mais velho de Sarkis Dink e G\u00fclvart Dink, se mudou com sua fam\u00edlia para Istambul quando tinha cinco anos de idade. Um ano ap\u00f3s a mudan\u00e7a, seus pais se separaram e Dink e seus irm\u00e3os Hosrop e Yervant ficaram sem lugar para morar. A Av\u00f3 de Dink, ent\u00e3o, matriculou os meninos no Orfanato Arm\u00eanio Gedikpa\u015fa, que \u00e9 ligado \u00e0 Igreja Protestante Arm\u00eania Gedikpa\u015fa \u2013 esse foi o lar de Hrant Dink e irm\u00e3os pelos pr\u00f3ximos dez anos; l\u00e1, ele foi adotado pelo Patriarca Shorkh Galstyan. &nbsp; Hrant Dink (centro) com seus irm\u00e3os Hosrop e Yervant Juntos, eles frequentaram a escola Incirdibi, no inverno, e no ver\u00e3o viviam no Acampamento Infantil Arm\u00eanio de Tuzla \u2013 e foi no acampamento que em 1968 Hrant Dink conheceu sua futura esposa, Rakel Ya\u011fbasan, nascida em 1959, que foi criada no Orfanato Arm\u00eanio de Tuzla. Depois, Hrant se formou na escola secund\u00e1ria de Bezciyan e estudou no internato Surp Hac Tibrevank, tendo estudado parte do ensino m\u00e9dio na Escola Secund\u00e1ria Arm\u00eania \u00dcsk\u00fcdar Surp Ha\u00e7, onde trabalhava como tutor ao mesmo tempo, e por fim, ap\u00f3s ser expulso, na Escola Secund\u00e1ria \u015ei\u015fli. Na Universidade de Istambul, estudou Zoologia e matriculou-se para um segundo bacharelado, em Filosofia, que n\u00e3o concluiu. Depois de se formar na universidade, ele completou o servi\u00e7o militar em Denizli. E n\u00e3o ter sido promovido a sargento, apesar de ter obtido a nota m\u00e1xima no exame, o fez chorar; e gra\u00e7as a esse epis\u00f3dio de discrimina\u00e7\u00e3o, que talvez tenha acontecido por ele ser arm\u00eanio, o fez trilhar o caminho do ativismo. Casou-se com Rakel e juntos tiveram tr\u00eas filhos. E nesse per\u00edodo, ele e a esposa assumiram a administra\u00e7\u00e3o do Acampamento Infantil de Tuzla, onde eles pr\u00f3prios cresceram e come\u00e7aram a cuidar de in\u00fameras crian\u00e7as arm\u00eanias. O campo passou por momentos dif\u00edceis sob a acusa\u00e7\u00e3o de ali criar militantes arm\u00eanios e foi finalmente confiscado pelo Estado em 1983. Ap\u00f3s o encerramento do campo, Dink foi detido e preso tr\u00eas vezes devido \u00e0s suas opini\u00f5es pol\u00edticas. Sobre o campo, ele comentou: &#8220;Fui para Tuzla quando tinha 8 anos. Trabalhei l\u00e1 durante 20 anos. Conheci minha esposa Rakel l\u00e1. Crescemos juntos. Nos casamos no campo. Nossos filhos nasceram l\u00e1&#8230; Depois do golpe militar de 12 de setembro, nosso gerente do campo foi preso sob a alega\u00e7\u00e3o de que estava criando militantes arm\u00eanios. Uma afirma\u00e7\u00e3o injusta. Nenhum de n\u00f3s foi criado para ser um militante. Meus amigos e eu, cada um de n\u00f3s, antigos alunos do campo, corremos para preencher o trabalho para salvar o acampamento e o orfanato do fechamento. Mas ent\u00e3o, um dia, eles nos entregaram um documento de um tribunal&#8230; &#8216;Acabamos de descobrir que suas institui\u00e7\u00f5es minorit\u00e1rias n\u00e3o t\u00eam o direito de comprar im\u00f3veis. Nunca deveria ter lhe dado essa permiss\u00e3o naquela \u00e9poca. Este lugar agora retornar\u00e1 ao seu antigo propriet\u00e1rio.&#8217; Lutamos por cinco anos e perdemos&#8230; Poucas chances tivemos com o estado como concorrente.\u201d Rakel e Hrant &#8211; eles se conheceram em 1968 e foram casados at\u00e9 2007 E por um breve per\u00edodo jogou futebol profissionalmente pelo Taksim SK, time da comunidade arm\u00eania, na temporada 1982-1983. De volta a Istambul, Dink fundou a \u201cBeyaz Adam\u201d (que significa \u201chomem branco\u201d), uma livraria com seus irm\u00e3os, ao mesmo tempo em que escrevia para o jornal arm\u00eanio Marmara, de publica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. No jornal, ele escrevia especialmente resenhas de livros sobre a hist\u00f3ria arm\u00eania que eram impressos na Turquia. E para escrever no jornal, ele usava o pseud\u00f4nimo \u201cCutak\u201d, que significa em arm\u00eanio \u201cviolino\u201d. Agos \u00a0No dia 5 de abril de 1996, Hrant Dink participou da funda\u00e7\u00e3o do jornal Agos, o primeiro publicado em Istambul em turco e arm\u00eanio \u2013 a palavra Agos foi usada em ambas as l\u00ednguas significando o local onde o arado abre um buraco no solo para dar a semente como fonte de fertilidade. A pol\u00edtica dos jornais foi moldada \u00e0 luz desta parceria simb\u00f3lica e de fertilidade. Desde sua funda\u00e7\u00e3o, o principal objetivo do Agos era criar solidariedade para a comunidade arm\u00eania na Turquia que n\u00e3o falava arm\u00eanio, dar voz aos problemas dos arm\u00eanios no pa\u00eds a n\u00edvel estatal e obter apoio do p\u00fablico em geral, bem como partilhar a cultura e hist\u00f3ria arm\u00eania com a sociedade turca em geral. Edi\u00e7\u00e3o de 2023 do jornal Agos, fundado por Hrant Dink Logo no in\u00edcio, o Agos atraiu a aten\u00e7\u00e3o com sua identidade de oposi\u00e7\u00e3o. Criticou as fraquezas do sistema da comunidade arm\u00eania na Turquia, sublinhando a import\u00e2ncia da transpar\u00eancia e da sociedade civil em projetos alternativos. Tamb\u00e9m, trouxe muitos temas marcantes como pauta, por exemplo, o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es entre a Turquia e a Arm\u00eania, a abertura da fronteira entre os dois pa\u00edses e o apoio ao processo de democratiza\u00e7\u00e3o da Turquia. Com o Agos, ele criou um importante ve\u00edculo para a comunidade arm\u00eania na Turquia. E por meio de suas colunas, ele abordou quest\u00f5es sens\u00edveis relacionadas \u00e0 identidade arm\u00eania e \u00e0s quest\u00f5es hist\u00f3ricas e pol\u00edticas que dividiram as duas comunidades. E como editor-chefe da Agos, Hrant Dink atraiu a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com sua ret\u00f3rica, que abriu novas fronteiras de debate. Ele tamb\u00e9m escreveu colunas para os jornais di\u00e1rios Yeni Y\u00fczy\u0131l e BirG\u00fcn. Mas, provavelmente, o grande burburinho causado pelo jornal a n\u00edvel nacional foi o estilo enf\u00e1tico com que o jornal abordou o Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, em que focava nos sobreviventes; mais do que isso, ele levantou a necessidade de desenvolver publica\u00e7\u00f5es alternativas sobre esses acontecimentos, muito<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1336,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1332","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diaspora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1332"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1332\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1340,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1332\/revisions\/1340"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}