Hovhannes Tumanyan: o Poeta Nacional da Armênia

Hovhannes Tumanyan, frequentemente chamado de poeta nacional da Armênia, é uma das figuras literárias mais reverenciadas da história armênia. Suas obras, profundamente enraizadas nas tradições, lutas e aspirações do povo armênio, transcenderam o tempo e continuam a ressoar com leitores de todas as gerações. A poesia, a prosa e o engajamento de Tumanyan refletem seu profundo amor por sua terra natal, seu compromisso com a justiça social e sua crença inabalável no poder da literatura para inspirar e unir. Este texto explora a vida de Tumanyan, suas contribuições literárias e seu legado duradouro como um símbolo da identidade e do orgulho cultural armênio.   Hovhannes Tumanyan, o poeta de todos os armênios Origens Hovhannes Tumanyan nasceu em 19 de fevereiro de 1869 na aldeia de Dsegh, na região de Lori, na Armênia, que na época fazia parte do Império Russo. Sua cidade natal desempenhou um papel significativo na formação da visão de mundo e das sensibilidades artísticas de Tumanyan. Além disso, a Armênia, de forma geral, com sua beleza natural – e combinada Acom as ricas tradições orais e o folclore de seu povo -, deixou uma marca indelével em sua imaginação criativa. Tumanyan nasceu em uma família numerosa –  ele tinha sete irmãos. Sua mãe, Sona, era uma grande contadora de histórias, o que influenciou o trabalho do grande poeta. Já seu pai, Aslan, era sacerdote. Aslan e Sona, os pais de Tumanyan   A criação religiosa de Tumanyan o expôs aos valores espirituais e morais que mais tarde permeariam suas obras. Apesar dos recursos modestos de sua família, os pais de Tumanyan reconheceram a importância da educação e garantiram que ele recebesse instrução formal. Ele frequentou a escola paroquial local em Dsegh e, mais tarde, continuou seus estudos em Tiflis (atual Tbilisi, Geórgia), um centro cultural e intelectual para os armênios durante o século XIX. Início literário e influências A jornada literária de Tumanyan começou cedo. Ele era um leitor ávido e se inspirava nos contos populares armênios, na literatura clássica e nas obras de escritores europeus e russos. As tradições orais de seu vilarejo, incluindo poemas épicos, lendas e canções, influenciaram profundamente seu estilo de escrita e suas escolhas temáticas. As primeiras obras de Tumanyan frequentemente refletiam a simplicidade e a autenticidade da vida rural, capturando a essência da cultura e das tradições armênias. Em Tiflis, Tumanyan se tornou parte de uma vibrante comunidade intelectual e literária. Ele se associou a proeminentes escritores, poetas e pensadores armênios da época, como Raffi, Ghazaros Aghayan e Avetik Isahakyan. Essas interações enriqueceram sua compreensão da literatura e fortaleceram seu compromisso em usar sua arte para abordar questões sociais e nacionais.   Poetas e pensadores armênios da época, em um grupo conhecido como Vernatun; Tumanyan é o primeira da esquerda para direita (sentado) Pelo seu talento e liderança, ele foi eleito presidente da Companhia de Escritores Armênios do Cáucaso em 1912. Principais obras A produção literária de Tumanyan é vasta e variada, abrangendo poesia, prosa, fábulas e ensaios. Suas obras são caracterizadas por sua beleza lírica, profundidade moral e apelo universal. Alguns de seus trabalhos incluem os seguintes estilos e obras: Poesia: A poesia de Tumanyan é marcada por sua intensidade emocional e profunda conexão com a experiência armênia. Poemas como “Anush”, “A Captura de Tmkaberd” e “David de Sassoun” exploram temas como amor, heroísmo e identidade nacional. Sua capacidade de tecer elementos históricos e mitológicos em seus versos tornou sua poesia atemporal e profundamente enraizada na herança armênia. Fábulas: As fábulas de Tumanyan, frequentemente inspiradas em Esopo e La Fontaine, são amadas por sua sagacidade, sabedoria e lições morais. Obras como “O Cão e o Gato” e “O Pássaro” usam personagens animais para abordar falhas humanas e questões sociais, tornando-as acessíveis a leitores de todas as idades. Prosa: Os contos e romances de Tumanyan, como “Giko” e “O Mestre e o Servo”, oferecem retratos comoventes da vida rural e das lutas das pessoas comuns. Sua prosa é notável por suas descrições vívidas, profundidade psicológica e comentários sociais. Folclore e Adaptações: Tumanyan desempenhou um papel crucial na preservação e popularização do folclore armênio. Ele coletou e recontou histórias tradicionais, garantindo que chegassem a um público mais amplo. Suas adaptações de contos épicos, como “David de Sassoun”, são consideradas obras-primas da literatura armênia. Capa da edição americana de “O Pássaro” Engajamento político Além de suas conquistas literárias e familiares (ele se casou aos 19 com Olga e teve 10 filhos), Tumanyan estava profundamente envolvido nas questões sociais e políticas de seu tempo. Ele viveu durante um período tumultuado da história armênia, marcado pelo declínio do Império Otomano, o Genocídio Armênio e a luta pela independência nacional. Tumanyan usou sua voz e influência para defender justiça, educação e preservação cultural. Durante o Genocídio Armênio, Tumanyan esteve ativamente envolvido em esforços de ajuda aos afetados, auxiliando refugiados e conscientizando sobre as atrocidades cometidas contra o povo armênio pelo Império Otomano. Seu poema “Os Massacres Armênios” é um testemunho poderoso de sua dor e indignação diante da tragédia. E antes mesmo do Genocídio Armênio ele já era ativo politicamente. Durante os massacres armênio-tártaros provocados pelo governo de 1905-1907, Tumanyan assumiu o papel de pacificador, pelo qual foi preso duas vezes pelo Império Russo. Ele também criticou profundamente um conflinto entre Amênia e Geórgia. Mas não só na esfera política ele atuou. Ele também desempenhou um papel fundamental na vida cultural e intelectual da diáspora armênia. Ele foi um dos membros fundadores do grupo literário Vernatun em Tiflis, que reuniu proeminentes escritores e intelectuais armênios. Por meio de seus escritos e discursos públicos, Tumanyan buscou promover um senso de unidade e orgulho entre os armênios, tanto na pátria quanto no exterior. Assim, ele fundou em 1921 a Casa da Arte Armênia.   No outono de 1921, Tumanyan foi a Constantinopla (atual Istambul) para encontrar apoio aos refugiados armênios. Depois de meses lá, ele voltou doente. Após uma cirurgia em 1922, ele começou a melhorar,Mas em setembro, a doença de Tumanyan começou a progredir novamente. Ele foi transferido para um hospital em Moscou, onde morreu em 23 de março

Concerto da Orquestra de Jazz Sinfônico da Armênia

 A UGAB Brasil promoveu, em parceria com a Embaixada da República da Armênia no Brasil e o Sesc São Paulo, o concerto da Armenian State Jazz Orchestra, que se apresentou no teatro do Sesc Bom Retiro, no dia 4 de dezembro. O espetáculo, que contou com casa cheia, homenageou o centenário de Charles Aznavour, um dos maiores nomes da música armênia e mundial. Durante a apresentação, a orquestra encantou o público com interpretações de clássicos que marcaram a carreira do artista, em uma noite de emoção, talento e celebração cultural. O evento também contou com a presença do embaixador da República da Armênia no Brasil, Sr. Armen Yeganian, e de representantes da comunidade armênia e do público paulistano, que prestigiaram a ocasião.

Taraz: um símbolo tradicional armênio

Em uma nação onde tradição e cultura são parte essenciais da vida, o taraz – a vestimenta tradicional armênia – é um símbolo de elegância e um patrimônio passado de geração em geração. As roupas vibrantes e únicas da Armênia não só resistiram ao tempo, mas também se transformaram em um meio para a expressão artística contemporânea. Vamos investigar mais abaixo a história rica do taraz armênio. Desenho com alguns modelos de taraz A história do taraz A história do taraz armênio, ou o intricado e multifacetado traje tradicional do povo armênio, remonta a séculos e incorpora a essência da identidade armênia. Na verdade, a palavra “taraz” – que significa “maneira” ou “forma” – tem origens no idioma farsi. Como a história armênia abrange milênios, a arte do taraz evoluiu graciosamente através de fases distintas, adaptando-se naturalmente aos estilos em mudança. Cada região da Armênia Oriental e Ocidental tinha sua própria tradição distinta de taraz, que evoluiu em paralelo com o contexto histórico e regional.   Modelo de taraz O taraz não se refere a uma ou duas peças de vestuário, mas sim a uma coleção de peças, incluindo vestidos, roupas íntimas, chapéus, calçados e acessórios. No início, a maioria dos elementos do taraz eram feitos de lã, algodão e pele. Com o tempo, a seda importada da China na Rota da Seda foi usada pela realeza. As cores, o tecido e a ornamentação do Taraz foram detalhados e intencionais. De acordo com o filósofo armênio do século XIV, Grigor Tatevatsi, as cores representavam os quatro elementos da Terra. O preto representava a terra, o branco representava a água, o vermelho simbolizava o ar e o amarelo refletia o fogo. Magenta simbolizava prudência e sabedoria. O vermelho também representava bravura e martírio, e o branco frequentemente representava pureza. O amarelo raramente era usado; em vez disso, tons de ocre eram proeminentes. O azul raramente era usado, pois simbolizava luto e sofrimento. Os elementos do design também informavam ao observador fatos importantes sobre quem o usava, como estado civil, número de filhos, riqueza e região de origem. Além de sua beleza especial na celebração do casamento de quem o usava, o taraz nupcial tinha como objetivo afastar o mal. Você pode ver um vestido de noiva e acessórios lindamente preservados no Museu de História de Yerevan. Depois do casamento, as mulheres frequentemente usavam um chapéu em forma de torre, decorado com fitas ou detalhes prateados. Cobrindo metade da testa, o chapéu foi então envolto em tecido branco para mantê-lo no lugar. Em todo o mundo armênio, as mulheres sempre usavam avental. Estes variavam em estilo, alguns cobrindo apenas a saia e outros o vestido inteiro. Uma árvore da vida ou ícones domésticos eram frequentemente bordados neles. Um avental vermelho significava o status de casado de quem o usava; se as mulheres sofressem de infertilidade, trocariam frequentemente os seus aventais vermelhos por azuis. As roupas das mulheres mais ricas ostentavam bordados de fios prateados e dourados. Cintos, colares, brincos e tiaras prateados acrescentaram beleza e sofisticação ao look. Os homens frequentemente usavam calças largas e um caftã com cinto sobre uma camisa bordada. Um cinto prateado significava maturidade e um cinto dourado, riqueza. Os chapéus variavam de acordo com a região. Alguns tinham formato de cone, outros eram feitos de pele e outros ainda tinham topo plano e bordados com motivos regionais tecidos.   Taraz utilizado por um casal armênio A evolução do taraz Você pode observar vários trajes preservados de taraz em museus por toda a Armênia. Em Yerevan, visite o Museu de História da Armênia, o Museu de História de Yerevan, o Museu de Etnografia Armênia, o Museu de Artes Folclóricas e o Museu e Café de Arte Lusik Aguletsi. Em outras regiões, você pode visitar o Museu de Arquitetura Nacional e Vida Urbana em Gyumri, o Museu de Lore Local de Lori-Pambak em Vanadzor, o Museu de Lore Local e Galeria de Arte de Dilijan e o Museu de Lore Local de Goris. Artesãos e designers reconheceram a importância de celebrar a herança do taraz, garantindo que ela permaneça relevante e apreciada tanto pelos habitantes locais como pela comunidade global. Ao longo dos anos, eles encontraram maneiras de incorporar elementos tradicionais de roupas atemporais em roupas modernas. Esta fusão do antigo e do novo deu origem a uma infinidade de estilos que atendem a diferentes gostos e preferências. O bordado, parte integrante de taraz, também evoluiu, incorporando padrões modernos ao lado de motivos que carregam um profundo significado cultural. No verão, você pode desfrutar de designs históricos e contemporâneos no anual Festival Taraz, um evento que celebra todas as coisas do taraz. O evento inclui uma exposição, danças tradicionais utilizando o taraz, além de exposição de coleções de designers. Vista você mesmo o taraz Uma bela maneira de vivenciar o taraz ao máximo é experimentar você mesmo! Você terá a oportunidade de fazer isso em vários locais doa Armênia. Equipes dos estúdios fotográficos que oferecem este serviço mostrarão uma variedade de estilos do taraz de diferentes regiões e oferecerão acessórios que melhor combinem. Vestido com perfeição, você pode fazer uma sessão de fotos com seus amigos e familiares ao lado de artefatos históricos como móveis de madeira, tapetes ou armas. As fotografias serão memórias preciosas que sempre o lembrarão da sua visita à Armênia. A ideia de atacar e eliminar Talaat, o Ministro do Interior do Império Otomano que ordenou a prisão e deportação dos armênios, surgiu para Tehlirian em 1916, quando, como jovem voluntário, retornou a sua cidade natal e viu a casa de seus pais saqueada e em ruínas. Esse evento lhe causou um forte estresse mental e fez com que perdesse a consciência, tendo visões de sua mãe assassinada. Soghomon Tehlirian não conhecia Talaat pessoalmente, nunca o encontrou cara a cara e nem falava alemão. Ele contava com uma equipe profissional que já havia realizado um extenso trabalho de reconhecimento e organização em Berlim para ajudá-lo a cumprir a missão que lhe foi confiada  

Museus únicos e especiais na Armênia

A Armênia, com sua rica cultura, possui museus incríveis por todo o país, como, por exemplo, o Museu de História da Armênia, no coração de Yerevan. Porém, há muitos museus não convencionais e muitas vezes esquecidos na Armênia. Abaixo, vamos conhecer alguns deles!   Junte-se a nós enquanto examinamos mais de perto alguns dos museus mais interessantes, não convencionais e muitas vezes esquecidos de toda a Armênia! Museu das Etiquetas de Caixas de Fósforos de Tumanyan Viajando ao longo da cênica estrada entre Yerevan e Tbilisi, capital da Geórgia, você atravessará a vila de Tumanyan, uma região ideal para os amantes do ecoturismo. Além disso, é o local onde está situado o fascinante Museu das Etiquetas de Caixas de Fósforos! No passado, as etiquetas decoravam caixas de fósforos, exibindo uma variedade de arte, anúncios e mensagens de utilidade pública. Fundado em 2021, o museu agora abriga uma coleção impressionante com mais de 8.000 rótulos de diferentes partes do mundo. Explore o museu para ver se consegue encontrar alguma especial ou até mesmo do Brasil! A entrada é gratuita e o museu abre das 14h às 18h, de terça-feira a domingo, com visitas guiadas disponíveis. Para saber mais informações sobre o museu, visite a página oficial no Facebook, clicando aqui. Rótulos do Museu das Etiquetas de Caixas de Fósforos de Tumanyan Galeria de Arte Teia de Aranha Mesmo que você morra de medo de aranhas, é impossível não se encantar com a galeria de arte exclusiva feita com teias de aranha. E se você pensa que o nome deste museu é apenas para chamar atenção, é melhor pensar duas vezes, já que as obras expostas são feitas com teias de aranha reais, criadas pelo único artista no mundo a fazer isso, Andranik Avetisyan. O museu fica em Gyumri, a capital cultural da Armênia, e está aberto todos os dias, das 11h às 20h. Para saber mais informações sobre o museu, visite o perfil oficial no Instagram, clicando aqui.   Algumas das obras na Galeria de Arte Teia de Aranha Museus de Ilusões As coisas não são o que parecem no Museu das Ilusões de Gyumri. Veja você confundir o seu cérebro com um tour guiado de 30 minutos pelos truques da luz e da proporção. O museu é voltado para todas as idades, mas, com certeza, as crianças vão adorar ainda mais este museu! E uma informação importante: é melhor visitar o museu em grupo, pois você precisa de pelo menos duas pessoas para completar algumas das incríveis ilusões de ótica. O museu funciona diariamente, das 11h às 20h. Para saber mais informações sobre o museu, visite a página oficial no Facebook, clicando aqui.     Uma das ilusões presentes no Museu de Ilusões, localizado em Gyumri Museu de Ciência e Tecnologia Descubra as contribuições científicas e tecnológicas do povo armênio neste interessante museu! Nele, você poderá explorar mais de cem produtos para uso doméstico e industrial – incluindo um modelo do telescópio rádio-óptico ROT-54 – que foram inventados na Armênia ou anteriormente fabricados em fábricas locais. No momento, o museu destaca-se pela ênfase na computação. Você verá exposições que mostram os primeiros computadores de mesa e partes de mainframes, evidenciando o trabalho pioneiro do Instituto de Microeletrônica de Yerevan. Para maior conveniência dos visitantes, os materiais informativos estão disponíveis em inglês, russo e armênio. Localizado em Yerevan, no complexo do Engineering City, o museu está aberto para visitas das 11h às 18h nos dias úteis. A entrada é gratuita. ara saber mais informações sobre o museu, visite a página oficial no Facebook, clicando aqui. Grupo de crianças visitando o Museu de Ciência e Tecnologia Museu do Qamancha Um dos instrumentos tradicionais da Armênia e da Pérsia, o qamancha de cordas – também chamado de kemenche – brilha como a estrela deste museu. Localizado em Ashtarak, a cerca de 30 minutos de Yerevan, o Museu Qamacha é o único do gênero. Aqui, você pode explorar uma coleção de instrumentos e participar de uma aula especial sobre como fazê-los e tocá-los. E o melhor: a entrada no museu inclui um concerto de 30 minutos. Para mais informações, visite o site oficial do museu clicando aqui. Entrada do museu localizado em Ashtarak Museu Estadual de Escultura em Madeira Venha explorar a tradição da escultura em madeira armênia ao longo dos séculos! Aqui você pode encontrar ferramentas de madeira esculpidas, portas, móveis, instrumentos musicais e muito mais. Inaugurado em 1977 no centro de Yerevan, o museu foi criado por meio de doações de colecionadores e sua coleção foi aumentando ao longo do tempo com peças adquiridas. Os visitantes são bem-vindos das 11h às 17h todos os dias, exceto às segundas-feiras. O museu não possui site oficial, mas está localizado no seguinte endereço: 64 Abovyan. Parte da coleção do Museu Estadual de Escultura em Madeira Casa-Museu de Sergey Merkurov Natural de Gyumri e educado na Universidade de Zurique e na Academia de Arte de Munique, o ativista e escultor do século XX Sergey Merkurov criou mais de 300 máscaras mortuárias em apenas 45 anos. Essas máscaras homenageavam as características faciais exatas de uma grande variedade de figuras, incluindo artistas, escritores, políticos e líderes militares. Em 1984, a Casa-Museu Merkurov foi fundada em sua cidade natal. Os visitantes do museu podem explorar uma coleção de mais de 70 máscaras mortuárias feitas pelo próprio mestre. Para mais informações, visite o site oficial do museu clicando aqui. Parte do acervo da Casa-Museu de Sergey Merkurov Museu Ferroviário da Armênia O Museu Ferroviário da Armênia está localizado no edifício da Estação Ferroviária de Yerevan. Mergulhe na história dos trens enquanto viaja no tempo neste museu. Abrangendo desde 1896 até os dias atuais, a exposição se desenvolve em 10 painéis, cada um detalhando uma época distinta na história das ferrovias. Os visitantes podem explorar o museu de terça a sexta, das 9h às 15h. A entrada é gratuita. Para mais informações, visite o site oficial do museu clicando aqui. Museu Ferroviário da Armênia Esses são apenas alguns dos museus

Morre Aracy Balabanian, ícone da cultura brasileira

Com muita tristeza, o Brasil perdeu hoje, dia 7 de agosto, uma de suas atrizes mais queridas e importantes: a armênia-brasileira Aracy Balabanian. Nascida em 22 de maio de 1940 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Aracy era filha de Rafael e Estér Balabanian, casal que escapou das perseguições otomanas contra armênios e que fixou residência em Campo Grande, sendo a única filha que nasceu durante o casamento dos pais, que tiveram filhos em casamentos anteriores – os irmãos de Aracy são: Maria, Yeranui, Amenui, Arshaluz, Avediz e Armem. Aracy Balabanian na infãncia no Mato Grosso do Sul Seu pai era pastor de ovelhas na Armênia e se casou com uma mulher na década de 1920; no primeiro casamento, Rafael teve cinco filhos. Porém, a esposa dele faleceu aos 28 anos de idade e foi quando ele se casou com Estér, mãe de Aracy, que também era armênia e viúva. Sobre a história de seus pais, Aracy disse: “Meus pais ficaram viúvos ao mesmo tempo, e a colônia os juntou. Um precisava do outro, e, enquanto meu pai criou os filhos da minha mãe, ela criou os dele. Mesmo tendo sido criada com tanta dor, nunca cresci com mágoa, rancor.” E sobre a importância da herança armênia, em 2015, ano do centenário do Genocídio Armênio, ela disse à Folha de S.Paulo: “Frequentei muito a colônia armênia. Minha mãe me ensinava poesias em armênio para declamar todo 24 de abril, noite da lembrança. Eu fazia todos os outros chorarem muito ouvindo isso. Ali vi que gostava do palco”. Também, ela comentou: “Herdei isso de ser batalhadora dos meus antepassados. Acredito que o máximo que fiz, da minha parte, foi dando dignidade ao meu trabalho, em 50 anos de profissão. Muita gente falou para o meu pai não me deixar atuar, ou tirar meu “-ian” do nome. Mas nunca deixei. Como eu viveria sem meu indício de armenidade? Fiz questão de não mudar, porque conhecia a garra de meus antepassados. ‘Vocês são bons brasileiros, mas não esqueçam de onde vieram’, era o que meu pai me dizia. E foi assim que segui.” Carreira Aracy se viu como atriz aos 12 anos de idade, já morando na cidade de São Paulo com a família, ao assistir – levada pelas irmãs mais velhas – a uma peça de Carlo Goldoni com Maria Della Costa. E para seguir a carreira, ela teve que driblar a rejeição de seu pai Rafael, já que, segundo a própria Aracy, essa era uma “época em que não era bonito fazer televisão, nem teatro”. Mas ela venceu a rejeição do pai e, aos 14 anos de idade, foi convidada por Augusto Boal, então diretor do Teatro de Arena, para um teste no Teatro Paulista do Estudante. Lá, ela passou e seu primeiro trabalho foi a peça “Almanjarra”, de Arthur Azevedo. Aos 18 anos, fez vestibular para a Escola de Arte Dramática de São Paulo e para o curso de Ciências Sociais na USP, que era um desejo de seu pai. Aprovada em ambos, ela abandonou o último curso no terceiro ano para se dedicar totalmente ao teatro. E sendo já reverenciada pelos críticos, ela participou de espetáculos do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e integrou o elenco da primeira montagem no Brasil, em 1969, do renomado musical “Hair”. A sua estreia na televisão foi na peça “Antígona”, de Sófocles, montada pela TV Tupi. E mesmo após já estar estabelecida na carreira, seu pai só aceitou de vez a opção profissional da filha em 1968, quando ela contracenou com o ator Sérgio Cardoso na telenovela “Antônio Maria”. Aracy Balabanian (à esquerda) em “Antônio Maria”, da TV Tupi Dentre seus diversos trabalhos em 60 anos de carreira, certamente, um dos mais marcantes foi a icônica Dona Armênia em “Rainha da Sucata”, novela de 1990 escrita por Silvio de Abreu. Na novela, ela era uma mãe controladora de três filhos e, para dar vida à personagem, ela pegou emprestado o sotaque e alguns costumes armênios da família – o personagem fez tanto sucesso que voltou em “Deus nos Acuda”, de 1992. Aracy Balabanian como a icônida Dona Armênia em “Rainha da Sucata” Em 1995, ela interpretou a manipuladora Filomena em “A Próxima Vítima”, novela também escrita por Silvio de Abreu. Por esse papel, ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista de Críticos de Arte. Aracy Balabanian como a icônida Dona Armênia em “A Próxima Vítima” Após esses sucessos mencionados acima, a consagração veio com Cassandra, personagem da sitcom “Sai de Baixo”, de 1996, que fez muito sucesso no Brasil e Portugal. Na sitcom, que era exibida aos domingos à noite e que era gravada em um teatro com plateia ao mesmo tempo que incorporava risos e improvisos do elenco, Aracy interpretava uma socialite decadente. Sobre o programa, que teve mais de 240 episódios, ela disse: “Eu me vi fazendo uma coisa que é o sonho de todo ator: teatro e televisão, ao mesmo tempo“. Aracy Balabanian ao lado de Luiz Gustavo, Miguel Falabella, Marisa Orth e Márcia Cabrita, elenco da sitcom “Sai de Baixo” Armênia Mesmo com tanto sucesso e reconhecimento, nunca esqueceu suas raízes armênias. Aracy jamais abriu mão da memória do que seus pais e colegas de diáspora contavam sobre o período sombrio da história otomana e, por isso, ela sempre foi uma das vozes que mais lutou no Brasil pelo reconhecimento do Genocídio Armênio e, mais do que isso, sempre carregou com orgulho o seu sobrenome armênio. Simpatizante, associada e colaboradora da UGAB, esteve presente em diversos eventos da nossa instituição. Regina Bazarian, ex-Presidente da UGAB Brasil, e Aracy Balabanian em 2000, quando a atriz foi homenageada pela UGAB Brasil E neste dia tão triste para a cultura brasileira e armênia, a UGAB Brasil deseja os nossos mais sinceros sentimentos aos familiares de Aracy Balabanian. Sentiremos sua falta! Azvadz Hokin Lusavore.   Aracy Balabanian, ícone da cultura brasileira

120 anos do gênio Aram Khachaturian

A cultura armênia é rica em diversos sentidos e campos. Mas, sem dúvidas, um dos destaques fica para a música, com nomes como Sayat Nova e Komitas. E foi na música que surgiu um dos maiores gênios armênios da história: Aram Khachaturian, que hoje, dia 6 de junho, completaria 120 anos. Origens Nascido em 6 de junho de 1903, seu local de nascimento ainda é um mistério: para muitos, nasceu em Tbilisi, capital da Geórgia, que à época era parte do Império Russo e que tinha uma grande presença armênia; para outros, inclusive para o próprio Khachaturian, nasceu no vilarejo de Kodzhori, próximo a Tbilisi. Seu pai Yeghia (Ilya) Khachaturian e sua mãe Kumash Sarkisovna ficaram noivos antes de se conhecerem, quando seu pai tinha 19 anos e sua mãe nove anos de idade. Tiveram cinco filhos – quatro filhos e uma filha –, sendo Aram o mais novo. Ele recebeu sua educação primária na escola comercial de Tbilisi e, como profissão, considerou seguir carreira em medicina ou engenharia, Nos Séculos XIX e XX, Tbilisi era uma cidade multicultural e centro administrativo do Cáucaso. Assim, Khachaturian foi exposto a várias culturas e, em um artigo escrito em 1952 intitulado “Minha ideia do elemento folclórico na música”, ele disse: “Cresci num ambiente rico em música folclórica: festividades populares, ritos, acontecimentos alegres e tristes na vida do povo sempre acompanhados de música, as melodias vivas de canções e danças armênias, azerbaijanas e georgianas executadas por bardos folclóricos [ashugs] e músicos — tais foram as impressões que ficaram gravadas na minha memória, que determinaram o meu pensamento musical. Eles moldaram a minha consciência musical e lançaram as bases da minha personalidade artística…” Família de Aram Khachaturian, 1913, Tbilisi Sentados: Suren, Kumash Sarkisovna, Aram (braços cruzados), Yeghia Voskanovich, Levon Em pé: Sara Dunaeva (esposa de Suren), Vaginak e sua esposa Arusyak Aos 18 anos de idade, Aram Khachaturian se mudou para Moscou, onde já vivia seu irmão Suren; lá, se matriculou no Instituto Musical Gnessin para estudar música, ao mesmo tempo que estudava biologia na Universidade Estadual de Moscou. O seu desenvolvimento musical foi rápido e rapidamente ele se tornou um dos melhores alunos. Inicialmente estudando violoncelo, mais tarde ele ingressou em um curso de composição e foi nesse período, a partir de 1925, que ele compõe suas primeiras obras: a Suíte de Dança para violino e piano (1926) e o Poema em Dó Sustenido Menor (1927). Nesses primeiros trabalhos, ele usou extensivamente a música folclórica armênia.   Aram Khachaturian em seus anos de estudante Porém, apesar da influência armênia, vale a pena mencionar que Aram Khachaturian sempre foi desprovido de qualquer ufanismo; ele tinha um profundo respeito e um vivo interesse pela música de várias nações e o internacionalismo é um dos traços característicos do trabalho criativo do célebre compositor. Carreira Em 1935, como trabalho de formatura do Conservatório de Moscou, lançou sua Primeira Sinfonia, marcando o início de um novo período de vida e de trabalho criativo do compositor. O público, a imprensa, colegas e amigos elogiaram o alto valor artístico da composição, a originalidade, a riqueza de melodias, as cores harmônicas e orquestrais e o brilhante colorido nacional da música – mais do que isso, seu trabalho chamou a atenção de maestros proeminentes e logo foi executada pelas melhores orquestras soviéticas da época. Em 1936, ao concluir seus estudos de pós-graduação, iniciou uma carreira criativa ativa e escreveu, no mesmo ano, sua primeira grande obra: Concerto para Piano. Com ela, obteve sucesso e se tornou um compositor respeitado na União Soviético e, além disso, foi tocado e aclamado muito além das fronteiras soviéticas, estabelecendo, assim, seu nome no exterior. Com tanto renome com tão pouca idade, em 1939 ele fez uma viagem de seis meses à sua Armênia natal para fazer um estudo aprofundado do folclore musical armênio e coletar canções folclóricas e danças para seu primeiro balé – intitulado Felicidade -, que completara no mesmo ano. A viagem para a Armênia também serviu, segundo o próprio Khachaturian, como um “segundo conservatório”. Lá, nessa comunhão com a cultura nacional e prática musical do país, aprendeu muito, viu e ouviu muitas coisas e, ao mesmo tempo, teve uma visão dos gostos e exigências artísticas do povo armênio. Em 1942, no auge da Segunda Guerra Mundial, ele reformula seu balé Felicidade e transforma a sua nova obra em um de seus trabalhos mais celebrados: o balé Gayane, uma composição em que o compositor sintetizou habilmente a tradição do balé clássico com o folclore da música nacional armênia e da arte coreográfica. Aram Khachaturian com as bailarinas Xenia Zlatkovskaya e Tatyana Vecheslova em 1942 Apresentado pela primeira vez pelo Balé Kirov, o balé foi um grande sucesso e rendeu a Khachaturian seu segundo Prêmio Stalin (e dessa vez de primeira classe) – ele devolveu o dinheiro da premiação ao estado soviético e pediu para que o estado usasse o valor para a construção de um tanque para o Exército Vermelho. E ainda hoje, Gayane é um sucesso e partes da obra foram utilizados em clássicos do cinema, como “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (1969) e “Aliens, o Resgate” (1986). Em 1943, ele compôs a Segunda Sinfonia pelo 25° aniversário da Revolução de Outubro. Novos e extraordinários lados de seu trabalho criativo foram revelados nesta composição dos anos de guerra, em que a música foi enriquecida com novas cores de heroísmo e tragédia. Dmitriy Shostakovich escreveu: “A Segunda Sinfonia é talvez a primeira composição de Khachaturian, na qual o início trágico atinge novos patamares; mas, apesar da sua essência trágica, esta composição está repleta de profundo otimismo e crença na vitória. Uma combinação de tragédia e afirmação de vida aqui está adquirindo grande poder.” Já em 1944, ele criou duas importantes obras: a música incidental para a peça Masquerade, de Mikhail Lermontov, e o hino nacional da República Socialista Soviética da Armênia. Mesmo com seu sucesso e reconhecimento na União Soviética, em 1948, juntamente com Dmitry Shostakovich e Sergey Prokofiev, Khachaturian foi acusado