{"id":1362,"date":"2024-03-21T23:32:13","date_gmt":"2024-03-22T02:32:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/?p=1362"},"modified":"2024-06-28T00:13:49","modified_gmt":"2024-06-28T03:13:49","slug":"o-heroi-soghomon-tehlirian","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/2024\/03\/21\/o-heroi-soghomon-tehlirian\/","title":{"rendered":"O Her\u00f3i Soghomon Tehlirian"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, dia 21 de mar\u00e7o, relembramos o ato de Soghomon Tehlirian, que h\u00e1 103 anos assassinava Talaat Pasha, um dos mentores do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio.<\/p>\n<p>Nascido no dia 2 de abril de 1896 na aldeia de Nerkin Bagarich, na regi\u00e3o de Erzurum &#8211; na atual Turquia -, cresceu nas proximidades de Erzincan (Yerznga). Ele come\u00e7ou sua educa\u00e7\u00e3o em uma escola evang\u00e9lica em Erzincan, depois frequentou a Escola Ketronakan de Constantinopla. Como seu pai havia se mudado para a S\u00e9rvia, ele foi estudar engenharia no pa\u00eds e tinha como planos futuros continuar seus estudos na Alemanha.<\/p>\n<p>Em 1914, ano que estourou a Primeira Guerra Mundial, ele estava estava em Valjevo, S\u00e9rvia, e no outono daquele ano dirigiu-se \u00e0 R\u00fassia e juntou-se ao ex\u00e9rcito para servir numa unidade volunt\u00e1ria na Frente do C\u00e1ucaso contra os turcos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1365 size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Soghomon-Tehlirian-voluntario-191x300.jpg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Soghomon-Tehlirian-voluntario-191x300.jpg 191w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Soghomon-Tehlirian-voluntario.jpg 320w\" sizes=\"(max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/>Soghomon Tehlirian como volunt\u00e1rio em 1915<\/p>\n<p>Em junho de 1915, em pleno Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, que havia come\u00e7ado em 24 de abril do mesmo ano, a pol\u00edcia otomana ordenou a deporta\u00e7\u00e3o de todos os arm\u00eanios em Erzincan. A m\u00e3e de Tehlirian, tr\u00eas irm\u00e3s, o marido de sua irm\u00e3, seus dois irm\u00e3os e uma sobrinha de dois anos foram deportados. Mais do que isso, ele testemunhou o assassinato de sua m\u00e3e e de seu irm\u00e3o, ao mesmo tempo em que viu o estupro e assassinato de suas tr\u00eas irm\u00e3s. Ao todo, Tehlirian perdeu 85 membros da fam\u00edlia no Genoc\u00eddio Arm\u00eanio.<\/p>\n<p>Durante os ataques, ele foi atingido na cabe\u00e7a e deixado para morrer. Ele sobreviveu e fugiu para Tbilisi, Ge\u00f3rgia, onde se juntou \u00e0 ARF (Federa\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Arm\u00eania).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1363 size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Soghomon-Tehlirian-227x300.jpg\" alt=\"\" width=\"227\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Soghomon Tehlirian em 1922<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o fim da Primeira Guerra Mundial e a derrota otomana no conflito, o novo governo otomano, sob press\u00e3o dos Aliados, decidiu processar membros do governo dos Jovens Turcos e do comit\u00ea central do Partido Uni\u00e3o e Progresso por terem envolvido o Imp\u00e9rio Otomano na guerra, al\u00e9m de organizar a deporta\u00e7\u00e3o e o massacre dos Arm\u00eanios. No entanto, os principais respons\u00e1veis dos Jovens Turcos (Mehmet Talaat, Ismail Enver, Ahmed Cemal, Behaeddin Shakir, Mehmet Nazim, Osman Bedri e Hussein Azmi) conseguiram escapar da responsabilidade criminal ao embarcar em um navio de guerra alem\u00e3o em 1\u00ba de novembro de 1918.<\/p>\n<p>No outono de 1919, durante a 9\u00aa assembleia geral da Federa\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Arm\u00eania (ARF) em Yerevan, uma miss\u00e3o especial altamente secreta foi criada, sob lideran\u00e7a de Armen Garo, Embaixador da Arm\u00eania nos Estados Unidos. Conhecida como Hatuk Gortz &#8211; ou Opera\u00e7\u00e3o Nemesis -, a miss\u00e3o tinha o objetivo de encontrar e punir os respons\u00e1veis pelos massacres arm\u00eanios, especialmente os l\u00edderes dos Jovens Turcos.<\/p>\n<p>A ideia de atacar e eliminar Talaat, o Ministro do Interior do Imp\u00e9rio Otomano que ordenou a pris\u00e3o e deporta\u00e7\u00e3o dos arm\u00eanios, surgiu para Tehlirian em 1916, quando, como jovem volunt\u00e1rio, retornou a sua cidade natal e viu a casa de seus pais saqueada e em ru\u00ednas. Esse evento lhe causou um forte estresse mental e fez com que perdesse a consci\u00eancia, tendo vis\u00f5es de sua m\u00e3e assassinada.<\/p>\n<p>Soghomon Tehlirian n\u00e3o conhecia Talaat pessoalmente, nunca o encontrou cara a cara e nem falava alem\u00e3o. Ele contava com uma equipe profissional que j\u00e1 havia realizado um extenso trabalho de reconhecimento e organiza\u00e7\u00e3o em Berlim para ajud\u00e1-lo a cumprir a miss\u00e3o que lhe foi confiada<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1364 size-medium aligncenter\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Talaat-Pasha-243x300.jpg\" alt=\"\" width=\"243\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Talaat-Pasha-243x300.jpg 243w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Talaat-Pasha.jpg 406w\" sizes=\"(max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O Ministro do Interior do Imp\u00e9rio Otomano, Talaat Pasha<\/p>\n<p>Talaat havia mudado seu nome e vivia em Berlin com sua esposa sob o nome de Ali Salih Bey; na capital alem\u00e3, residia em um luxuoso apartamento alugado de nove quartos na Rua Hardenberg. Segundo rumores, Ali Salih era um ex-comerciante falido que administrava um caf\u00e9 oriental na cidade. O apartamento foi providenciado para eles pela embaixada turca. Talaat tamb\u00e9m mudou sua apar\u00eancia, optando por usar um chap\u00e9u europeu em vez de seu fez turco caracter\u00edstico. A busca por Talaat foi coordenada a partir de Boston, onde telegramas codificados eram regularmente enviados. Tehlirian conseguiu alugar um apartamento pr\u00f3ximo ao de Talaat e observou-o de perto por v\u00e1rios dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Vingan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Finalmente, Talaat foi identificado e sua identidade foi meticulosamente confirmada para garantir que ningu\u00e9m fosse ferido acidentalmente durante a opera\u00e7\u00e3o. Sua execu\u00e7\u00e3o ocorreu em 15 de mar\u00e7o de 1921, um dia antes da assinatura do Tratado Antiarm\u00eanio de Moscou. A escolha da data n\u00e3o foi aleat\u00f3ria, pois coincidiu com a Confer\u00eancia Russo-Turca de Moscou (26 de fevereiro a 16 de mar\u00e7o de 1921), que resultou no Tratado de Amizade e Irmandade entre os Bolcheviques e os Kemalistas, decisivo para a quest\u00e3o dos territ\u00f3rios arm\u00eanios sem a participa\u00e7\u00e3o arm\u00eania.<\/p>\n<p>Naquela manh\u00e3, Soghomon Tehlirian assassinou com um \u00fanico tiro Talaat Pasha, o principal arquiteto do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, na Rua Hardenberg, em plena luz do dia. Na \u00e9poca, apenas Tehlirian sabia que a v\u00edtima era Talaat.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o assassinato, Tehlirian n\u00e3o fugiu e foi preso no local do crime e levado \u00e0 delegacia local para interrogat\u00f3rio. Devido \u00e0 sua limitada habilidade com o idioma alem\u00e3o, ele solicitou que o interrogat\u00f3rio fosse conduzido em arm\u00eanio, com a ajuda de um tradutor &#8211; ele afirmou que agiu sozinho em um ato de vingan\u00e7a pessoal e n\u00e3o teve c\u00famplices.<\/p>\n<p>O corpo de &#8220;Ali Salih&#8221; foi identificado por seu antigo amigo Behaeddin Shakir, que confirmou que a v\u00edtima era o ex-l\u00edder otomano. Taalat Pashat foi enterrado cinco dias ap\u00f3s sua morte, j\u00e1 que as autoridades turcas proibiram seu enterro em sua terra natal. Na Alemanha, seus antigos aliados organizaram um funeral luxuoso para ele em Berlim, com muitas coroas de flores, visitantes turcos de diferentes pa\u00edses, discursos e declara\u00e7\u00f5es anti-arm\u00eanias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Julgamento<\/strong><\/p>\n<p>Durante o o julgamento em Berlim, que foi realizado nos dias 2 e 3 de junho de 1921, testemunharam um oficial alem\u00e3o de alto escal\u00e3o, Liman von Sanders, o conhecido ativista pr\u00f3-arm\u00eanio Johannes Lepsius e sobreviventes do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio. Tehlirian foi representado por advogados proeminentes: os consultores jur\u00eddicos Adolf von Gorton e Johannes Werthauer,al\u00e9m do Professor de Direito da Universidade de Kiel, Dr. Kurt Niemeyer. Eles utilizaram telegramas originais para provar as a\u00e7\u00f5es de Talaat, nos quais o antigo Ministro do Interior do Imp\u00e9rio Otomano ordenava a deporta\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio dos arm\u00eanios.<\/p>\n<p>Legalmente, a defesa de Tehlirian baseou-se no artigo 51\u00ba do C\u00f3digo Penal Alem\u00e3o, que estipula que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 crime se o perpetrador, no momento da a\u00e7\u00e3o, estava inconsciente ou sofria de um dist\u00farbio mental que o tornasse incapaz de querer&#8221;. Tehlirian foi absolvido pela decis\u00e3o do j\u00fari em 3 de junho de 1921.<\/p>\n<p>O julgamento de Tehlirian provocou uma resposta significativa na esfera pol\u00edtica e social. Recebeu ampla cobertura da imprensa europeia, americana e arm\u00eania da \u00e9poca. Tamb\u00e9m, influenciou o advogado polon\u00eas Raphael Lemkin, que mais tarde cunharia o termo \u201cgenoc\u00eddio\u201d. Ele refletiu sobre o julgamento: \u201cPor que um homem \u00e9 punido quando mata outro homem? Por que a morte de um milh\u00e3o de pessoas \u00e9 um crime menor do que a morte de um \u00fanico indiv\u00edduo?\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1366 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Julgamento-Soghomon.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Julgamento-Soghomon.jpg 500w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Julgamento-Soghomon-300x205.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Julgamento de Soghomon Tehlirian<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o julgamento, Tehlirian se estabeleceu inicialmente em Manchester e depois em Belgrado, adotando o nome de Sogomon Melikian por quest\u00f5es de seguran\u00e7a pessoal e familiar. Em 1953, mudou-se para Casablanca e, em 1954, para S\u00e3o Francisco, onde faleceu em 23 de maio de 1960 como Soghomon Melikian. Ele foi enterrado em Fresno. Tehlirian era casado com Anahit Tatikyan e teve dois filhos, Zaven e Shahen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, dia 21 de mar\u00e7o, relembramos o ato de Soghomon Tehlirian, que h\u00e1 103 anos assassinava Talaat Pasha, um dos mentores do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio. Nascido no dia 2 de abril de 1896 na aldeia de Nerkin Bagarich, na regi\u00e3o de Erzurum &#8211; na atual Turquia -, cresceu nas proximidades de Erzincan (Yerznga). Ele come\u00e7ou sua educa\u00e7\u00e3o em uma escola evang\u00e9lica em Erzincan, depois frequentou a Escola Ketronakan de Constantinopla. Como seu pai havia se mudado para a S\u00e9rvia, ele foi estudar engenharia no pa\u00eds e tinha como planos futuros continuar seus estudos na Alemanha. Em 1914, ano que estourou a Primeira Guerra Mundial, ele estava estava em Valjevo, S\u00e9rvia, e no outono daquele ano dirigiu-se \u00e0 R\u00fassia e juntou-se ao ex\u00e9rcito para servir numa unidade volunt\u00e1ria na Frente do C\u00e1ucaso contra os turcos. Soghomon Tehlirian como volunt\u00e1rio em 1915 Em junho de 1915, em pleno Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, que havia come\u00e7ado em 24 de abril do mesmo ano, a pol\u00edcia otomana ordenou a deporta\u00e7\u00e3o de todos os arm\u00eanios em Erzincan. A m\u00e3e de Tehlirian, tr\u00eas irm\u00e3s, o marido de sua irm\u00e3, seus dois irm\u00e3os e uma sobrinha de dois anos foram deportados. Mais do que isso, ele testemunhou o assassinato de sua m\u00e3e e de seu irm\u00e3o, ao mesmo tempo em que viu o estupro e assassinato de suas tr\u00eas irm\u00e3s. Ao todo, Tehlirian perdeu 85 membros da fam\u00edlia no Genoc\u00eddio Arm\u00eanio. Durante os ataques, ele foi atingido na cabe\u00e7a e deixado para morrer. Ele sobreviveu e fugiu para Tbilisi, Ge\u00f3rgia, onde se juntou \u00e0 ARF (Federa\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Arm\u00eania). &nbsp; Soghomon Tehlirian em 1922 Ap\u00f3s o fim da Primeira Guerra Mundial e a derrota otomana no conflito, o novo governo otomano, sob press\u00e3o dos Aliados, decidiu processar membros do governo dos Jovens Turcos e do comit\u00ea central do Partido Uni\u00e3o e Progresso por terem envolvido o Imp\u00e9rio Otomano na guerra, al\u00e9m de organizar a deporta\u00e7\u00e3o e o massacre dos Arm\u00eanios. No entanto, os principais respons\u00e1veis dos Jovens Turcos (Mehmet Talaat, Ismail Enver, Ahmed Cemal, Behaeddin Shakir, Mehmet Nazim, Osman Bedri e Hussein Azmi) conseguiram escapar da responsabilidade criminal ao embarcar em um navio de guerra alem\u00e3o em 1\u00ba de novembro de 1918. No outono de 1919, durante a 9\u00aa assembleia geral da Federa\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Arm\u00eania (ARF) em Yerevan, uma miss\u00e3o especial altamente secreta foi criada, sob lideran\u00e7a de Armen Garo, Embaixador da Arm\u00eania nos Estados Unidos. Conhecida como Hatuk Gortz &#8211; ou Opera\u00e7\u00e3o Nemesis -, a miss\u00e3o tinha o objetivo de encontrar e punir os respons\u00e1veis pelos massacres arm\u00eanios, especialmente os l\u00edderes dos Jovens Turcos. A ideia de atacar e eliminar Talaat, o Ministro do Interior do Imp\u00e9rio Otomano que ordenou a pris\u00e3o e deporta\u00e7\u00e3o dos arm\u00eanios, surgiu para Tehlirian em 1916, quando, como jovem volunt\u00e1rio, retornou a sua cidade natal e viu a casa de seus pais saqueada e em ru\u00ednas. Esse evento lhe causou um forte estresse mental e fez com que perdesse a consci\u00eancia, tendo vis\u00f5es de sua m\u00e3e assassinada. Soghomon Tehlirian n\u00e3o conhecia Talaat pessoalmente, nunca o encontrou cara a cara e nem falava alem\u00e3o. Ele contava com uma equipe profissional que j\u00e1 havia realizado um extenso trabalho de reconhecimento e organiza\u00e7\u00e3o em Berlim para ajud\u00e1-lo a cumprir a miss\u00e3o que lhe foi confiada &nbsp; O Ministro do Interior do Imp\u00e9rio Otomano, Talaat Pasha Talaat havia mudado seu nome e vivia em Berlin com sua esposa sob o nome de Ali Salih Bey; na capital alem\u00e3, residia em um luxuoso apartamento alugado de nove quartos na Rua Hardenberg. Segundo rumores, Ali Salih era um ex-comerciante falido que administrava um caf\u00e9 oriental na cidade. O apartamento foi providenciado para eles pela embaixada turca. Talaat tamb\u00e9m mudou sua apar\u00eancia, optando por usar um chap\u00e9u europeu em vez de seu fez turco caracter\u00edstico. A busca por Talaat foi coordenada a partir de Boston, onde telegramas codificados eram regularmente enviados. Tehlirian conseguiu alugar um apartamento pr\u00f3ximo ao de Talaat e observou-o de perto por v\u00e1rios dias. Vingan\u00e7a Finalmente, Talaat foi identificado e sua identidade foi meticulosamente confirmada para garantir que ningu\u00e9m fosse ferido acidentalmente durante a opera\u00e7\u00e3o. Sua execu\u00e7\u00e3o ocorreu em 15 de mar\u00e7o de 1921, um dia antes da assinatura do Tratado Antiarm\u00eanio de Moscou. A escolha da data n\u00e3o foi aleat\u00f3ria, pois coincidiu com a Confer\u00eancia Russo-Turca de Moscou (26 de fevereiro a 16 de mar\u00e7o de 1921), que resultou no Tratado de Amizade e Irmandade entre os Bolcheviques e os Kemalistas, decisivo para a quest\u00e3o dos territ\u00f3rios arm\u00eanios sem a participa\u00e7\u00e3o arm\u00eania. Naquela manh\u00e3, Soghomon Tehlirian assassinou com um \u00fanico tiro Talaat Pasha, o principal arquiteto do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio, na Rua Hardenberg, em plena luz do dia. Na \u00e9poca, apenas Tehlirian sabia que a v\u00edtima era Talaat. Ap\u00f3s o assassinato, Tehlirian n\u00e3o fugiu e foi preso no local do crime e levado \u00e0 delegacia local para interrogat\u00f3rio. Devido \u00e0 sua limitada habilidade com o idioma alem\u00e3o, ele solicitou que o interrogat\u00f3rio fosse conduzido em arm\u00eanio, com a ajuda de um tradutor &#8211; ele afirmou que agiu sozinho em um ato de vingan\u00e7a pessoal e n\u00e3o teve c\u00famplices. O corpo de &#8220;Ali Salih&#8221; foi identificado por seu antigo amigo Behaeddin Shakir, que confirmou que a v\u00edtima era o ex-l\u00edder otomano. Taalat Pashat foi enterrado cinco dias ap\u00f3s sua morte, j\u00e1 que as autoridades turcas proibiram seu enterro em sua terra natal. Na Alemanha, seus antigos aliados organizaram um funeral luxuoso para ele em Berlim, com muitas coroas de flores, visitantes turcos de diferentes pa\u00edses, discursos e declara\u00e7\u00f5es anti-arm\u00eanias. Julgamento Durante o o julgamento em Berlim, que foi realizado nos dias 2 e 3 de junho de 1921, testemunharam um oficial alem\u00e3o de alto escal\u00e3o, Liman von Sanders, o conhecido ativista pr\u00f3-arm\u00eanio Johannes Lepsius e sobreviventes do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio. Tehlirian foi representado por advogados proeminentes: os consultores jur\u00eddicos Adolf von Gorton e Johannes Werthauer,al\u00e9m do Professor de Direito da Universidade de Kiel, Dr. Kurt Niemeyer. Eles utilizaram telegramas originais para provar as a\u00e7\u00f5es de Talaat, nos quais o antigo Ministro do Interior do Imp\u00e9rio Otomano ordenava a deporta\u00e7\u00e3o e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1363,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3,9],"tags":[],"class_list":["post-1362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-armenia","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1362"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1367,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1362\/revisions\/1367"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}