AGBU FOCUS 2025 em Yerevan

De 16 a 20 de julho, foi realizado o AGBU Focus 2025, o maior encontro de jovens armênios do mundo. Realizado pela primeira vez na Armenia, o evento reuniu 600 jovens profissionais de 28 países, da Argentina ao Canadá, da China ao Egito, entre outros países que possuem diáspora armênia. O Brasil, como não poderia deixar de ser, esteve representado pelo presidente da UGAB Brasil, Avedis Markossian, pelos jovens Carol Tchakherian e André Abrahamian – que fizeram um trabalho incrível no projeto Arménie, Terre de Vie –; além de ter as presenças de Haig Apovian, Carla Danielian e Mariana Papazian. Carol Tchakherian, o presidente da UGAB Brasil Avedis Markossian, e André Abrahamian O FOCUS tem como objetivo principal unir jovens profissionais armênios a partir de seus interesses e perspectivas compartilhados. Nas palavras de Christina Lalama-Nappi, diretora global do AGBU Young Professionals (YP): “O conceito do FOCUS é único porque é pensado para jovens profissionais e organizado e realizado por eles. Desde seu lançamento em 2001, um grupo local de Jovens Profissionais (YP) assume a liderança em escala global, com a orientação do Escritório Central da UGAB. É uma oportunidade excepcional para desenvolver confiança e habilidades organizacionais, ao mesmo tempo em que elaboram uma agenda que projeta suas próprias sensibilidades, preocupações e aspirações para o mundo.” Como resultado, cada edição do FOCUS tem contribuído para fortalecer a rede global de Jovens Profissionais da UGAB. O número crescente de participantes celebra o patrimônio cultural e a identidade armênia, encontrando um propósito comum por meio de campanhas globais de arrecadação de fundos. Este ano, foram arrecadados mais de 180 mil dólares em apoio ao Programa de Bolsas de Estudo da UGAB. Muitos participantes — alguns visitando a Armênia pela primeira vez — se mergulharam na cena de Yerevan, conhecendo iniciativas da UGAB no país, interagindo com beneficiários dos programas, participando de ações comunitárias, explorando o patrimônio cultural armênio e trocando perspectivas sobre as relações Armênia-Diáspora após 34 anos de independência do país. Uma recepção calorosa O primeiro dia começou com uma recepção na sede da UGAB Yerevan, onde os participantes foram recebidos pelo presidente Vasken Yacoubian, pela diretora-executiva Marina Mkhitaryan e pelo presidente do YP Yerevan, Haykaz Nahapetyan, além da presença de uma equipe internacional, que ajudaram na realização do evento. Parte dos participantes do FOCUS na recepção organizada na sede da UGAB Armênia Em sua fala de abertura, o presidente Vasken Yacoubian incentivou os participantes a fortalecer conexões e propor projetos para uma Armênia mais forte, lembrando que “com uma Armênia forte — um país profundamente enraizado na história e guardião da nossa identidade — teremos uma diáspora forte e uma nação da qual todos nos orgulhamos; então, vamos fazer história juntos com criatividade, coragem e união, pois na união que está a força”. Na abertura, a programação incluiu apresentação de dança tradicional, oficinas de dança, exploração de Yerevan com visitas à Assembleia Nacional, galerias, cinema, fábrica de relógios e pontos turísticos, além de um encontro com o prefeito Tigran Avinyan. Grupo de danças tradicionais armênias no pátio da UGAB Armênia Visita a Etchmiadzin A Reunião Executiva do YP, com mais de 60 participantes, ocorreu na Santa Sede de Etchmiadzin. O encontro abordou formas de tornar as atividades do YP mais eficientes e inclusivas, tanto administrativamente quanto ideologicamente, promovendo maior sinergia entre os grupos YP e suas comunidades. A reunião foi seguida de uma audiência privada com Sua Santidade Karekin II, Patriarca Supremo e Catholicos de Todos os Armênios, acompanhado pelo Arcebispo Nathan Hovhannisian e moderado por Vasken Yacoubian. Sua Santidade refletiu sobre a longa relação entre a Igreja e a UGAB, destacando o papel significativo da organização em apoiar tanto a diáspora quanto Etchmiadzin. Ele expressou ainda a esperança de que a visita inspire os jovens a se comprometerem mais com os valores nacionais e tradições espirituais, fortalecendo o Estado e a identidade armênia. O Catholicos também respondeu a perguntas sobre o envolvimento da juventude na vida da Igreja, a formação e serviço do clero e os desafios atuais do país. Paralelamente, um grupo de 150 participantes do FOCUS conheceu em Etchmiadzin tesouros nacionais e religiosos e tomaram contato com as contribuições da UGAB incluindo a renovação da Antiga Residência Pontifical e a fundação do Museu do Tesouro Alex e Marie Manoogian. Membros do YP em encontro comSua Santidade Karekin II, Patriarca Supremo e Catholicos de Todos os Armênios Abertura oficial O evento oficial de abertura no FOCUS contou com o painel Perspectivas, com palestrantes internacionais abordando o tema Entre Dois Mundos: Unindo Perspectivas, Moldando o Futuro. A conferência ocorreu no histórico Museu Komitas em Yerevan, com a participação de Kristina Ayanian, produtora executiva e líder de experiência do cliente na NASDAQ (Nova York, EUA); Levon Grigorian, presidente do YP Barcelona e parceiro de Banking & Finance na Crowe (Barcelona, Espanha); o egiptólogo Arto Belekdanian (Cairo, Egito); e o renomado artista de retratos Tigran Tsitoghdzyan (Nova York). Moderados pelo especialista em comunicação Alexander Plato Hakobyan (Yerevan, Armênia), os debatedores exploraram os significados evolutivos da identidade armênia, como a diáspora navega entre cidadania e etnia, o que define contribuições construtivas à pátria e como aproveitar o enorme potencial das comunidades diversas para gerar impacto sustentável. O painel se estendeu ao belo parque do Museu Komitas, em que os participantes – acompanhados de vinho armênio – assistiram a uma apresentação do ART ALIVE, que transforma obras do artista armênio Minas Avetisyan e do artista franco-armênio Jean Carzou em um show interativo de dança. Os debatedores Alexander Hakopyan, Kristina Ayanian, Levon Grigorian, Arto Belekdanian e Tigran Tsitoghdzyan Dia de ajuda ao próximo Em 17 de julho, o dia começou com a apresentação do trabalho e impacto da UGAB na Armênia. Na sequência, os participantes conheceram os resultados desses esforços na AGBU Mentorship Expo (Feira de Mentoria da UGAB), com destaque para os beneficiários dos programas AGBU Women Entrepreneurs (WE – Empreendedoras da UGAB), Women Coders (Programadoras), LEAP (Aprender para Prosperar Artsakh) e mentores de negócios da UGAB. O evento também promoveu troca de ideias
Diana Abgar: a primeira diplomata

Diana Abgar (Anahit Aghabekyan) foi uma mulher extraordinária cuja vida e legado continuam a inspirar gerações. Nascida em 17 de outubro de 1859 em Rangum, Birmânia (atual Yangon, Mianmar), seu pai era um armênio de Nova Julfa, Irã; já sua mãe era da tradicional família Tateos Aventum de Shiraz, uma cidade também no Irã. Ela pertencia à família Aghabekyan, cujos ancestrais foram deportados de Dzhugha para a Pérsia durante o reassentamento em massa de armênios por ordem do Xá Abbas em 1604-1605. Diana era a mais nova dos sete filhos da família, que havia se mudado para o Sudeste Asiático antes de seu nascimento. O fato de ser armênia influenciou profundamente sua identidade, trabalho, visão de mundo e o caminho que ela seguiria na vida. Diana Abgar Formação e desafios iniciais (1991 – 1994) Criada em Calcutá, Índia, Diana recebeu sua educação em uma escola de convento local, onde se tornou fluente em inglês, armênio e hindustani. Em 1889, ela se casou com o comerciante armênio – radicado em Hong Kong – Mikhael Abgar (Abgaryan), cuja família também tinha origens na Pérsia. À época do casamento, Diana tinha aspirações de se tornar escritora e mais tarde o casal se mudou para Kobe, Japão, onde estabeleceu um negócio comercial bem-sucedido. Diana e Mikhael no Japão No Japão, se tornaram figuras influentes na comunidade armênia do país. Apesar das tragédias pessoais, incluindo a perda de dois de seus cinco filhos, Diana começou sua carreira literária, publicando “Suzan”, seu primeiro romance, na terra do sol nascente. Em seus trabalhos, ela escreveu extensivamente sobre assuntos como a situação dos oprimidos, relações internacionais e as consequências do imperialismo. Abgar começou sua carreira literária no Japão, publicando seu primeiro romance “Suzan” em 1882. Ela escreveu extensivamente sobre tópicos como a situação dos oprimidos, relações internacionais e as consequências do imperialismo. Uma diplomata sem país Infelizmente, foi no Japão que Mikhael, seu marido, faleceu repentinamente, deixando Diana com dívidas (após duas falências do casal) e três filhos em uma terra estrangeira. Ela teve que sustentar sua família e estabilizar o negócio (eventualmente tornando-o um sucesso), mas ela ainda queria concentrar sua energia em outro lugar. A área que clamava por atenção era o Oriente Médio. O enfraquecido Império Otomano estava perdendo uma província após a outra, enquanto Grécia, Bulgária e Macedônia estavam recuperando sua independência. A suspeita e a hostilidade do governo otomano em relação às minorias restantes aumentaram constantemente. Os massacres armênios de 1895-96 e 1909 reuniram considerável cobertura da mídia, mas nenhum país fez nada parar mudar essa situação. Durante a Primeira Guerra Mundial, período em que o Genocídio Armênio se iniciou, o objetivo de Diana estava definido: o povo armênio, seu povo, precisava dela, e ela comprometeu sua paixão e idealismo à causa dos armênios. Ela apelou para sociedades de paz e enviou seus artigos para os principais jornais europeus e americanos, defendendo seu caso: o direito dos armênios à “segurança de vida e propriedade no solo de seu próprio país”. Ela se correspondeu com o fundador da Universidade de Stanford, David Starr Jordan, o presidente da Universidade de Columbia, Nicholas M. Butler, o secretário de Estado dos EUA, Robert Lansing, e dezenas de outros — jornalistas, missionários, políticos. Além disso, ela dava palestras sobre o povo armênio e escrevia para jornais famosos como The Japan Gazette, The Times, Le Figaro e outros. E cem anos antes do surgimento das mídias sociais, Diana criou uma extensa rede de conexões, argumentando repetidamente que se nada fosse feito para proteger os armênios, novos massacres aconteceriam. Além da morte de 1,5 milhão de armênios durante o Genocídio Armênio, centenas de milhares de sobreviventes fugiram em todas as direções, incluindo o Cáucaso. Alguns deles continuaram para o norte, para a Rússia, apenas para encontrar o país no meio da sangrenta revolução bolchevique. Os refugiados não podiam voltar, e não podiam ir para o oeste, para a Europa, por causa da Primeira Guerra Mundial; e então eles escolheram uma direção inesperada — Leste, através da infinita Sibéria, até o Oceano Pacífico. Como não havia navios para levá-los para a América da cidade portuária russa de Vladivostok, eles precisavam ir para o Japão. Devido aos apelos e garantias de Diana às autoridades japonesas, os refugiados armênios receberam asilo temporário no Japão. Diana alugou casas para abrigar os refugiados e matriculou seus filhos na escola. Ela ajudou com vistos e documentos, e se tornou a representante japonesa da Cruz Vermelha Americana de Vladivostok; ela localizou parentes de refugiados nos Estados Unidos e negociou ferozmente com as companhias de navios a vapor, que estavam lotadas além da capacidade para os meses seguintes, já que muitas embarcações tinham sido realocadas para servir aos fins da guerra. Usando seus próprios recursos para ajudar as pessoas, Diana estava agindo como uma embaixadora de fato do estado inexistente da Armênia. Seus esforços para ajudar os armênios e conscientizar o mundo dos horrores do genocídio também estavam presentes na literatura: até 1920, ela havia escrito mais de nove livros sobre Genocídio Armênio e clamando por reconhecimento e justiça internacionais. Imagem de um de seus livros sobre o Genocídio Armênio Pioneira na diplomacia Em 1918, o Império Otomano perdeu a guerra e ao mesmo tempo a Rússia estava em uma guerra civil. Isso criou um vácuo de poder no Cáucaso, permitindo que um novo país surgisse no dia 28 de maio — a Primeira República da Armênia. No início, a Armênia não foi reconhecida por nenhum estado internacional. No entanto, em 1920, por meio dos esforços de Diana Abgar, o Japão se tornou a primeira nação a reconhecer a independência da nova república. Assim, em respeito aos seus esforços, Hamo Ohanjanyan, que era então o Ministro das Relações Exteriores da República, nomeou Diana como Cônsul Honorária no Japão. Essa nomeação tornou Diana a primeira mulher diplomata armênia e uma das primeiras na história. No entanto, após a queda da Primeira República da Armênia, em 1920, seu posto foi abruptamente encerrado. Passaporte diplomático de Diana Abgar Em 1926, o Patriarca Supremo
Dia Nacional das Forças Armadas da Armênia

Hoje, 28 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional das Forças Armadas da Armênia, que comemora a formação, em 1992, daqueles que defendem a Armênia. As Forças Armadas da República da Armênia (em armênio: Հայաստանի Հանրապետության զինված ուժեր; transliterado: Hayastani Hanrapetut’yan zinvats uzher) podem ser divididas em duas formas: as forças terrestres e a força aérea – por não ter acesso ao mar, a Armênia não tem marinha. E apesar do exército atual ter sido formado apenas em 1992, ele pode ser rastreado até a fundação da Primeira República da Armênia, em 1918. Porém, hoje, apenas falaremos do exército moderno e de seus 33 anos de história. Brasão das Forças Armadas da Armênia Formação e desafios iniciais (1991 – 1994) O Exército moderno da Armênia nasceu da necessidade no início dos anos 1990, quando o país emergiu do colapso da União Soviética e se viu diante de ameaças existenciais imediatas, principalmente em conflitos com o vizinho Azerbaijão, que clamava o território armênio de Artsakh (Nagorno-Karabakh). Sua formação e desenvolvimento estão profundamente ligados a esse conflito, que foi uma importante luta pela autodeterminação da população armênia da região e se tornou uma característica definidora da história pós-independência da Armênia. Soldado armênio durante a Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh, em 1991 Quando a Armênia declarou sua independência em 21 de setembro de 1991, o país herdou da União Soviética uma situação de segurança precária. O novo Estado não possuía um exército organizado e, além disso, suas fronteiras estavam sob ameaça do vizinho Azerbaijão, que estava envolvido em uma guerra em grande escala por Artsakh. O conflito havia começado em 1988, quando a população majoritariamente armênia de Nagorno-Karabakh, uma região autônoma dentro da República Socialista Soviética do Azerbaijão, buscou se unir à Armênia ou buscar sua independência. Porém, graças aos ataques por parte do Azerbaijão, a escalada se transformou em um conflito. Em resposta, a Armênia começou a formar seu exército nacional a partir dos remanescentes das unidades militares soviéticas estacionadas em seu território. Muitas dessas unidades estavam subequipadas e com poucos efetivos, mas serviram como base para o recém-formado Exército da Armênia. Recém-formado Exército da Armênia, ainda em seus estágios iniciais Voluntários, incluindo veteranos da Guerra Soviética no Afeganistão, desempenharam um papel crucial nos primeiros estágios de desenvolvimento do exército. O governo também estabeleceu o Ministério da Defesa em 1992, com Vazgen Sargsyan, um proeminente líder militar, à sua frente – anos depois Sargsyan se tornou Primeiro-Ministro. Vazgen Sargsyan, o primeiro Ministro de Defesa da Armênia Como mencionado acima, o primeiro grande teste do Exército Armênio ocorreu durante a Primeira Guerra de Nagorno-Karabakh (1988-1994). Lutando ao lado das forças da autoproclamada República de Artsakh (Nagorno-Karabakh), o Exército Armênio enfrentou um exército azerbaijano melhor equipado, que era apoiado por mercenários estrangeiros e recursos externos. Apesar das desvantagens, as forças armênias alcançaram vitórias significativas, como a captura de Shushi em 1992 e a defesa de Lachin, que garantiu um corredor vital conectando a Armênia a Artsakh. A guerra culminou em uma vitória decisiva da Armênia em 1994, após um cessar-fogo mediado pela Rússia. Naquele momento, as forças armênias não apenas haviam garantido o controle de Artsakh, mas também ocupado vários territórios ao redor. Essa vitória solidificou a reputação do Exército Armênio como uma força combatente capaz e determinada, mas também deixou o país em um estado de conflito prolongado com o Azerbaijão. Porém, o que importava era uma Artsakh autônoma e livre, como queria o povo armênio que lá vivia há milhares de anos. Modernização (1994 – 2020) Nos anos que se seguiram ao cessar-fogo, o Exército Armênio passou por reformas significativas e um processo de modernização. O governo priorizou os gastos com defesa, alocando uma parcela substancial do orçamento nacional para o setor militar. Esse investimento permitiu que a Armênia adquirisse novos equipamentos, melhorasse o treinamento e fortalecesse suas capacidades defensivas. Esse movimento era importante, já que o Azerbaijão continuava com suas ameaças. Por isso, durante esse período, o Exército Armênio concentrou-se em manter uma postura defensiva ao longo da Linha de Contato com o Azerbaijão, que permaneceu tensa apesar do cessar-fogo. Confrontos em menor escala na fronteira era comum, mas nunca haviam acabado. Em 2014, por exemplo, 33 armênios morreram por esses conflitos. E mesmo com as constantes ameaças e ataques do Azerbaijão, o Exército Armênio também desempenhava um papel fundamental no apoio à República de Artsakh. Exército da Armênia em 2014, em treinamento com o Exército de Artsakh Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh (1920) A relativa estabilidade do período pós-guerra foi abalada em setembro de 2020, quando o Azerbaijão lançou uma ofensiva em grande escala contra Artsakh – o Azerbaijão foi apoiado pela Turquia e tinha equipamentos modernos, todos fornecidos por Israel. O conflito, chamado de Guerra dos 44 Dias, foi um lembrete brutal dos desafios diários enfrentados pelas Forças Armadas da Armênia. Apesar da resistência feroz, as forças armênias e de Artsakh foram superadas pelo poder de fogo do Azerbaijão, que contou com extenso uso de drones e de artilharia de longo alcance. A guerra terminou em novembro de 2020 com um cessar-fogo mediado pela Rússia. Infelizmente, os armênios de Artsakh perderam importantes cidades, como Shushi. Vale lembrar que o ataque do Azerbaijão se deu no auge da pandemia da COVID-19, o que foi um duro golpe para a Armênia, já que tinha que lidar com o conflito e o vírus. Além disso, armênios de outras partes do mundo não puderam defender a Pátria Armênia, devido às restrições da pandemia. Uma das fotos mais simbólicas do conflito de 2020 Desafios pós-2020 Após o conflito e derrota de 2020, a Armênia embarcou em um programa abrangente de reformas militares. O governo reconheceu a necessidade de modernizar o exército, melhorar seu treinamento e equipamento e corrigir as deficiências expostas durante o conflito. As principais iniciativas incluíram: Aquisição de Novos Sistemas de Armas: A Armênia começou a diversificar suas fontes de equipamentos militares, adquirindo drones, mísseis antitanque e outros sistemas avançados de países como a Índia e a Rússia. Fortalecimento da Defesa Aérea:
Concerto da Orquestra de Jazz Sinfônico da Armênia

A UGAB Brasil promoveu, em parceria com a Embaixada da República da Armênia no Brasil e o Sesc São Paulo, o concerto da Armenian State Jazz Orchestra, que se apresentou no teatro do Sesc Bom Retiro, no dia 4 de dezembro. O espetáculo, que contou com casa cheia, homenageou o centenário de Charles Aznavour, um dos maiores nomes da música armênia e mundial. Durante a apresentação, a orquestra encantou o público com interpretações de clássicos que marcaram a carreira do artista, em uma noite de emoção, talento e celebração cultural. O evento também contou com a presença do embaixador da República da Armênia no Brasil, Sr. Armen Yeganian, e de representantes da comunidade armênia e do público paulistano, que prestigiaram a ocasião.
Visita do novo Presidente Mundial da UGAB Global

Depois de décadas, a UGAB Global tem um novo Presidente Mundial: Sam Simonian, que substitui Berge Setrakian. Quem é Sam Simonian? Sam Simonian nasceu no Líbano, onde cresceu e foi bolsista da UGAB. Ainda adolescente, foi para os Estados Unidos, país que vive até hoje; lá, estudou Engenharia Elétrica na Universidade do Texas. Dentre vários negócios de sucesso, ele fundou em 1989 a Inet Technologies e em 1994 foi selecionado pela tradicional revista Inc. como o Empreedor do Ano. Anos depois, em 2000, devido a seu trabalho pelo próximo, recebeu a prestigiosa Medalha de Honra Ellis Island. Em 2011, Sam Simonian e sua esposa Sylva fundaram o TUMO – Centro para Tecnologias Criativas, que ensina, de forma única e em um sistema próprio, assuntos relacionadas à tecnologia, design e cinema, para crianças de 12 a 18 anos e que estejam matriculada na escola. O TUMO é completamente gratuito e o financiamento foi oferecido pela Fundação Educacional Simonian. Atualmente, o TUMO está presentes em diversos países, como Alemanha, Coreia do Sul, França, Portugal, Albânia, Ucrânia, entre outros, e tem como objetivo preparar a nova geração armênia e global para os desafios vindouros – o TUMO deve chegar nos próximos anos a Buenos Aires e Los Angeles. Desde outubro de 2024 é o novo Presidente Mundial da UGAB. Berge Setrakian (à esquerda) ao lado de Sam Simonian E foi com muito orgulho que a UGAB Brasil pôde receber aqui Sam Simonian ao lado de sua importante comitiva, que tiveram uma agenda lotada de compromissos durante dois dias. Além de Sam, a comitiva incluía sua esposa Sylva e filha Sevahn; além de Lena Sarkissian, membro do Conselho Central da UGAB; Elie Alikian, membro do Conselho de Curadores da UGAB; Christina Lalama, Diretora do YP; e Greg Sarkissian, fundador do Instituto Zoryan. Visita oficial A visita se iniciou no último dia 11, quando a comitiva visitou a Igreja Apostólica Armênia São Jorge, para um encontro com Sua Excelência Bispo Nareg Berberian, Primaz da Diocese da Igreja Apostólica Armênia do Brasil. Na foto acima, podemos ver da esquerda para direita: Stepan Hrair Chahinian; Christina Lalama; Avedis Markossian, Presidente da UGAB Brasil; Sylva Simonian; Sam Simonian; Bispo Nareg Berberian; Elie Alikian; Lena Sarkissian; Sevahn Simonian; Rafael Balukian, Vice-Presidente da UGAB Brasil; Greg Sarkissian; e Norair Chahinian, Diretor Cultural da UGAB Brasil. E no encontro, vários assuntos foram discutidos, inclusive sobre a diáspora armênia e projetos da UGAB Global pelo mundo e, claro, no Brasil. Foto durante o encontro realizado no dia 11 na Igreja Apostólica Armênia São Jorge Após o proveitoso encontro, houve pausa para o almoço, onde a comitiva pôde se encontrar com a Seleção Armênia Juvenil de Xadrez, que esteve no Brasil para competir no campeonato mundial, que foi realizado em Florianópolis – a seleção armênia esteve representada pelos jovens Arsen Davtyan, Aleks Sahakyan, Gor Askanazyan e Sona Krkyasharyan. Sam Simonian e Elie Alikian ao lado da Seleção Armênia Juvenil de Xadrez Após o almoço, a comitiva seguiu para um encontro com o Professor Vahan Agopyan, ex-Reitor da USP (Universidade de São Paulo) e que atualmente é Secretário Estadual da Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. No encontro, os principais assuntos discutidos se referem à área da tecnologia e inovação, a especialidade tanto de Sam Simonian quanto do Professor Vahan. Comitiva após reunião com o Professor Vahan Agopyan (de terno cinza, ao centro); também presente na foto está Haig Apovian (ex-Presidente da UGAB Brasil) Após tantos encontros importantes, o dia terminou em grande estilo: foi realizado um jantar especial no tradicional Terraço Itália com membros da comunidade armênia; estiveram presentes líderes religiosos, líderes de instituições armênias, empresários, entre outros importantes convidados. Na ocasião, Sam Simonian, Avedis Markossian e Armen Yeganian, Embaixador da República da Armênia no Brasil, discursaram para os presentes. Terraço Itália lotado para encontro com Sam Simonian A noite especial começou com o Presidente Avedis Markossian, que deu boas-vindas ao público e explicou a importância do evento e de Sam Simonian, o convidado principal. Avedis Markossian dá boas-vindas aos presentes Já Sam Simonian, em seu discurso, falou dos desafios da UGAB Global e da diáspora armênia, além de ter falado da importância da comunidade armênia do Brasil para a Nação Armênia Global. Sam Simonian discursa para os presentes Por fim, o discurso final foi do Embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian, que falou da importância da UGAB para a Armênia e também sobre a comunidade no Brasil. Embaixador da Armênia no Brasil, Armen Yeganian E como último encontro, a comitiva visitou a sede da UGAB Brasil; lá, vários assuntos foram discutidos, incluindo, claro, inicianativas passadas e projetos futuros da filial brasileira. Comitiva brasileira em reunião na sede da UGAB Brasil A UGAB Brasil agradece a visita de toda a comitiva e já aguarda o retorno de todos para mais proveitosas reuniões. Além disso, desejamos sorte ao novo Presidente Sam Simonian!
O Legado de Hrant Dink

Hoje, dia 19 de janeiro, o mundo armênio completa 17 anos sem a voz e o trabalho do lendário jornalista e colunista armênio Hrant Dink, que foi assassinado em 2007 em Istambul, em frente ao Agos, o jornal do qual era editor-chefe. Eternamente lembrado por suas ideias, vontade e empatia, além do seu corajoso e necessário trabalho e defesa dos direitos humanos, Hrant é um modelo para jornalistas de todo o mundo. Mas antes de conhecer seu trabalho, é importante conhecer um pouco de sua história. Vida Hrant Dink nasceu em Malatya, Turquia, uma cidade historicamente armênia, em 15 de setembro de 1954. Filho mais velho de Sarkis Dink e Gülvart Dink, se mudou com sua família para Istambul quando tinha cinco anos de idade. Um ano após a mudança, seus pais se separaram e Dink e seus irmãos Hosrop e Yervant ficaram sem lugar para morar. A Avó de Dink, então, matriculou os meninos no Orfanato Armênio Gedikpaşa, que é ligado à Igreja Protestante Armênia Gedikpaşa – esse foi o lar de Hrant Dink e irmãos pelos próximos dez anos; lá, ele foi adotado pelo Patriarca Shorkh Galstyan. Hrant Dink (centro) com seus irmãos Hosrop e Yervant Juntos, eles frequentaram a escola Incirdibi, no inverno, e no verão viviam no Acampamento Infantil Armênio de Tuzla – e foi no acampamento que em 1968 Hrant Dink conheceu sua futura esposa, Rakel Yağbasan, nascida em 1959, que foi criada no Orfanato Armênio de Tuzla. Depois, Hrant se formou na escola secundária de Bezciyan e estudou no internato Surp Hac Tibrevank, tendo estudado parte do ensino médio na Escola Secundária Armênia Üsküdar Surp Haç, onde trabalhava como tutor ao mesmo tempo, e por fim, após ser expulso, na Escola Secundária Şişli. Na Universidade de Istambul, estudou Zoologia e matriculou-se para um segundo bacharelado, em Filosofia, que não concluiu. Depois de se formar na universidade, ele completou o serviço militar em Denizli. E não ter sido promovido a sargento, apesar de ter obtido a nota máxima no exame, o fez chorar; e graças a esse episódio de discriminação, que talvez tenha acontecido por ele ser armênio, o fez trilhar o caminho do ativismo. Casou-se com Rakel e juntos tiveram três filhos. E nesse período, ele e a esposa assumiram a administração do Acampamento Infantil de Tuzla, onde eles próprios cresceram e começaram a cuidar de inúmeras crianças armênias. O campo passou por momentos difíceis sob a acusação de ali criar militantes armênios e foi finalmente confiscado pelo Estado em 1983. Após o encerramento do campo, Dink foi detido e preso três vezes devido às suas opiniões políticas. Sobre o campo, ele comentou: “Fui para Tuzla quando tinha 8 anos. Trabalhei lá durante 20 anos. Conheci minha esposa Rakel lá. Crescemos juntos. Nos casamos no campo. Nossos filhos nasceram lá… Depois do golpe militar de 12 de setembro, nosso gerente do campo foi preso sob a alegação de que estava criando militantes armênios. Uma afirmação injusta. Nenhum de nós foi criado para ser um militante. Meus amigos e eu, cada um de nós, antigos alunos do campo, corremos para preencher o trabalho para salvar o acampamento e o orfanato do fechamento. Mas então, um dia, eles nos entregaram um documento de um tribunal… ‘Acabamos de descobrir que suas instituições minoritárias não têm o direito de comprar imóveis. Nunca deveria ter lhe dado essa permissão naquela época. Este lugar agora retornará ao seu antigo proprietário.’ Lutamos por cinco anos e perdemos… Poucas chances tivemos com o estado como concorrente.” Rakel e Hrant – eles se conheceram em 1968 e foram casados até 2007 E por um breve período jogou futebol profissionalmente pelo Taksim SK, time da comunidade armênia, na temporada 1982-1983. De volta a Istambul, Dink fundou a “Beyaz Adam” (que significa “homem branco”), uma livraria com seus irmãos, ao mesmo tempo em que escrevia para o jornal armênio Marmara, de publicação diária. No jornal, ele escrevia especialmente resenhas de livros sobre a história armênia que eram impressos na Turquia. E para escrever no jornal, ele usava o pseudônimo “Cutak”, que significa em armênio “violino”. Agos No dia 5 de abril de 1996, Hrant Dink participou da fundação do jornal Agos, o primeiro publicado em Istambul em turco e armênio – a palavra Agos foi usada em ambas as línguas significando o local onde o arado abre um buraco no solo para dar a semente como fonte de fertilidade. A política dos jornais foi moldada à luz desta parceria simbólica e de fertilidade. Desde sua fundação, o principal objetivo do Agos era criar solidariedade para a comunidade armênia na Turquia que não falava armênio, dar voz aos problemas dos armênios no país a nível estatal e obter apoio do público em geral, bem como partilhar a cultura e história armênia com a sociedade turca em geral. Edição de 2023 do jornal Agos, fundado por Hrant Dink Logo no início, o Agos atraiu a atenção com sua identidade de oposição. Criticou as fraquezas do sistema da comunidade armênia na Turquia, sublinhando a importância da transparência e da sociedade civil em projetos alternativos. Também, trouxe muitos temas marcantes como pauta, por exemplo, o estabelecimento de relações entre a Turquia e a Armênia, a abertura da fronteira entre os dois países e o apoio ao processo de democratização da Turquia. Com o Agos, ele criou um importante veículo para a comunidade armênia na Turquia. E por meio de suas colunas, ele abordou questões sensíveis relacionadas à identidade armênia e às questões históricas e políticas que dividiram as duas comunidades. E como editor-chefe da Agos, Hrant Dink atraiu a atenção do público com sua retórica, que abriu novas fronteiras de debate. Ele também escreveu colunas para os jornais diários Yeni Yüzyıl e BirGün. Mas, provavelmente, o grande burburinho causado pelo jornal a nível nacional foi o estilo enfático com que o jornal abordou o Genocídio Armênio, em que focava nos sobreviventes; mais do que isso, ele levantou a necessidade de desenvolver publicações alternativas sobre esses acontecimentos, muito
Antigos Deuses Armênios

Como sabemos, a Armênia foi o primeiro país no mundo a adotar o Cristianismo, em 301, sob ordem do Rei Tirídates III. Mas, antes disso, o povo armênio adorou, por séculos, deuses da mitologia armênia. A mitologia da antiga Armênia é uma rica mistura de tradições indígenas com ideias importadas de culturas vizinhas. Essas lendas e histórias ajudaram a explicar fenômenos naturais, forneceram uma explicação das origens do povo armênio e comemoraram eventos históricos importantes, como guerras e invasões. E essas crenças, religiões, culturas e mitologias pré-cristãs foram formados em diferentes estágios da formação do povo armênio, com o desenvolvimento da religião na Armênia podendo ser dividido em três estágios: as crenças características das tribos primitivas, as crenças das primeiras formações de um estado e as características das formações de um estado já desenvolvido. As pessoas primitivas divinizaram os fenômenos e objetos naturais, bem como as conexões entre as pessoas e a natureza. A espiritualização das montanhas, da água, dos corpos celestes, a apropriação das qualidades humanas aos animais, pertencem a este período. Assim, por exemplo, Ararat e Aragats, as montanhas armênias, eram irmãs; o sol era representado como um pássaro com um anel no bico – ou, muitas vezes, era representado como um menino ou uma menina –; a Via Láctea era uma trilha de leite ou um feno roubado, entre vários outros exemplos. Monte Ararat e Aragats, montanhas consideradas irmãs pelos armênios antigos Deuses Porém, com séculos de história e diferentes estágios de desenvolvimento da religião, a religião pagã armênia ficou famosa por nove deuses principais, além de outras divindades. Os cultos dos deuses armênios concentravam-se principalmente em três regiões da Armênia: Bartsr Hayk (Alta Armênia), onde havia templos dedicados a Aramazd, Anahit, Nane, Mihr, Barsham; Taron, onde ficavam os templos de Vahagn, Anahit e Astghik; Vale Ararat, onde ficavam os templos de Tir e Anahit. Além destes centros principais, havia também pequenos centros por toda a Armênia. E essas divindades são: Arazmad Mestre de todos os deuses armênios, o pai de todos os deuses e deusas, o criador do céu e da terra. Ele era chamado de “Grande e corajoso Aramazd”. Aramazd era a fonte da fertilidade da Terra, tornando-a fecunda e abundante. A celebração em sua homenagem chamava-se Am’nor, ou Ano Novo, que era celebrada em 21 de março no antigo calendário armênio (também o equinócio da primavera). Estátua representando Aramazd (à frente), o principal deus da mitologia armênia Anahit Anahit era a deusa armênia mais amada e honrada. Ela era a deusa-mãe e filha ou esposa de Aramazd. Anahit foi esculpida com a criança nas mãos com penteado específico de mães ou mulheres armênias e foi chamada de “Grande Dama Anahit”. Os antigos armênios acreditavam que o mundo armênio existia por vontade dela, existe e eternamente existirá. Ela era o culto da maternidade e da fertilidade. Antes de missões importantes, os reis armênios pediam a ela proteção e saúde. Apenas a deusa Anahit tinha templos em todas as regiões da Armênia, o que confirma o seu importante papel e poder de culto. E segundo o historiador grego Plutarco, o templo de Eriza (atual Erzican, na Turquia) era o mais rico e nobre de toda Armênia; o templo foi saqueado e a estátua de Anahit foi destruída por soldados romanos durante a invasão de Marco Antônio à Armênia. Cabeça da estátua da deusa Anahit, que foi destruída pelos romanos; hoje, a cabeça está no Museu Britânico Vahagn Vahagn é o deus do fogo, trovão e relâmpago. Ele era retratado como um jovem com cabelos e barba de fogo e olhos que brilham como o sol. Vahagn nasceu durante uma luta tempestuosa do universo a partir de um junco escarlate. Imediatamente após o nascimento, ele lutou e derrotou dragões (vishaps) e salvou o universo do perigo de destruição. Constituía, com Aramazd e Anahit, a santa e divina trindade. Estátua localizada em Yerevan representando Vahagn, o matador de dragões Astghik A deusa do amor, da beleza e da água. Ela era a esposa ou amante de Vahagn. O templo de Astghik, localizado em Astishat, era chamado de “a sala de Vahagn”; foi lá que ela o conheceu. Suas estátuas eram esculpidas sem roupa, como uma bela jovem nadando. A celebração em sua homenagem ocorria em meados de junho e foi chamada de Vardavar, uma celebração tradicional na Armênia que acontece até os dias de hoje, onde as pessoas jogam água umas nas outras. Selo comemorativo armênio homenageando a deusa Astghik Nane Nane é filha de Aramazd, cujo culto está intimamente ligado ao culto de Anahit – os seus templos eram localizados próximos. Até os dias de hoje as pessoas na Armênia chamam suas avós de Nane, o que indica sua ligação com a deusa mãe Anahit e sua grande honra entre as pessoas. Ilustração da deusa Nane feita pelo artista Starkall Mihr Mihr é o deus da luz e do sol do céu, filho de Aramazd. O único templo pagão na Armênia que sobreviveu até nossos dias é o Templo de Garni, que é dedicado a Mihr. Os feitos e o nome de Mihr, com algumas alterações, são preservados no épico “David de Sassoun”, representado pelos Grandes e Pequenos Mhers. Templo de Garni, criado em homenagem ao deus Mihr, é o único templo pagão que ainda existe na Armênia Tir O deus da sabedoria, da ciência e dos estudos. Também foi intérprete de sonhos e secretário de Aramazd. Um dos templos de Tir estava localizado perto de Artashat e era chamado de “Aramazds grchi divan” ou “Mehyan para estudar ciências”. Cabeça de estátua milenar representando o deus Tir Barsham O culto a este deus veio da Assíria para a Armênia. Não há informações sobre suas funções na mitologia armênia, mas sabe-se que foi exatamente dele que Vahagn roubou o feno e o espalhou pelo céu, formando, assim, a Via Láctea. Spandaramet ou Sandaramet O deus do subterrâneo. Ele era o deus do reino dos mortos ou inferno. Tsovinar A deusa da água, do
Morre Aracy Balabanian, ícone da cultura brasileira

Com muita tristeza, o Brasil perdeu hoje, dia 7 de agosto, uma de suas atrizes mais queridas e importantes: a armênia-brasileira Aracy Balabanian. Nascida em 22 de maio de 1940 em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Aracy era filha de Rafael e Estér Balabanian, casal que escapou das perseguições otomanas contra armênios e que fixou residência em Campo Grande, sendo a única filha que nasceu durante o casamento dos pais, que tiveram filhos em casamentos anteriores – os irmãos de Aracy são: Maria, Yeranui, Amenui, Arshaluz, Avediz e Armem. Aracy Balabanian na infãncia no Mato Grosso do Sul Seu pai era pastor de ovelhas na Armênia e se casou com uma mulher na década de 1920; no primeiro casamento, Rafael teve cinco filhos. Porém, a esposa dele faleceu aos 28 anos de idade e foi quando ele se casou com Estér, mãe de Aracy, que também era armênia e viúva. Sobre a história de seus pais, Aracy disse: “Meus pais ficaram viúvos ao mesmo tempo, e a colônia os juntou. Um precisava do outro, e, enquanto meu pai criou os filhos da minha mãe, ela criou os dele. Mesmo tendo sido criada com tanta dor, nunca cresci com mágoa, rancor.” E sobre a importância da herança armênia, em 2015, ano do centenário do Genocídio Armênio, ela disse à Folha de S.Paulo: “Frequentei muito a colônia armênia. Minha mãe me ensinava poesias em armênio para declamar todo 24 de abril, noite da lembrança. Eu fazia todos os outros chorarem muito ouvindo isso. Ali vi que gostava do palco”. Também, ela comentou: “Herdei isso de ser batalhadora dos meus antepassados. Acredito que o máximo que fiz, da minha parte, foi dando dignidade ao meu trabalho, em 50 anos de profissão. Muita gente falou para o meu pai não me deixar atuar, ou tirar meu “-ian” do nome. Mas nunca deixei. Como eu viveria sem meu indício de armenidade? Fiz questão de não mudar, porque conhecia a garra de meus antepassados. ‘Vocês são bons brasileiros, mas não esqueçam de onde vieram’, era o que meu pai me dizia. E foi assim que segui.” Carreira Aracy se viu como atriz aos 12 anos de idade, já morando na cidade de São Paulo com a família, ao assistir – levada pelas irmãs mais velhas – a uma peça de Carlo Goldoni com Maria Della Costa. E para seguir a carreira, ela teve que driblar a rejeição de seu pai Rafael, já que, segundo a própria Aracy, essa era uma “época em que não era bonito fazer televisão, nem teatro”. Mas ela venceu a rejeição do pai e, aos 14 anos de idade, foi convidada por Augusto Boal, então diretor do Teatro de Arena, para um teste no Teatro Paulista do Estudante. Lá, ela passou e seu primeiro trabalho foi a peça “Almanjarra”, de Arthur Azevedo. Aos 18 anos, fez vestibular para a Escola de Arte Dramática de São Paulo e para o curso de Ciências Sociais na USP, que era um desejo de seu pai. Aprovada em ambos, ela abandonou o último curso no terceiro ano para se dedicar totalmente ao teatro. E sendo já reverenciada pelos críticos, ela participou de espetáculos do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e integrou o elenco da primeira montagem no Brasil, em 1969, do renomado musical “Hair”. A sua estreia na televisão foi na peça “Antígona”, de Sófocles, montada pela TV Tupi. E mesmo após já estar estabelecida na carreira, seu pai só aceitou de vez a opção profissional da filha em 1968, quando ela contracenou com o ator Sérgio Cardoso na telenovela “Antônio Maria”. Aracy Balabanian (à esquerda) em “Antônio Maria”, da TV Tupi Dentre seus diversos trabalhos em 60 anos de carreira, certamente, um dos mais marcantes foi a icônica Dona Armênia em “Rainha da Sucata”, novela de 1990 escrita por Silvio de Abreu. Na novela, ela era uma mãe controladora de três filhos e, para dar vida à personagem, ela pegou emprestado o sotaque e alguns costumes armênios da família – o personagem fez tanto sucesso que voltou em “Deus nos Acuda”, de 1992. Aracy Balabanian como a icônida Dona Armênia em “Rainha da Sucata” Em 1995, ela interpretou a manipuladora Filomena em “A Próxima Vítima”, novela também escrita por Silvio de Abreu. Por esse papel, ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz da Associação Paulista de Críticos de Arte. Aracy Balabanian como a icônida Dona Armênia em “A Próxima Vítima” Após esses sucessos mencionados acima, a consagração veio com Cassandra, personagem da sitcom “Sai de Baixo”, de 1996, que fez muito sucesso no Brasil e Portugal. Na sitcom, que era exibida aos domingos à noite e que era gravada em um teatro com plateia ao mesmo tempo que incorporava risos e improvisos do elenco, Aracy interpretava uma socialite decadente. Sobre o programa, que teve mais de 240 episódios, ela disse: “Eu me vi fazendo uma coisa que é o sonho de todo ator: teatro e televisão, ao mesmo tempo“. Aracy Balabanian ao lado de Luiz Gustavo, Miguel Falabella, Marisa Orth e Márcia Cabrita, elenco da sitcom “Sai de Baixo” Armênia Mesmo com tanto sucesso e reconhecimento, nunca esqueceu suas raízes armênias. Aracy jamais abriu mão da memória do que seus pais e colegas de diáspora contavam sobre o período sombrio da história otomana e, por isso, ela sempre foi uma das vozes que mais lutou no Brasil pelo reconhecimento do Genocídio Armênio e, mais do que isso, sempre carregou com orgulho o seu sobrenome armênio. Simpatizante, associada e colaboradora da UGAB, esteve presente em diversos eventos da nossa instituição. Regina Bazarian, ex-Presidente da UGAB Brasil, e Aracy Balabanian em 2000, quando a atriz foi homenageada pela UGAB Brasil E neste dia tão triste para a cultura brasileira e armênia, a UGAB Brasil deseja os nossos mais sinceros sentimentos aos familiares de Aracy Balabanian. Sentiremos sua falta! Azvadz Hokin Lusavore. Aracy Balabanian, ícone da cultura brasileira
37 anos da Cozinha da UGAB

Há décadas fazendo o melhor da culinária Armênia, a Cozinha da UGAB continua a manter e propagar um dos pilares da cultura armênia Com sua milenar existência, a cultura armênia é muito rica e vasta, com elementos únicos, que influenciaram diversas outras culturas pelo mundo. E, sem sombra de dúvidas, um dos grandes elementos que torna a cultura armênia tão singular é a sua culinária, uma culinária que é diversa, rica em tempero e sabores e que varia de lugar para lugar, já que é um reflexo direto de onde os armênios vivem e viveram. Não à toa, a UGAB Brasil, que se dedica incessantemente à defesa da herança armênia, tem como uma das suas grandes e mais fortes bases nesse trabalho a Cozinha da UGAB, que em 2022 completou 37 anos de história! Origens A história da Cozinha da UGAB começa em 1985, quando as senhoras do Departamento Feminino já se reuniam semanalmente para discutirem assuntos importantes em suas áreas de atuação pela entidade, bem como para fazer costura e bordado. E apesar de a cultura armênia estar presente em todos os cantos do mundo e ser passada de geração para geração, as senhoras perceberam que as jovens armênias – geralmente suas filhas e netas – não sabiam como fazer as típicas comidas armênias ou até mesmo não tinham tempo para tal, tendo que depender, sempre, de suas mães e avós. E pensando em solucionar essa questão e, mais do que isso, pensando em ajudar o próximo por meio das obras assistenciais da UGAB, foi decidido que esse grupo começaria a cozinhar e vender o melhor da culinária armênia. Inicialmente formado por 20 mulheres, o grupo começou a trabalhar às segundas-feiras, já que era nesse dia em que as voluntárias se reuniam e, também, por ser o dia em que seus maridos e demais diretores chegavam à noite para a reunião semanal da entidade. Com o passar do tempo, algumas voluntárias infelizmente faleceram, mas nem por isso a Cozinha da UGAB perdeu sua força, já que, em um trabalho conjunto, todas mantém essa tradição de décadas. Atualmente, há diferentes perfis e idades entre as voluntárias, que se juntam pelo propósito de, por meio da culinária, ajudar àqueles que mais necessitam – vale destacar que entre as voluntárias temos mulheres que não sabiam cozinhar e que aprenderam o ofício com as outras. Se adaptando à cultura local e aos novos tempos, mas sem perder sua essência e qualidade, a Cozinha da UGAB tem clientes fiéis desde 1985, com novos surgindo ano a ano. Atualmente, oferece clássicos da culinária armênia e com opções para todos os públicos, já que oferece, também, opções vegetarianas E nesses 37 anos de história, são essas as pessoas que foram voluntárias da Cozinha da UGAB e que fizeram a diferença na vida de tantas pessoas, ajudando, além disso, a manter viva um dos pilares dessa cultura tão única: Angele Deguirmendjian, Anita Boyamian, Archalouis Gebenlian, Archalouis Topgian, Alice Takesian, Araksy Meguerditchian, Arusiak Bazarian, Aznive Papazian, Cristina Kechichian, Diana Boudakian, Erny Boyamian, Giselle Cortopassi, Heripsime Salibian, Ivany B. Vosgueritchian, Ivone Ghougassian, Leone Vosgueritchian, Lily Rassam, Lucy J. Distchekenian, Maria Distchekenian, Maria Sapadjian, Maria K. Asarian, Maria Balabanian, Mairanuch Keoroglian, Maria K. Apovian, Margo Missrilian, Monica Nalbandian, Nayiri C. Apovian, Nelly Nalbandian, Noemia Mekbekian, Nuver Der Haroutiounian, Nuver Minassian, Regina Astardjian, Regina W. Bazarian, Seta Torian, Sirvart Janikian, Siranuch Debelian, Sonia Kouyoumdjian, Suzana T Mosditchian, Sueli Khatounian, Therese Q. Kaghtazian, Vartoush Mosditchian, Vitoria Panamian e Yepros Kirikian. Ficou interessada em fazer parte dessa história tão linda e de ajuda ao próximo de décadas? Então entre em contato agora mesmo com a secretaria da UGAB, pelo (11) 3814.9299 ou 94559.7267 – basta dar o seu nome e vir continuar conosco essa tradição! Ficou com vontade de pedir os incríveis pratos típicos oferecidos pela Cozinha da UGAB? Então clique aqui. E uma coisa é certa: com a ajuda de vocês, voluntárias e clientes, outras várias décadas virão para a Cozinha da UGAB!