{"id":1544,"date":"2025-05-30T17:07:16","date_gmt":"2025-05-30T20:07:16","guid":{"rendered":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/?p=1544"},"modified":"2025-06-02T17:41:16","modified_gmt":"2025-06-02T20:41:16","slug":"tradicoes-armenias-do-paganismo-ao-cristianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/2025\/05\/30\/tradicoes-armenias-do-paganismo-ao-cristianismo\/","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00f5es Arm\u00eanias: do Paganismo ao Cristianismo"},"content":{"rendered":"<div>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">As festas nacionais arm\u00eanias carregam significados que v\u00e3o muito al\u00e9m do que vemos nos dias de hoje. Ao longo dos s\u00e9culos, esses feriados se transformaram, assumindo novos significados e modos com a chegada do cristianismo, mas sem perder as ra\u00edzes originais que povoam o imagin\u00e1rio do povo arm\u00eanio! Essas celebra\u00e7\u00f5es resistiram ao tempo e \u00e0 mudan\u00e7a de cren\u00e7as; elas continuam vivas por meio da cultura milenar e popular arm\u00eania, dos rituais e, claro, das tradi\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n<\/div>\n<p>Hoje em dia, mesmo que muito desses feriados sejam celebrados sob um vi\u00e9s crist\u00e3o, suas origens remontam aos tempos pag\u00e3os. Neste texto, vamos conhecer algumas das principais festas nacionais arm\u00eanias, que atravessaram mil\u00eanios, migrando do paganismo para o cristianismo, mas sem perder sua ess\u00eancia cultural!<\/p>\n<div>\n<h2 class=\"text-xl font-bold text-text-100 mt-1 -mb-0.5\" style=\"text-align: center;\">Zatik (P\u00e1scoa) e a Deusa Anahit<\/h2>\n<p data-start=\"1177\" data-end=\"1477\">No mundo crist\u00e3o, a P\u00e1scoa representa a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Em arm\u00eanio, a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada de Zatik, termo que deriva de &#8220;zatel&#8221;, que significa \u201cseparar-se\u201d \u2013 neste caso, do pecado. Portanto, esse \u00e9 um dia sagrado que simboliza o renascimento espiritual e a liberta\u00e7\u00e3o do mal.<\/p>\n<p data-start=\"1479\" data-end=\"1759\">Mas, muito antes da era crist\u00e3, os arm\u00eanios j\u00e1 celebravam esta data como um festival da primavera, ligado \u00e0 fertilidade da terra. Essa comemora\u00e7\u00e3o era dedicada \u00e0 deusa Anahit, considerada a protetora da fertilidade e uma das principais divindades femininas do pante\u00e3o arm\u00eanio.<\/p>\n<\/div>\n<p data-start=\"1479\" data-end=\"1759\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1554 \" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Anahit.jpg\" alt=\"\" width=\"746\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Anahit.jpg 960w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Anahit-300x200.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Anahit-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 746px) 100vw, 746px\" \/>Est\u00e1tua da deusa Anahit, que pertence ao Museu Brit\u00e2nico e que atualmente est\u00e1 exposta no Museu de Hist\u00f3ria da Arm\u00eania<\/p>\n<div>\n<h2 class=\"text-xl font-bold text-text-100 mt-1 -mb-0.5\" style=\"text-align: center;\">A Lenda da Deusa Anahit e o P\u00e1ssaro de Fogo<\/h2>\n<\/div>\n<p data-start=\"1811\" data-end=\"2180\">Segundo a tradi\u00e7\u00e3o arm\u00eania, ap\u00f3s o dil\u00favio, os arianos que chegaram ao vale do Ararat encontraram a natureza acinzentada e sem vida. Para restaurar as cores do mundo, um homem chamado Man ofereceu sacrif\u00edcios \u00e0 deusa Anahit; ela respondeu que somente o m\u00edtico P\u00e1ssaro de Fogo poderia devolver a vitalidade ao mundo, espalhando cores ao cantar e ao botar ovos coloridos.<\/p>\n<p data-start=\"2182\" data-end=\"2448\">Man libertou o p\u00e1ssaro do reino subterr\u00e2neo, e ao retornar, ele cantou, coloriu o mundo e encheu o vale com ovos m\u00e1gicos. A deusa Anahit ent\u00e3o espalhou esses ovos pela regi\u00e3o e ordenou que o p\u00e1ssaro fizesse ninho no Monte Ararat para manter vivas as cores da terra.<\/p>\n<p data-start=\"2450\" data-end=\"2710\">Desde ent\u00e3o, a P\u00e1scoa passou a ser celebrada como a renova\u00e7\u00e3o da vida e a chegada da primavera. Os ovos pintados simbolizavam a fertilidade e a alegria da esta\u00e7\u00e3o \u2013 e eram coloridos de forma vibrante, diferentemente do costume crist\u00e3o \u2013 de muitos lugares do mundo \u2013 de pint\u00e1-los de vermelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1555 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Ovos.jpg\" alt=\"\" width=\"756\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Ovos.jpg 756w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Ovos-300x178.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 756px) 100vw, 756px\" \/>Ovos comuns na P\u00e1scoa na Arm\u00eania<\/p>\n<div>\n<h2 class=\"text-xl font-bold text-text-100 mt-1 -mb-0.5\" style=\"text-align: center;\">A Virgem Maria e a Deusa Anahit<\/h2>\n<\/div>\n<p data-start=\"3920\" data-end=\"4198\">Outra festa crist\u00e3 arm\u00eania muito celebrada \u00e9 a Dormi\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus, tamb\u00e9m conhecida como a b\u00ean\u00e7\u00e3o das uvas. A tradi\u00e7\u00e3o conta que, durante 12 anos ap\u00f3s a crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus, Maria continuamente visitava seu t\u00famulo, at\u00e9 que foi informada por um anjo sobre sua ascens\u00e3o aos c\u00e9us.<\/p>\n<p data-start=\"4200\" data-end=\"4466\">Com a ado\u00e7\u00e3o do cristianismo, as caracter\u00edsticas da deusa Anahit \u2013 feminilidade, maternidade, fertilidade \u2013 foram atribu\u00eddas \u00e0 Virgem Maria. Os antigos templos de Anahit tornaram-se igrejas marianas e as festas pag\u00e3s foram absorvidas e ressignificadas pela nova f\u00e9.<\/p>\n<p data-start=\"4200\" data-end=\"4466\">Essa b\u00ean\u00e7\u00e3o das uvas tamb\u00e9m fazia parte do Navasard, o Ano Novo arm\u00eanio; era um ritual de agradecimento pelas colheitas. Sempre, a primeira fruta da videira era oferecida \u00e0 deusa Anahit como sinal de respeito. J\u00e1 nos dias atuais, apenas as uvas s\u00e3o aben\u00e7oadas na igreja, porque delas tamb\u00e9m se faz o vinho sagrado utilizado nas liturgias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" data-start=\"4200\" data-end=\"4466\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1558 size-full\" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Bencao-das-uvas.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Bencao-das-uvas.jpg 614w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Bencao-das-uvas-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/>B\u00ean\u00e7\u00e3o das uvas, uma tradi\u00e7\u00e3o arm\u00eania<\/p>\n<p data-start=\"4200\" data-end=\"4466\">O Navasard era comemorado no in\u00edcio de agosto e marcava o in\u00edcio da colheita. Fam\u00edlias se reuniam nos campos para rituais de gratid\u00e3o, com dan\u00e7as, m\u00fasicas e festas comunit\u00e1rias. Era um dos feriados mais importantes do calend\u00e1rio pag\u00e3o, celebrando a abund\u00e2ncia, a natureza e a unidade do povo arm\u00eanio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" data-start=\"4200\" data-end=\"4466\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.armgeo.am\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/anahit.jpg?resize=1200%2C800&amp;ssl=1\" alt=\"New Year in Armenia\" width=\"710\" height=\"473\" \/>Imagem retratando o Navasard, o Ano Novo arm\u00eanio<\/p>\n<h2 class=\"text-xl font-bold text-text-100 mt-1 -mb-0.5\" style=\"text-align: center;\">Vardavar e a Deusa Astghik<\/h2>\n<p data-start=\"2749\" data-end=\"3041\">Hoje em dia, o Vardavar \u00e9 celebrado como a festa da Transfigura\u00e7\u00e3o de Cristo, sempre comemorada no 98\u00ba dia ap\u00f3s a P\u00e1scoa. Durante este divertido feriado, \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o as pessoas se molharem com baldes d\u2019\u00e1gua, soltar pombas e celebrar com muita alegria, todos esses s\u00edmbolos que remetem \u00e0 hist\u00f3ria da Arca de No\u00e9 e \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"3043\" data-end=\"3351\">Por\u00e9m, antes do cristianismo, Vardavar era um festival pag\u00e3o em homenagem \u00e0 deusa do amor e da beleza, Astghik. Nascida da espuma do mar, a lenda conta que onde ela passava, ela deixava rastros de sangue que se transformavam em rosas. O nome da festa vem da palavra \u201cvard\u201d, que significa rosa em arm\u00eanio.<\/p>\n<p data-start=\"3387\" data-end=\"3652\">Por falar em Astghik, ela era amada pelo deus do trov\u00e3o, Vahagn. Em momento m\u00edtico, ela \u00e9 sequestrada por uma criatura do submundo, mergulhando o mundo na tristeza e feiura. Quando Vahagn a resgata, ele percorre a Arm\u00eania espalhando \u00e1gua de rosas e restaurando a beleza e o amor.<\/p>\n<p data-start=\"3654\" data-end=\"3876\">Durante o Vardavar, os arm\u00eanios homenageavam Astghik jogando \u00e1gua uns nos outros, decorando com rosas e celebrando a beleza e o amor. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m era um dia de rituais relacionados \u00e0 \u00e1gua, um elemento considerado sagrado e s\u00edmbolo de pureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" data-start=\"3043\" data-end=\"3351\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1557 \" src=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Astghik.jpg\" alt=\"\" width=\"752\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Astghik.jpg 960w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Astghik-300x200.jpg 300w, https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Astghik-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 752px) 100vw, 752px\" \/>Imagem retratando a deusa Astghik<\/p>\n<h2 class=\"text-xl font-bold text-text-100 mt-1 -mb-0.5\" style=\"text-align: center;\">Trndez: Festival do Fogo<\/h2>\n<div>\n<p data-start=\"5235\" data-end=\"5462\">Celebrado 40 dias ap\u00f3s o Natal, o Trndez \u00e9 um feriado crist\u00e3o dedicado \u00e0 luz e ao amor de Deus. Mas, mais uma vez, suas origens s\u00e3o pag\u00e3s: era uma festa do fogo, elemento considerado uma forma terrena do sol, o qual os arm\u00eanios cultuavam.<\/p>\n<p data-start=\"5464\" data-end=\"5760\">Durante Trndez, casais e jovens saltavam sobre fogueiras para garantir sorte e fertilidade. Tamb\u00e9m se faziam adivinha\u00e7\u00f5es por meio da fuma\u00e7a, buscando prever o futuro ou descobrir a origem de um poss\u00edvel casamento. Pratos tradicionais eram preparados e levados ao redor da fogueira como oferendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" data-start=\"5464\" data-end=\"5760\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/armenianweekly.com\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/G3A1513-768x512.jpg\" width=\"756\" height=\"504\" \/>Arm\u00eanios celebrando o Trndez<\/p>\n<h2 class=\"text-xl font-bold text-text-100 mt-1 -mb-0.5\" style=\"text-align: center;\">Tsakhkazard (ou Tsarzardar): um Culto \u00e0 Natureza<\/h2>\n<div>\n<p data-start=\"5821\" data-end=\"6028\">Celebrado uma semana antes da P\u00e1scoa, o Tsakhkazard simboliza a entrada triunfal de Jesus em Jerusal\u00e9m. Na celebra\u00e7\u00e3o, ramos de salgueiro ou oliveira s\u00e3o aben\u00e7oados e levados para casa como sinal de prote\u00e7\u00e3o e fartura.<\/p>\n<p data-start=\"6030\" data-end=\"6256\">Mas, antes do cristianismo, esse festival era uma celebra\u00e7\u00e3o do renascimento da natureza e da fertilidade das \u00e1rvores. Os antigos arm\u00eanios decoravam \u00e1rvores sagradas com frutas, ovos coloridos e fitas, pedindo chuva e prosperidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" data-start=\"6030\" data-end=\"6256\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.armgeo.am\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/28617012_1660083684074228_7149357194940642458_o.jpg?resize=1200%2C800&amp;ssl=1\" alt=\"Armenian National Holidays\" width=\"846\" height=\"564\" \/>Tsakhkazard celebrado na Arm\u00eania; ao fundo, o templo pag\u00e3o de Garni<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<h2 class=\"text-xl font-bold text-text-100 mt-1 -mb-0.5\" style=\"text-align: center;\">Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p data-start=\"6545\" data-end=\"6935\">As festas nacionais da Arm\u00eania s\u00e3o testemunhos vivos de uma cultura milenar! As antigas tradi\u00e7\u00f5es pag\u00e3s foram assimiladas pelo cristianismo, mas muitos costumes \u2013 como pintar ovos, molhar-se com \u00e1gua ou saltar sobre fogueiras \u2013 continuam a ser praticados at\u00e9 hoje, conectando o presente ao passado!<\/p>\n<p data-start=\"6937\" data-end=\"7143\">Mais do que simples datas no calend\u00e1rio, esses feriados celebram a natureza, a fertilidade, o amor, a espiritualidade e a uni\u00e3o do povo arm\u00eanio com sua terra e suas divindades \u2013 sejam elas pag\u00e3s ou crist\u00e3s!<\/p>\n<p>Viva a hist\u00f3ria Arm\u00eania!<\/p>\n<\/div>\n<p data-start=\"6937\" data-end=\"7143\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As festas nacionais arm\u00eanias carregam significados que v\u00e3o muito al\u00e9m do que vemos nos dias de hoje. Ao longo dos s\u00e9culos, esses feriados se transformaram, assumindo novos significados e modos com a chegada do cristianismo, mas sem perder as ra\u00edzes originais que povoam o imagin\u00e1rio do povo arm\u00eanio! Essas celebra\u00e7\u00f5es resistiram ao tempo e \u00e0 mudan\u00e7a de cren\u00e7as; elas continuam vivas por meio da cultura milenar e popular arm\u00eania, dos rituais e, claro, das tradi\u00e7\u00f5es familiares. Hoje em dia, mesmo que muito desses feriados sejam celebrados sob um vi\u00e9s crist\u00e3o, suas origens remontam aos tempos pag\u00e3os. Neste texto, vamos conhecer algumas das principais festas nacionais arm\u00eanias, que atravessaram mil\u00eanios, migrando do paganismo para o cristianismo, mas sem perder sua ess\u00eancia cultural! Zatik (P\u00e1scoa) e a Deusa Anahit No mundo crist\u00e3o, a P\u00e1scoa representa a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Em arm\u00eanio, a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada de Zatik, termo que deriva de &#8220;zatel&#8221;, que significa \u201cseparar-se\u201d \u2013 neste caso, do pecado. Portanto, esse \u00e9 um dia sagrado que simboliza o renascimento espiritual e a liberta\u00e7\u00e3o do mal. Mas, muito antes da era crist\u00e3, os arm\u00eanios j\u00e1 celebravam esta data como um festival da primavera, ligado \u00e0 fertilidade da terra. Essa comemora\u00e7\u00e3o era dedicada \u00e0 deusa Anahit, considerada a protetora da fertilidade e uma das principais divindades femininas do pante\u00e3o arm\u00eanio. Est\u00e1tua da deusa Anahit, que pertence ao Museu Brit\u00e2nico e que atualmente est\u00e1 exposta no Museu de Hist\u00f3ria da Arm\u00eania A Lenda da Deusa Anahit e o P\u00e1ssaro de Fogo Segundo a tradi\u00e7\u00e3o arm\u00eania, ap\u00f3s o dil\u00favio, os arianos que chegaram ao vale do Ararat encontraram a natureza acinzentada e sem vida. Para restaurar as cores do mundo, um homem chamado Man ofereceu sacrif\u00edcios \u00e0 deusa Anahit; ela respondeu que somente o m\u00edtico P\u00e1ssaro de Fogo poderia devolver a vitalidade ao mundo, espalhando cores ao cantar e ao botar ovos coloridos. Man libertou o p\u00e1ssaro do reino subterr\u00e2neo, e ao retornar, ele cantou, coloriu o mundo e encheu o vale com ovos m\u00e1gicos. A deusa Anahit ent\u00e3o espalhou esses ovos pela regi\u00e3o e ordenou que o p\u00e1ssaro fizesse ninho no Monte Ararat para manter vivas as cores da terra. Desde ent\u00e3o, a P\u00e1scoa passou a ser celebrada como a renova\u00e7\u00e3o da vida e a chegada da primavera. Os ovos pintados simbolizavam a fertilidade e a alegria da esta\u00e7\u00e3o \u2013 e eram coloridos de forma vibrante, diferentemente do costume crist\u00e3o \u2013 de muitos lugares do mundo \u2013 de pint\u00e1-los de vermelho. Ovos comuns na P\u00e1scoa na Arm\u00eania A Virgem Maria e a Deusa Anahit Outra festa crist\u00e3 arm\u00eania muito celebrada \u00e9 a Dormi\u00e7\u00e3o da M\u00e3e de Deus, tamb\u00e9m conhecida como a b\u00ean\u00e7\u00e3o das uvas. A tradi\u00e7\u00e3o conta que, durante 12 anos ap\u00f3s a crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus, Maria continuamente visitava seu t\u00famulo, at\u00e9 que foi informada por um anjo sobre sua ascens\u00e3o aos c\u00e9us. Com a ado\u00e7\u00e3o do cristianismo, as caracter\u00edsticas da deusa Anahit \u2013 feminilidade, maternidade, fertilidade \u2013 foram atribu\u00eddas \u00e0 Virgem Maria. Os antigos templos de Anahit tornaram-se igrejas marianas e as festas pag\u00e3s foram absorvidas e ressignificadas pela nova f\u00e9. Essa b\u00ean\u00e7\u00e3o das uvas tamb\u00e9m fazia parte do Navasard, o Ano Novo arm\u00eanio; era um ritual de agradecimento pelas colheitas. Sempre, a primeira fruta da videira era oferecida \u00e0 deusa Anahit como sinal de respeito. J\u00e1 nos dias atuais, apenas as uvas s\u00e3o aben\u00e7oadas na igreja, porque delas tamb\u00e9m se faz o vinho sagrado utilizado nas liturgias. B\u00ean\u00e7\u00e3o das uvas, uma tradi\u00e7\u00e3o arm\u00eania O Navasard era comemorado no in\u00edcio de agosto e marcava o in\u00edcio da colheita. Fam\u00edlias se reuniam nos campos para rituais de gratid\u00e3o, com dan\u00e7as, m\u00fasicas e festas comunit\u00e1rias. Era um dos feriados mais importantes do calend\u00e1rio pag\u00e3o, celebrando a abund\u00e2ncia, a natureza e a unidade do povo arm\u00eanio. Imagem retratando o Navasard, o Ano Novo arm\u00eanio Vardavar e a Deusa Astghik Hoje em dia, o Vardavar \u00e9 celebrado como a festa da Transfigura\u00e7\u00e3o de Cristo, sempre comemorada no 98\u00ba dia ap\u00f3s a P\u00e1scoa. Durante este divertido feriado, \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o as pessoas se molharem com baldes d\u2019\u00e1gua, soltar pombas e celebrar com muita alegria, todos esses s\u00edmbolos que remetem \u00e0 hist\u00f3ria da Arca de No\u00e9 e \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, antes do cristianismo, Vardavar era um festival pag\u00e3o em homenagem \u00e0 deusa do amor e da beleza, Astghik. Nascida da espuma do mar, a lenda conta que onde ela passava, ela deixava rastros de sangue que se transformavam em rosas. O nome da festa vem da palavra \u201cvard\u201d, que significa rosa em arm\u00eanio. Por falar em Astghik, ela era amada pelo deus do trov\u00e3o, Vahagn. Em momento m\u00edtico, ela \u00e9 sequestrada por uma criatura do submundo, mergulhando o mundo na tristeza e feiura. Quando Vahagn a resgata, ele percorre a Arm\u00eania espalhando \u00e1gua de rosas e restaurando a beleza e o amor. Durante o Vardavar, os arm\u00eanios homenageavam Astghik jogando \u00e1gua uns nos outros, decorando com rosas e celebrando a beleza e o amor. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m era um dia de rituais relacionados \u00e0 \u00e1gua, um elemento considerado sagrado e s\u00edmbolo de pureza. Imagem retratando a deusa Astghik Trndez: Festival do Fogo Celebrado 40 dias ap\u00f3s o Natal, o Trndez \u00e9 um feriado crist\u00e3o dedicado \u00e0 luz e ao amor de Deus. Mas, mais uma vez, suas origens s\u00e3o pag\u00e3s: era uma festa do fogo, elemento considerado uma forma terrena do sol, o qual os arm\u00eanios cultuavam. Durante Trndez, casais e jovens saltavam sobre fogueiras para garantir sorte e fertilidade. Tamb\u00e9m se faziam adivinha\u00e7\u00f5es por meio da fuma\u00e7a, buscando prever o futuro ou descobrir a origem de um poss\u00edvel casamento. Pratos tradicionais eram preparados e levados ao redor da fogueira como oferendas. Arm\u00eanios celebrando o Trndez Tsakhkazard (ou Tsarzardar): um Culto \u00e0 Natureza Celebrado uma semana antes da P\u00e1scoa, o Tsakhkazard simboliza a entrada triunfal de Jesus em Jerusal\u00e9m. Na celebra\u00e7\u00e3o, ramos de salgueiro ou oliveira s\u00e3o aben\u00e7oados e levados para casa como sinal de prote\u00e7\u00e3o e fartura. Mas, antes do cristianismo, esse festival era uma celebra\u00e7\u00e3o do renascimento da natureza e da fertilidade das \u00e1rvores. Os antigos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1558,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[3,18],"tags":[],"class_list":["post-1544","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-armenia","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1544"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1544\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1559,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1544\/revisions\/1559"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1544"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}