{"id":398,"date":"2023-03-16T16:15:31","date_gmt":"2023-03-16T19:15:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/?p=398"},"modified":"2023-04-14T16:36:16","modified_gmt":"2023-04-14T19:36:16","slug":"comunidade-internacional-precisa-agir-para-evitar-novo-genocidio-armenio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ugab.org.br\/site\/2023\/03\/16\/comunidade-internacional-precisa-agir-para-evitar-novo-genocidio-armenio\/","title":{"rendered":"Comunidade internacional precisa agir para evitar novo genoc\u00eddio arm\u00eanio"},"content":{"rendered":"<p><em>Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o diretor da UGAB Brasil, Haig Apovian, escreve sobre a atual situa\u00e7\u00e3o de Artsakh, onde desde o dia 12 de dezembro mais de 120 mil pessoas que vivem na regi\u00e3o est\u00e3o sitiadas devido a um bloqueio coordenado pelo governo do Azerbaij\u00e3o. Confira na \u00edntegra o texto:<\/em><\/p>\n<p><strong>\u201cComunidade internacional precisa agir para evitar novo genoc\u00eddio arm\u00eanio<br \/>\n<\/strong><em>Reconhecer independ\u00eancia da Rep\u00fablica de Artsakh em 2122 pode ser tarde demais<\/em><\/p>\n<p>Desde o dia 12 de dezembro, mais de 120 mil pessoas que vivem em Artsakh [Nagorno-Karabakh] est\u00e3o sitiadas devido a um bloqueio coordenado pelo governo do Azerbaij\u00e3o, que isola a regi\u00e3o do mundo exterior, deixando toda a popula\u00e7\u00e3o, incluindo idosos, pacientes internados e mais de 30 mil crian\u00e7as, sem acesso a alimentos, rem\u00e9dios, combust\u00edveis e itens de necessidades b\u00e1sicas no meio do inverno.<\/p>\n<p>Por tr\u00eas dias, o fornecimento de g\u00e1s, fundamental para o aquecimento, tamb\u00e9m foi cortado, mas restabelecido ap\u00f3s repreens\u00f5es por parte de governos ocidentais. O bloqueio quer impor \u00e0 popula\u00e7\u00e3o arm\u00eania, que habita a regi\u00e3o h\u00e1 milhares de anos, a ideia de que a continuidade em suas terras ancestrais n\u00e3o \u00e9 mais vi\u00e1vel e faz parte de uma t\u00e1tica orquestrada de limpeza \u00e9tnica e elimina\u00e7\u00e3o do povo arm\u00eanio.<\/p>\n<p>Ironicamente, no momento em que o mundo celebra as festas de fim de ano, os arm\u00eanios, primeiro povo crist\u00e3o do mundo, enfrentam o per\u00edodo natalino lutando mais uma vez pela sua sobreviv\u00eancia \u2014pouco mais de cem anos ap\u00f3s o evento que ficou conhecido como o primeiro genoc\u00eddio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>O genoc\u00eddio arm\u00eanio, cometido pelo imp\u00e9rio otomano e exemplo utilizado quando foi cunhado o pr\u00f3prio termo genoc\u00eddio, \u00e9 amplamente reconhecido pela maioria das na\u00e7\u00f5es ocidentais e \u00f3rg\u00e3os internacionais, mas \u00e9 negado veementemente at\u00e9 os dias de hoje pela Turquia e seu Estado sat\u00e9lite, o Azerbaij\u00e3o.<\/p>\n<p>O termo, que descreve uma a\u00e7\u00e3o deliberada para elimina\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o ou grupo \u00e9tnico, reflete as a\u00e7\u00f5es praticadas atualmente pelo governo de Baku.<\/p>\n<p>Sob o falso pretexto de serem \u201cecoativistas\u201d, \u201cmanifestantes\u201d bloqueiam a \u00fanica via que conecta Artsakh \u00e0 Rep\u00fablica da Arm\u00eania e impedem a entrada de insumos b\u00e1sicos \u00e0 sobreviv\u00eancia e a sa\u00edda de cidad\u00e3os da Rep\u00fablica de Artsakh, efetivamente condenando \u00e0 morte pessoas que precisam de cuidados. Essa situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorreu nos \u00faltimos dias com pacientes internados em UTIs na capital da regi\u00e3o, Stepanakert.<\/p>\n<p>Diversos dos supostos manifestantes foram identificados como pessoas ligadas a grupos extremistas e agentes das for\u00e7as especiais com elos com o governo de Baku, em flagrante contraste ao tratamento dispensado a manifestantes reais, recorrentemente presos e perseguidos pelo governo do Azerbaij\u00e3o.<\/p>\n<p>O Azerbaij\u00e3o, uma petroditadura que possui um dos piores \u00edndices no mundo em corrup\u00e7\u00e3o e liberdade de imprensa e um longo hist\u00f3rico de agress\u00e3o a opositores e minorias, possui reais problemas ambientais, especialmente na costa do mar C\u00e1spio, onde est\u00e3o os campos de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Mas l\u00e1, ao contr\u00e1rio do que ocorre nas falsas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza e direitos humanos. Ao contr\u00e1rio da aten\u00e7\u00e3o e cobertura que as agress\u00f5es sofridas pela Ucr\u00e2nia est\u00e3o recebendo, os mais de 120 mil arm\u00eanios de Nagorno-Karabakh est\u00e3o abandonados \u00e0 pr\u00f3pria sorte, sufocados lentamente por um dos governos mais repressores e violentos do mundo, que em 2020 lan\u00e7ou uma guerra em plena pandemia, matando mais de 5.000 arm\u00eanios.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental que governos e \u00f3rg\u00e3os de todo o mundo civilizado se manifestem contra a agress\u00e3o deliberada sofrida pela popula\u00e7\u00e3o de Artsakh, a fim de evitar a repeti\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria com um novo genoc\u00eddio. Em agosto de 1939, antes de invadir a Pol\u00f4nia, como justificativa para a impunidade do que seria cometido, Hitler teria dito: \u201cQuem hoje se lembra dos arm\u00eanios?\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de reconhecer a independ\u00eancia da Rep\u00fablica de Artsakh e se manifestar pelo direito do povo arm\u00eanio de viver em paz em suas terras! Reconhecer o fato em 2122 pode ser tarde demais!\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o diretor da UGAB Brasil, Haig Apovian, escreve sobre a atual situa\u00e7\u00e3o de Artsakh, onde desde o dia 12 de dezembro mais de 120 mil pessoas que vivem na regi\u00e3o est\u00e3o sitiadas devido a um bloqueio coordenado pelo governo do Azerbaij\u00e3o. Confira na \u00edntegra o texto: \u201cComunidade internacional precisa agir para evitar novo genoc\u00eddio arm\u00eanio Reconhecer independ\u00eancia da Rep\u00fablica de Artsakh em 2122 pode ser tarde demais Desde o dia 12 de dezembro, mais de 120 mil pessoas que vivem em Artsakh [Nagorno-Karabakh] est\u00e3o sitiadas devido a um bloqueio coordenado pelo governo do Azerbaij\u00e3o, que isola a regi\u00e3o do mundo exterior, deixando toda a popula\u00e7\u00e3o, incluindo idosos, pacientes internados e mais de 30 mil crian\u00e7as, sem acesso a alimentos, rem\u00e9dios, combust\u00edveis e itens de necessidades b\u00e1sicas no meio do inverno. Por tr\u00eas dias, o fornecimento de g\u00e1s, fundamental para o aquecimento, tamb\u00e9m foi cortado, mas restabelecido ap\u00f3s repreens\u00f5es por parte de governos ocidentais. O bloqueio quer impor \u00e0 popula\u00e7\u00e3o arm\u00eania, que habita a regi\u00e3o h\u00e1 milhares de anos, a ideia de que a continuidade em suas terras ancestrais n\u00e3o \u00e9 mais vi\u00e1vel e faz parte de uma t\u00e1tica orquestrada de limpeza \u00e9tnica e elimina\u00e7\u00e3o do povo arm\u00eanio. Ironicamente, no momento em que o mundo celebra as festas de fim de ano, os arm\u00eanios, primeiro povo crist\u00e3o do mundo, enfrentam o per\u00edodo natalino lutando mais uma vez pela sua sobreviv\u00eancia \u2014pouco mais de cem anos ap\u00f3s o evento que ficou conhecido como o primeiro genoc\u00eddio do s\u00e9culo 20. O genoc\u00eddio arm\u00eanio, cometido pelo imp\u00e9rio otomano e exemplo utilizado quando foi cunhado o pr\u00f3prio termo genoc\u00eddio, \u00e9 amplamente reconhecido pela maioria das na\u00e7\u00f5es ocidentais e \u00f3rg\u00e3os internacionais, mas \u00e9 negado veementemente at\u00e9 os dias de hoje pela Turquia e seu Estado sat\u00e9lite, o Azerbaij\u00e3o. O termo, que descreve uma a\u00e7\u00e3o deliberada para elimina\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o ou grupo \u00e9tnico, reflete as a\u00e7\u00f5es praticadas atualmente pelo governo de Baku. Sob o falso pretexto de serem \u201cecoativistas\u201d, \u201cmanifestantes\u201d bloqueiam a \u00fanica via que conecta Artsakh \u00e0 Rep\u00fablica da Arm\u00eania e impedem a entrada de insumos b\u00e1sicos \u00e0 sobreviv\u00eancia e a sa\u00edda de cidad\u00e3os da Rep\u00fablica de Artsakh, efetivamente condenando \u00e0 morte pessoas que precisam de cuidados. Essa situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorreu nos \u00faltimos dias com pacientes internados em UTIs na capital da regi\u00e3o, Stepanakert. Diversos dos supostos manifestantes foram identificados como pessoas ligadas a grupos extremistas e agentes das for\u00e7as especiais com elos com o governo de Baku, em flagrante contraste ao tratamento dispensado a manifestantes reais, recorrentemente presos e perseguidos pelo governo do Azerbaij\u00e3o. O Azerbaij\u00e3o, uma petroditadura que possui um dos piores \u00edndices no mundo em corrup\u00e7\u00e3o e liberdade de imprensa e um longo hist\u00f3rico de agress\u00e3o a opositores e minorias, possui reais problemas ambientais, especialmente na costa do mar C\u00e1spio, onde est\u00e3o os campos de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. 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